25-09-2020 - Falar ou cantar alto aumenta a possibilidade de transmissão do novo coronavírus

O aparecimento de surtos de Covid-19 em diferentes coros levantou a questão: quando se eleva muito o volume da voz está-se a propagar uma maior quantidade de partículas que podem conter o SARS-CoV-2? O Polígrafo falou com especialistas para perceber este fenómeno.
Um parque de diversões no Japão fez um pedido invulgar aos seus visitantes: não gritarem enquanto andam na montanha russa. Porquê? Para não espalhar o novo coronavírus. A tarefa pode parecer complicada, mas, para provar que é possível, dois responsáveis do espaço completaram todo o percurso sem se fazerem ouvir. Mas terá esta solicitação uma justificação científica?
“Quanto maior é o volume e a duração da vocalização, maior é o risco de transmissão”, assume ao Polígrafo Cátia Caneiras, representante da Comissão de Infeciologia Respiratória da Sociedade Portuguesa de Pneumologia. Uma opinião partilhada por Filipe Froes, pneumologista e coordenador do Gabinete de Crises da Ordem dos Médicos. “Em teoria, quando falamos mais alto ou cantamos, temos débitos expiratórios mais elevados”, explica. A conjugação deste fator “com a vibração do aparelho fonatório” permite que estejam criadas “condições para que as partículas que transportam o SARS-CoV-2 sejam mais pequenas”. O que quer dizer que “podem ficar suspensas mais tempo no ambiente e serem expelidas mais longe”



