20-02-2018 - “Sou nova criatura”: diz comunista que se converteu ao Senhor Jesus Cristo após ler a Bíblia

Como agente norte-coreana, Kim Hyon-hui participou de uma ação terrorista que matou 115 passageiros em um voo com ligação de Seul para interromper os Jogos Olímpicos de 1988 na Coreia do Sul. Ela foi presa pelas autoridades e, após o julgamento, converteu-se ao Senhor Jesus Cristo e encontrou nova vida n'Ele.
À medida que as Olimpíadas de Inverno estão em andamento, a história da conversão de Kim e um novo começo – além do seu pedido de perdão aos sul-coreanos – vem à tona, depois de anos em que ela se manteve no anonimato.
“Na Coreia do Norte, eu vivia como o robot do ditador Kim Il Sung”, disse ela, que hoje tem 56 anos, em depoimento ao Washington Post. “Na Coreia do Sul, eu tenho que viver uma nova vida. Os meus pecados podem ser perdoados pelas pessoas? Provavelmente não serão”.
Enquanto o público em geral não perdoa a um assassino em massa, a graça de Deus perseguiu essa improvável destinatária do Seu favor imerecido.
Nascida em Kaesong, no ano de 1962, Kim terminou os seus estudos e foi recrutada no início da carreira universitária para trabalhar como espiã para a ditadura comunista mais repressiva do mundo. Educada sob propaganda ditatorial desde a infância, Kim acreditou completamente na benevolência absoluta do seu ditador – e na malevolência da Coreia do Sul, do Japão e dos Estados Unidos. De facto, ela acreditava que estava a defender a sua nação.
Depois de sete anos de treinamento em japonês, cantonês, artes marciais, craqueamento de códigos, infiltração e operações secretas, Kim estava pronta para cumprir as ordens de explodir o voo 858, da Korea Airlines, numa tentativa desesperada de interromper e desacreditar a Coreia do Sul, enquanto o país sediava os Jogos Olímpicos de verão, em 1988.
Viajando com um sócio sénior sob um passaporte falso e identidade japonesa, Kim embarcou e deixou uma bomba-relógio, disfarçada como um pequeno rádio Panasonic na bagagem de mão. Ela e a sua parceira, Kim Seung Il, saíram do avião em Abu Dhabi.
Tragicamente, a bomba explodiu e matou todos os passageiros daquele voo sobre o Oceano Índico.
Kim e Seung atravessaram o globo para ficarem acima de qualquer suspeita e, eventualmente, voltariam para a Coreia do Norte. Mas no Bahrein, a segurança suspeitou delas e deteve-as.
Percebendo que estavam prestes a serem presas, a dupla mordeu as pílulas de cianeto (veneno) que estavam escondidas nos seus cigarros, para tirarem as suas próprias vidas e assim, não terem o segredo do ataque revelado.
"Ensinaram-nos que se um agente falhar numa missão, ele ou ela precisa de se suicidar”, disse Kim ao Daily Mail. “Precisamos engolir a pílula para proteger o segredo. Sabemos muito bem que as nossas famílias no Norte seriam prejudicadas, então, naturalmente, decidimos engolir as pílulas. No momento, pensei que a minha vida acabasse assim, aos 25 anos”.
O veneno funcionou para a sua amiga Segung, mas Kim acordou no hospital.
Sob forte guarda, Kim foi enviada para a Coreia do Sul com um tipo de focinheira, para impedir que ela mordesse a língua. Kim mentalizava hinos patrióticos norte-coreanos enquanto desembarcava do avião. Ela determinou suportar até a pena de morte com o máximo de fervor patriótico.

Os interrogadores levaram-na para a Coreia do Sul, para que ela pudesse ver por si mesma os sorrisos e a prosperidade das pessoas livres. Aquilo contradizia o que ela havia aprendido na Coreia do Norte. Os comunistas haviam aprendido que os sul-coreanos sofriam uma grande pobreza, como se fossem marionetes do governo, apoiado pelos Estados Unidos. Com seus próprios olhos, ela podia ver que toda aquela imagem feita pelo comunismo era falsa, que a “operação tática” para desestabilizar a Coréia do Sul era “fundada em mentiras”, disse ela.
