Jesus ser Deus - a maior dificuldade de todas? (I)

Não tenhas dúvidas: Jesus é mesmo Deus

 

     A maior dificuldade que muitas pessoas encontram em contemplar a possibilidade de que o Novo Testamento possa ser verdadeiro é a sua alegação de que Jesus Cristo é mais do que humano, que ele é Deus encarnado. Certamente que, dizem elas, isso deve ser superstição, que surgiu porque as pessoas, no mundo antigo, acreditavam em muitos deuses e imaginavam que os deuses visitavam com bastante frequência a Terra sob a forma de seres humanos excepcionais.

     Bem, pode-se pensar dessa forma; mas os factos são completamente diferentes. Naturalmente, é verdade que todas as nações do mundo antigo acreditavam na existência de muitos deuses e que esses deuses visitavam a terra de vez em quando — isto é, todas as nações, exceto uma. E essa exceção única era a nação judaica, à qual os autores do Novo Testamento, quase sem exceção, pertenciam. Eles eram monoteístas estritos. Eles desprezavam as outras nações pelo seu politeísmo absurdo e por fazerem deuses de seus reis e heróis. Reivindicar honras divinas para qualquer um, além de Deus, o Criador, era uma blasfémia tão grave para eles que, de acordo com a sua lei, era punível com morte. Em suas devoções religiosas, em cada casa da sua terra, eles foram ensinados, durante séculos, a recitar diariamente como o princípio fundamental da sua fé: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Deuteronómio 6:4). Pessoas como essas nunca pensariam, por um momento, em crer que Jesus de Nazaré era mais do que humano, a menos que fossem obrigadas a fazê-lo pelo puro peso das evidências.

     A mais importante das evidências era o facto de que o próprio Jesus Cristo, por meio das Suas ações e das Suas implicações e, pela Suas declarações explícitas, alegou igualdade com Deus. Isso leva-me a confessar-lhe que uma das razões mais fortes que eu tenho para acreditar que Jesus é o Filho de Deus é simplesmente esta: Ele disse que era! Eu sei que isso soa completamente ingénuo; mas, antes que me dispense como um crédulo simplório, dê-me tempo para explicar o que quero dizer.

     Suponha que, um dia, eu decida que quero uma opinião sobre alguma questão relacionada com a música. Eu não deveria consultar qualquer pessoa. Eu não deveria, nem mesmo, consultar o meu vizinho ao lado: ele é um bom médico, mas não é nenhum músico. Não, eu deveria consultar os mais notáveis professores de música com os quais pudesse entrar em contacto. Se eu pudesse ressuscitar Bach ou Beethoven, eu consultá-los-ia, naturalmente.

     Agora, suponha que eu quisesse saber não sobre música, mas sobre moralidade. Mais uma vez, eu consultaria os especialistas de classificação mundial mais ilustre que eu pudesse encontrar. E isso levar-me-ia, naturalmente, a Jesus Cristo. Ninguém alguma vez ensinou uma moralidade mais elevada, mais pura. O Seu Sermão da Montanha continua um padrão insuperável. Verifique por si mesmo. Tente viver o Sermão da Montanha por uma semana!

     Mas, com isso, chego ao ponto que desejo. Quando, por meio do Novo Testamento, me coloco ao lado de Jesus de Nazaré, o Seu ensino sobre moralidade, a Sua santidade de vida, exponho-me a mim mesmo como o pecador que sou. Não preciso de nenhuma prova externa de que ele é verdadeiro neste nível; eu sei-o instintivamente no meu coração. Mas, depois, vem o facto notável: foi este Jesus Cristo, cujo ensino moral havia sido impecável e cuja vida condizia com o Seu ensinamento, que afirmou ser igual a Deus.

     O que eu devo fazer com Sua alegação, ou melhor, com o facto de ter sido Ele a alegar? Direi que o autor do Sermão da Montanha estava mentindo deliberadamente? Bem, se ele estava, então Ele foi o maior hipócrita, a mais desprezível fraude, o mais malvado impostor que já caminhou sobre a terra. Mas é impossível ler os Evangelhos atentamente e sair com a conclusão de que Jesus era uma fraude deliberada. Se duvida disso, leia os Evangelhos mais uma vez com essa questão em mente. Certamente é um bom julgador de caráter; tem de ser, para encontrar o seu caminho com segurança por este mundo. Exercite o seu julgamento em Jesus. Avalie a Sua personalidade como a encontra nos Evangelhos. Eu mais do que lhe sugiro a si que, de tudo aquilo que concluir sobre Ele, não concluirá que ele era uma fraude deliberada.

- David Gooding & John Lennox






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