23-04-2018 - Preso por evangelizar no Facebook, cristão é libertado com sérios problemas de saúde

Slimane Bouhafs, um cristão argelino que passou os últimos 18 meses na prisão por supostamente "insultar o Islão e o seu profeta", foi libertado. "Finalmente, o meu pai recebeu permissão para estar de volta para nós", escreveu Tilelli, filha do ex-preso, na sua página no Facebook.
Os media locais têm chamado ao caso “uma grande vitória da liberdade religiosa”. De acordo com o World Watch Monitor, Tilelli e a sua mãe estavam a caminho para visitar o cristão na cadeia quando ele ligou, dizendo que havia sido libertado e que estava prestes a apanhar um táxi para casa.
"Estou cheio de alegria por me reunir com a minha família, que sofreu tremendamente", disse Slimane. "Foi demais, sofri uma terrível injustiça. Não feri ninguém, não matei ninguém. Fui privado da minha liberdade injustamente", comentou.
Ele acrescentou que "viu coisas insuportáveis na prisão" e agradeceu às pessoas de todo o mundo por lhe enviarem cartas de apoio. Slimane, de 51 anos, deixou o Islão para se converter a Cristo. Ele foi preso no dia 31 de julho de 2016 depois de publicar no Facebook sobre a luz de Jesus superando a “mentira do Islão e o seu profeta”. Ele também postou fotos mostrando a execução de um civil por um terrorista islâmico.
Na altura, a sua filha enfatizou que o pai tinha apenas partilhado publicações de outra pessoa no Facebook, acrescentando: "Eu interrogo-me porque há essa raiva contra o meu pai, ele não tem um perfil importante no Facebook".
Slimane foi oficialmente condenado a três anos de prisão por um tribunal no país de maioria muçulmana. O tribunal disse que ele "partilhou quatro versos e fotos corânicas distorcidas ofensivas ao profeta, além de artigos denegrindo a religião islâmica".
A World Watch Monitor ainda observa que, durante o seu encarceramento, o cristão passou algum tempo em três prisões diferentes, onde a sua saúde se deteriorou devido a reumatismo inflamatório, uma doença que piora sob stress e requer uma dieta especial. Ele também teria sofrido agressões dos seus companheiros de prisão por causa da sua fé cristã.
A prisão de Bouhafs provocou protestos, com grupos de direitos humanos pedindo por uma mudança na lei que pune qualquer um que tenha insultado Maomé ou "denegrido o dogma ou os preceitos do Islão".
Segundo Said Salhi, vice-presidente da Liga Argélia para os Direitos Humanos (LADDH), o veredicto foi "parte de uma escalada" e o resultado do uso "abusivo" do artigo 144 (bis) da lei argelina. Slimane é presidente da Coordenação dos Cristãos na Argélia, que defende a liberdade religiosa no país.




