26-08-2017 - Homem negro testemunha libertação do racismo contra brancos: “Fui abençoado por quem eu odiava”

O testemunho de um homem que cumpriu uma sentença de 21 anos na prisão não é sobre a conquista da liberdade de ser preso e ser libertado da prisão, mas a libertação do racismo, um sentimento de ódio que ele nutria contra os iguais de pele diferente.
Otis Hardy foi condenado em 1979 por assalto à mão armada. Quando chegou à cadeia, era alguém que poderia facilmente ser definido como uma pessoa que respirava ódio, principalmente por brancos. Quando já estava na prisão há 15 anos, foi apanhado a promover jogos de cartas com apostas em dinheiro, o que é ilegal, e esse episódio mudou a sua vida.
O guarda que o apanhou disse a ele que não o puniria se ele aceitasse participar em um culto no refeitório da prisão. Para escapar da punição, ele decidiu que iria, mesmo sendo completamente hostil aos brancos, que eram maioria entre os presos que frequentavam aquele culto bíblico.
De acordo com informações do News Observer, Hardy afirmou que a melhor decisão que tomou foi ir àquele culto, pois foi tocado por Deus quando dois homens brancos oraram por ele. “Este encontro mudou a minha vida. As pessoas que me abençoaram eram as pessoas que eu odiei a minha vida inteira”, relatou.
Em 1996 ele tornou-se no primeiro preso a participar num estudo bíblico semanal promovido por uma Igreja bíblica na Carolina do Norte (EUA). “O relacionamento entre o grupo era exemplar. As pessoas eram ótimas. Muitas pessoas entram numa prisão, mas há poucas pessoas com quem uma pessoa se identifica”, disse Otis Hardy.
Aqueles dois anos foram de intensa mudança na vida do então preso, que posteriormente, passou a dedicar-se à culinária e aprendeu a cozinhar. Entre os anos de 1996 e 2000, Hardy trabalhou como cozinheiro da equipe do governador Jim Hunt, e chegou a fazer o bolo de casamento de uma das suas filhas.
No ano 2000, aos 54 anos, ele concluiu sa ua sentença e foi libertado. Transformado pelo Evangelho, passou a ter uma conduta exemplar e matriculou-se numa universidade, onde se formou em gestão organizacional.
Para contribuir para a sociedade e evitar que outros seguissem o seu caminho no passado, trabalhou com entidades que ajudavam crianças em situação de risco e ex-presos a se reintegrarem na sociedade
Otis Hardy tem, atualmente, 71 anos de idade, vive com a esposa em Raleigh, capital da Carolina do Norte. Servem juntosnuma igreja local e trabalham na preparação do café da manhã que antecede os cultos dominicais. “Esta igreja foi realmente uma benção para nós”, disse Hardy.
Em casa, Hardy mantém uma pasta de memórias, com muitas fotos e reportagens, o seu certificado de liberação da cadeia e um convite que recebeu do ex-presidente George W. Bush para um jantar. “Eu quero que as pessoas saibam que cometi alguns erros maus na minha vida. Eu quero que as pessoas saibam, porque esse é o meu testemunho”, finalizou.




