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20-08-2018 - Pesquisa revela que 1 em cada 4 adolescentes americanas automutila-se

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     Um novo estudo feitos nos EUA mostrou que a automutilação – ou seja, uma pessoa ferir-se a si mesma sem a intenção de cometer suicídio – passou a ser um comportamento relativamente comum entre os adolescentes deste país.

     Cerca de 18% dos adolescentes nos Estados Unidos dizem ter-se ferido deliberadamente no último ano, segundo um estudo investigativo da Universidade de Portland (Oregon) publicado no "American Journal of Public Health". As taxas de automutilação chegam a atingir 31% nas raparigas adolescentes em algumas partes do país.

     "Para esta pesquisa, os adolescentes foram entrevistados na escola e revelaram estas informações de forma anónima, o que nos deu uma ideia mais precisa da automutilação nos EUA", relatou Nick McRee, membro do departamento de sociologia e assistência social na Universidade de Portland e coautor do estudo.

      Os investigadores usaram dados de 2015 do Centers for Disease Control and Prevention Youth Risk Behavior Surveillance System para estimar a prevalência dos ferimentos autoinfligidos não suicidas entre adolescentes de 14 a 18 anos. Eles analisaram as respostas de 64.671 estudantes do ensino médio de 11 Estados.

     As taxas de ferimentos autoinfligidos entre adolescentes eram maiores (acima de 20%) nos Estados de Idaho, Kentucky, Novo México e Nevada. Delaware teve a menor taxa de ferimentos autoinfligidos (12%) tanto para rapazes como para raparigas. O estudo revelou que a prevalência de automutilação era maior entre os com 14 anos (19%) e diminuía com a idade.

     "Os números são perturbadores", disse McRee. "Eles sugerem que o comportamento não está concentrado em um número pequeno de jovens, mas que, de fato, é um tipo de comportamento bem comum entre os adolescentes em geral".

     A amostragem incluiu 32.150 rapazes adolescentes e 32.521 raparigas adolescentes. Embora as taxas de ferimentos autoinfligidos fossem significativas em ambos os géneros, elas eram consistentemente maiores entre as raparigas entrevistadas em todos os 11 Estados, indo de 31% das raparigas em Idaho até 18% das raparigas em Delaware. "O facto de existir uma variação significativa nos números por Estado sugere que existem fatores culturais em jogo", disse McRee.

     O estudo descobriu que as adolescentes eram duas vezes mais propensas a reportar a automutilação no ano anterior do que os rapazes (24% versus 11%).

     O estudo não incluiu informações sobre a gravidade destes ferimentos ou os pensamentos e decisões que envolvem comportamentos de automutilação.

     Os pesquisadores descobriram que os adolescentes eram mais propensos a revelarem que tinham se automutilado quando se estavam a sentir tristes, pensando em suicídio, usando tabaco ou drogas pesadas ou sofrendo bullying online. Estes fatores de risco têm efeitos da mesma magnitude em ambos os géneros, notou McRee, mas as raparigas parecem estar expostas a um número maior desses fatores do que os rapazes.

     As adolescentes são também mais propensas que os rapazes a dizerem que se identificavam como parte da comunidade LGBTQ, que abusavam do álcool ou que já tinham sido forçadas a fazer sexo. Os rapazes são mais propensos a reportar brigas e o uso de haxixe. Estes fatores e comportamentos estão também ligados a relatos de ferimentos autoinfligidos.

     "Todas estas coisas representam uma constelação de fatores que podem contribuir para o stress, e os adolescentes não estão preparados para lidar ou processar isso", disse McRee.

     Os investigadores descobriram que adolescentes de todos os grupos raciais e étnicos reportaram ferimentos autoinfligidos sem a intenção de cometer suicídio no último ano. No entanto, as taxas são maiores entre os adolescentes que se identificaram como americanos nativos, hispânicos ou brancos, do que entre os que se identificaram como negros ou asiáticos.

     "A prevalência do comportamento de automutilação é chocante e, francamente, parece-me que se eleva ao nível de um problema de saúde pública que requer um conjunto de soluções de saúde pública", disse McRee.

- in Buzzfeed

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