23-12-2017 - Reino Unido: Sem crentes, igrejas dividirão templos com outras religiões para não fecharem

12.000 igrejas passam por dificuldades financeiras e islâmicos são os maiores interessados em usá-las.
Desde 1999, a administração da Igreja Anglicana, religião oficial do Reino Unido, calcula ter gasto mais de 3 bilhões de euros[£2.6 bi] em projetos de reformas e manutenção dos seus 12 mil templos. Após aceitar vender muitos dos considerados ‘deficitários’, onde as entradas não cobrem sequer água e luz, agora surge uma nova proposta.
O Departamento de Cultura, Media e Desporto, a agência do governo inglês responsável pela “herança religiosa” da nação, decidiu que as igrejas devem ficar disponíveis para “propósitos novos e diferentes”. Isso incluindo a possibilidade de servirem para abrigar cultos de outras fés, se quiserem permanecer abertos.
Os prédios catalogados como propriedade da Igreja da Inglaterra passarão a ser catalogados como “centros sociais” ou “salões de uso comunitário”, pede o relatório publicado esta semana.
Como a frequência à igreja continua a cair constantemente nos últimos anos e não há previsão de uma reversão a curto prazo, cresceu o número de paróquias que correm o risco de serem fechadas em definitivo.
O relatório do governo sugere que os prédios sejam ‘adotados’ pela comunidade que vive ao redor de cada um deles. Bernard Taylor, que presidiu uma equipe de avaliação que inclui líderes da Igreja Anglicana e dirigentes de órgãos patrimoniais, explica que a melhor opção no momento é permitir que os templos sejam “locais de culto multi-fé”, uma vez que os espaços não estão a ser usados “de forma eficaz”.
Alegando “problemas complexos de manutenção e restauro”, o relatório do governo acredita que “O aumento do uso ajudará as comunidades a perceberem o valor e o potencial da igreja local. Isso será fundamental para que os templos se tornem autossustentáveis e, em última análise, garantir que permaneçam abertos”.
Em entrevista ao site Christian Today, Taylor disse a ficará a cargo da congregação local decidir a quem irá alugar o seu templo. “Cada caso é diferente”, avalia. “Eu acho que existem exemplos de locais onde o uso do espaço para cultos de outras fés já ocorre. Provavelmente para algumas congregações é mais difícil que para outras”.
O relatório cita exemplos onde os templos passaram a ser usadas como cafés, salões de festa, agências do correios e serviços do SNS, preservando apenas a nave principal do templo para o culto regular. Os principais candidatos para usar as igrejas em suas cerimónias são grupos islâmicos, que têm dificuldades de construir mesquitas devidas às leis rígidas de zoneamento e ao alto custo de terrenos.

O Ministro do património John Glen disse ter gostado do relatório: “Esta avaliação é um passo importante para oferecermos um futuro mais sustentável para milhares de igrejas em todo o país. Analisaremos cuidadosamente essas recomendações”.
O bispo de Worcester, John Inge, disse que as igrejas não são apenas locais de culto para as suas comunidades: são centros sociais para pessoas de todas as idades, espaços para oferecer hospitalidade e serviços vitais para os vulneráveis. Ele acredita que a nova medida pode tornar “as igrejas cada vez mais centrais na vida comunitária”. Também acredita que a decisão “ajudaria a proteger os prédios e os equipar para servirem melhor no futuro”.




