08-09-2017 - Líder polígamo Mórmon é condenado em 13 milhões de euros por forçar garota de 14 anos a casar

Uma juíza do tribunal de Utah, Estados Unidos, condenou na passada terça-feira Warren Jeffs, ex-líder de uma seita que prega a poligamia, a pagar Ucerca de 13 milhões de euros (13 milhõesde dólares) de indenização por danos a Elissa Wall, induzida por ele e a sua igreja a se casar em 2001, com apenas 14 anos, com um primo de 19.
“O julgamento proferido pelo tribunal é um grande passo adiante na luta por uma declaração forte e imutável ao mundo de que ninguém, especialmente crianças, pode ser sexualmente explorado e abusado em nome da religião”, disse Wall em comunicado enviado à emissora após a sentença.
“A mensagem enviada por esta sentença será esperançosamente ouvida como um aviso alto e claro para qualquer um que opte por agir da mesma maneira que Warren Jeffs e a Igreja Mórmon FLDS (sigla de Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Últimos Dias)”, completou.
Na sua decisão, a juíza Keith Kelly escreveu que “Warren Jeffs exerceu controlo, poder e autoridade absolutos sobre a vida de (Wall) para que ele pudesse exigir que ela, como jovem, entrasse num casamento espiritual ilegal”.
“A condução de Warren Jeffs e da Igreja FLDS foi tão extrema que ultrapassou todos os limites possíveis de decência e é considerada atroz e totalmente intolerável numa sociedade civilizada”, acrescenta o texto.
Nem Jeffs nem a igreja se defenderam neste processo, que se estendeu por quase uma década. O líder de 61 anos está preso desde 2006, sendo que cinco anos depois foi condenado a prisão perpétua, por abusar sexualmente de uma das jovens menores de idade que eram suas “esposas espirituais”.
No caso de Wall, Jeffs encarregou-se pessoalmente de organizar o casamento dela com o primo e ainda dirigiu a cerimónia. Ele ainda aconselhou os dois a terem filhos após a união – as tentativas terminaram com um aborto e depois de um bebé nado-morto.
A seita de Jeffs tem origem no Mormonismo e defende que quem adotasse a poligamia seria premiado após a morte. Estima-se que ela chegou a ter ao redor da América do Norte mais de 10 mil fiéis, que viam o líder como o porta-voz de Deus na Terra.
Wall afirmou que ela sofre até hoje, 16 anos depois, de problemas decorrentes do seu relacionamento forçado, como baixa autoestima. Com 30 anos e feliz num novo matrimónio, ela classificou a sentença como uma vitória de “milhares de vítimas de abuso”, mas disse que agora se pode "concentrar na construção de um futuro melhor" para ela e para os seus filhos”.
- in UOL




