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30-12-09 - Dickens versus Darwin

colson_charles_w.jpg     Dois dos livros mais famosos do cânone ocidental fizeram 150 anos em 2009 - A Origem das Espécies de Charles Darwin, e Um Conto de Duas Cidades de Charles Dickens.

     Mas estes aniversários foram comemorados de maneiras muito diferentes. Enquanto o livro de Darwin foi homenageado em todo o mundo com filmes e websites e muito mais, relativamente poucas pessoas souberam que o livro de Dickens atingiu a mesma marca.

          Qual a razão da diferença? A minha colega Gina Dalfonzo, num artigo no BreakPoint Online, sugere que uma razão pode ser "a diferença de visão do mundo." Gina salienta que o livro A Origem das Espécies está edificado sobre os princípios materialista de Darwin, enquanto que Um Conto de Duas Cidades tem uma visão mais tradicional e bíblica das coisas.

     É fácil ver como a nossa elite académica e dos media preferiu gravitar em torno da obra que mais fielmente reflecte as suas próprias opiniões, mesmo apesar de não perceberem completamente a razão de o fazerem.

     Ambos os autores viveram numa época em que a cultura ocidental estava a transitar da fé em Deus para a fé na humanidade e no seu progresso. Darwin acompanhou a mudança, abraçando o materialismo e olhando para os seus próprios estudos científicos à sua luz.

     Porém Dickens resistiu. A sua fé tem sido chamada de "simples" - ele não estava abertamente interessado em questões teológicas complexas, e ele nem sempre aderiu à doutrina da Igreja. Contudo ele manteve a sua crença num Criador amoroso até ao fim da sua vida.

     Não é interessante que foi Darwin, que foi engolido por algumas das tendências mais perversas dos seus dias? O Dr. Benjamin Wiker assinalou recentemente o interesse de Darwin nas teorias de Thomas Malthus, que pensava que a “população excedente" - os fracos e os incapazes - estava a fazer regredir a  humanidade. A influência desta crença pode ser vista em A Origem das Espécies e em outras obras de Darwin.

     Pessoalmente, Darwin acreditava na ajuda aos pobres e doentes, mas a sua vida pessoal não se ajustava às suas verdadeiras ideias. A sua teoria resumia-se ao seguinte: "a lei do mais forte decide o que está certo", - e isso significava que a sobrevivência era a boa ética mais elevada.

     Por outro lado, Dickens parodiou Malthus nas suas obras, e mostrou a falência moral das suas teorias. Em Um Conto de Duas Cidades, um romance sobre a Revolução Francesa, Dickens mostra uma luta pelo poder entre duas famílias, uma luta que se transforma num ciclo de violência e vingança. Madame Defarge, uma figura central no ciclo, não tem piedade das suas vítimas, uma vez que tem poder sobre elas, na verdade, podemos chamá-la de uma figura completamente Darwiniana.

     No fim, o ciclo de violência só pode ser quebrado, e Madame Defarge desarmada, pelo auto-sacrifício de outro personagem, o tipo de acto que não teria lugar numa visão Darwiniana do mundo. Mas, na visão biblicamente influenciada de Dickens, este acto de amor e altruísmo significa o bem mais elevado de que a humanidade é capaz.

     Tanto Darwin como Dickens eram homens optimistas, mas de maneiras fundamentalmente diferentes. A visão de Darwin da perfeição futura seria meramente a de uma raça de seres física e mentalmente fortes. A esperança de Dickens era fundamentalmente a de uma sociedade moral, onde os doentes e fracos fossem cuidados, e não rejeitados para deixarem de ser um problema.

     Quando o aniversário dos 150 anos relativamente a estes dois livros chega ao fim, estamos num bom momento para compararmos a forma como estas visões do mundo radicalmente diferentes funcionaram na prática. Tudo o que temos que fazer é olhar para a evidência dos últimos 150 anos a fim de termos uma resposta clara quanto a qual foi verdadeira.

Charles Colson

Leia O Legado Letal de Darwin para perceber melhor esta questão

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