22-09-2017 - Porque é que este orador muçulmano convertido a Cristo pregou a tantos antes da sua morte aos 34 anos de idade

A primeira vez que o vi, ele sentou-se a uma mesa em frente a mim, uma das pernas movendo-se subconscientemente de forma constante, como se estivesse em aquecimento para uma corrida. Era um hábito da sua disposição inquieta levantar-se e correr. Perguntei se poderíamos falar sobre a sua missão na vida. Ele juntou-se a mim no banco de trás do carro, com aquela perna ainda em movimento.
Assim era Nabeel Qureshi. Ele detestava ficar quieto. Ele era um homem com uma missão, pronto para correr. Infelizmente, para nós, ele morreu sábado com a idade de 34 anos após um ano de cancro no estômago. Nabeel, que foi criado numa família muçulmana-americana e se converteu ao cristianismo depois de um colega estudante ter aumentado o seu interesse pelo cristianismo, trabalhou comigo em apologética cristã.
O campo da apologética trata das questões difíceis colocadas à fé cristã. Cada um de nós tem uma visão do mundo, quer o reconheçamos, quer não. Uma visão do mundo oferece respostas a quatro questões necessárias: origem, significado, moralidade e destino. A apologética cristã é a disciplina que responde às questões específicas das pessoas e torna claras as alegações da verdade. Pretendemos envolver as pessoas em interações significativas com gentileza e respeito, tendo em mente que, por detrás de cada pergunta, está um questionador.
Porque o Islão está agora tanto na ribalta, uma personalidade articulada e atraente como Nabeel era frequentemente ouvida com muita atenção. Ele também era médico e bem versado em teologia e filosofia, credenciais académicas que lhe valeram respeito. Ele era bem versado na fé em que cresceu.
Nabeel ostentava o Evangelho de Jesus Cristo como revelado na Bíblia e levava a mensagem da salvação. Ele disse que durante anos, quando jovem, trabalhou e lutou para ganhar a "justiça de Deus" apenas para descobrir que a justiça já havia sido ganha na cruz através do Senhor Jesus Cristo. É essa a sua mensagem no seu livro mais vendido, "Buscando Alá, Encontrando Jesus".
Os seus avós eram missionários muçulmanos na Indonésia. A sua conversão ao cristianismo ocorreu depois de examinar seriamente a historicidade dos Evangelhos e as reivindicações únicas do Senhor Jesus Cristo. A conversão foi muito difícil para a sua família e, provavelmente, o maior sofrimento que ele carregou consigo, porque ele os amava.
Sim, a sua conversão levantou muitas questões, mas as suas respostas graciosas e claras tocaram muitos no mundo islâmico. Conheceu numerosas pessoas que leram o seu livro e fizeram as suas próprias jornadas rumo à fé no Senhor Jesus Cristo. Também o machucou profundamente quando os muçulmanos foram retratados de forma violenta, algo que ele acreditava ser falso e errado.
Ele não era mero evangélico, mas apaixonadamente evangelístico. Ele desejou cobrir o globo com a boa notícia: o facto do perdão de Deus estar disponível para todos. Quando falava, ele cativava o público.

Eu [Ravi Zacharias] conduzo um ministério chamado RZIM, que começou em 1984 e tem uma equipa em tempo integral de mais de 70 palestrantes de diversas origens culturais em 15 países, em todos os continentes. Falamos a artistas, académicos, empresários e líderes políticos, abordando as questões da origem, do significado, da moral e do destino. O nosso objetivo é apresentar as respostas do Senhor Jesus Cristo de formas convincentes e intelectualmente persuasivas que façam a ponte entre a cabeça e o coração.
Convidei Qureshi a participar na nossa equipa há quatro anos e meio. Ele alcançou dezenas de milhares em audiências ao vivo, mas os seus livros atingiram ainda mais pessoas. Ele era um poderoso orador e argumentador.
Fico marejado de lágrimas quando penso na refeição que tivemos há pouco mais de um ano. Nabeel era um homem com um apetite devorador. Eu costumava brincar na sua presença: "Não fiquem atrás dele numa fila de buffet; Não restará nada. Ele ria. Ele conseguia tornar uma grande refeição num aperitivo. Mas naquele dia notei que ele estava apenas a mordiscar a comida.
Eu disse: "Nabeel, não comes?" Ele disse: "Tio, tenho tido algumas sensações estranhas no meu estômago". Perguntei-lhe há quanto tempo isso acontecia, e ele disse que havia umas semanas. Pedi-lhe que fosse diagnosticar o que se passava. Ele disse que estava a planear fazê-lo. O resto é história. Um médico diagnosticou-lhe cancro no estômago - provavelmente estádio 4. Nós ficámos todos atordoados. Em poucos meses, a notícia chegava.

Em maio, ele pediu-me para fazer mais uma viagem.
Nós fomos à Malásia. Embora o seu corpo estivesse fraco, a sua paixão não estava diminuída. As suas respostas às perguntas das pessoas sobre Deus e Jesus eram profundas e persuasivas. É difícil acreditar que Nabeel Qureshi nos tenha deixado tão cedo. Lembro-me de que ele morreu com a mesma idade do Senhor Jesus Cristo, quando a Sua missão se cumpriu.
“As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam”, disse assim o Apóstolo Paulo. Acreditamos que Nabeel está agora no céu. Ele disse-me o quão doloroso era deixar a sua esposa, Michelle e a sua filha, Ayah. Porém a sua dor terminou. Não choro por ele.
Choro pelo nosso mundo fraturado, onde abunda o ódio e a destruição. Nós temos um cancro chamado pecado. A doença que mata o corpo é coisa pequena, mas a doença que mata a alma é eterna. Nabeel queria, mais do que qualquer outra coisa, que levássemos a mensagem do Senhor Jesus Cristo para salvar as pessoas. Só então podemos entender que a triste notícia da morte de Nabeel é temporária.
O poeta Henry Wadsworth Longfellow expressou-o bem (Adaptado por C.M.O.):
A vida é real! A vida é propósito!
E o túmulo não é seu depósito.
“Pó tu és, ao pó voltarás”,
Não se refere à alma - verás.
Ravi Zacharias é fundador e presidente de Ravi Zacharias International Ministries (Ministérios Internacionais Ravi Zacharias)
- in The Washington Post