Depois de oito dias, ela quebrou o silêncio e confessou o seu papel no ataque terrorista. Foi só então que ela refletiu sobre as vidas que ela ceifou, as centenas de sul-coreanos que correram para os aeroportos, tentando descobrir notícias dos seus entes queridos. Foi só então que ela percebeu que ela se transformou em nada mais do que uma assassina de coração frio, uma marionete de um regime totalitário, inclinado a causar alvoroço em todo o mundo, apenas para preservar o seu domínio na sua própria nação faminta.
Kim foi condenada à morte por um tribunal sul-coreano em março de 1989, mas o presidente Roh Tae-woo revogou a sua sentença, dizendo que Kim era uma vítima da lavagem cerebral do governo norte-coreano. Ela desculpou-se publicamente e arrependeu-se do seu papel no ataque terrorista. Numa conferência de imprensa, ela pediu o perdão da nação sobre a qual ela havia infligido um massacre.
Então, libertada da prisão, ela fugiu da mira do público, casou-se e começou uma nova vida. Escondendo-se num local não revelado, ela tinha sempre muita preocupação com a sua segurança. Os norte-coreanos tinham um hábito desagradável de caçar e matar os seus ex-agentes que, na sua opinião, traíram o governo deles.
Kim tem dois filhos adolescentes. O seu marido era um dos seus interrogadores iniciais na Coreia do Sul. Ela tornou-se dona de casa. Os jogos de inverno em que a Coreia do Norte e a Coreia do Sul desfilaram sob uma bandeira de unidade abriram novamente as feridas de há 30 anos. Ela está revivendo o trauma da sua culpa e pedindo novamente perdão.
Sem dúvida, a busca pelo perdão foi o que a levou a Cristo. Sob a doutrina comunista, o cristianismo e outras “religiões” são o “ópio do povo” ou “uma ferramenta da burguesia para oprimir e atemorizar as classes mais baixas”. Tem sido uma prática padrão dos regimes comunistas perseguir os cristãos e eliminar os seus ensinamentos no seu suposto objetivo de “libertar as pessoas e consagrar o humanismo e o socialismo”.
Rapidamente após o julgamento, Kim começou a explorar o cristianismo. Ela teve um breve contacto com a religião quando os seus parentes oraram para que Deus a curasse do que os médicos achavam que era pólio, quando ela estava na terceira classe. Naquela época, ela estava com muito medo de abraçar qualquer crença no sobrenatural, porque considerava tudo aquilo “supersticioso”.
“Eu estava com medo de ouvir sobre a religião num ambiente rigoroso no qual (o então ditador) Kim Il-sung tinha que ser o único pensamento da cabeça aos pés para os cidadãos”, disse ela ao Seoulshinmun Daily em 1990.
Ela tinha medo de qualquer coisa “sobrenatural”, mas ela não esqueceu aquele episódio.
Dois meses antes da sentença, ela começou a receber estudos bíblicos. A Palavra e o Espírito suavizaram o seu coração e fizeram com que ela se convertesse ao Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Uma vez que ela foi libertada da prisão, foi recebida na Igreja Batista Yeouido, em 29 de março de 1991, de acordo com o Korean Herald.
“Sou nova criatura. Eu vou viver como uma pessoa nova, que servirá a sociedade, recriando o significado do pecador como alguém salvo por Deus e fazendo o que cabe à Sua filha fazer”, disse ela na época.
Hoje, a terrorista redimida não confia na participação pacífica da Coreia do Norte durante as Olimpíadas de inverno.
“Eles estão usando a Coreia do Sul para superar as suas dificuldades”, disse Kim. “Para alcançar os seus objetivos, eles assassinam o seu próprio povo, irmãos, famílias – não se deixe enganar, a Coreia do Norte não mudou”.
Kim está a trabalhar para o Serviço Nacional de Inteligência da Coréia do Sul e atualmente está a escrever as suas memórias para alertar o mundo sobre os perigos da Coreia do Norte. Ela considera-se privilegiada por ter uma segunda oportunidade na vida, na qual ela pode servir a Deus livremente.
“Eu era uma grande pecadora”, disse ela. “Eu deveria ter morrido”.
- in Guiame




