Bíblia: Mito ou Verdade?

Manuscritos da Bíblia


     Na minha experiência, há diversas razões pelas quais as pessoas pensam que a Bíblia não pode e não deve ser acreditada. Uma razão que muitas pessoas alegam é a de que o Novo Testamento, durante os primeiros quinze séculos da sua existência, teve de ser copiado à mão; com todas as possibilidades de erros e de alterações que isso implica, não podemos ter a certeza, assim dizem eles, de que, quando o lemos agora, estamos a ler o que seus autores originais escreveram.

     Essa objeção geralmente é feita por pessoas que desconhecem o quão esmagadoramente forte é a evidência do texto original do Novo Testamento. Primeiramente, existe o grande número de manuscritos contendo parte ou a totalidade do Novo Testamento. Há mais de 5.000 deles. Embora, é claro, existam erros de cópia em todos os manuscritos — pois é praticamente impossível copiar um documento extenso à mão sem cometer alguns erros — não há dois manuscritos que contenham exatamente os mesmos erros. E, portanto, comparando todos estes manuscritos uns com os outros, é possível reconstruir o texto original a um ponto no qual menos de dois por cento seja incerto, com uma grande parte desses dois por cento envolvendo pequenas características linguísticas que não fazem diferença para o significado geral. Além disso, visto que nenhuma doutrina do Novo Testamento depende unicamente de um verso ou de uma passagem, nenhuma doutrina do Novo Testamento é colocada em dúvida por essas incertezas menores.

     Também, há a idade de alguns dos manuscritos do Novo Testamento. Uma parte substancial do Novo Testamento existe em um manuscrito que foi escrito por volta de 200 D.C., e o mais antigo manuscrito sobrevivente contendo todo o Novo Testamento foi escrito não muito, caso tenha sido, depois de 360 D.C. Veja o que isso implica. Tome o manuscrito que foi escrito por volta de 200 D.C. Ele, propriamente dito, tem quase 1.800 anos de idade. Quantos anos tinha o manuscrito do qual ele foi originalmente copiado? Não sabemos, é claro. Mas ele poderia facilmente ter 140 anos de idade; e, se tivesse, ele teria sido copiado quando muitos dos autores do Novo Testamento ainda estavam vivos.

     Uma comparação irá ajudar. Algumas das obras dos famosíssimos autores antigos Gregos e Latinos — e aqui eu falo como um estudante das antigas literaturas clássicas ao longo da vida — chegaram até nós em apenas alguns manuscritos tardios (isto é, do sétimo ao nono século). Contudo, nenhum estudioso clássico pensaria em questionar a sua validade como representações confiáveis daquilo que os autores originais escreveram. Comparada com isto, a evidência do texto do Novo Testamento é esmagadora. Podemos ter toda a confiança, então, de que, quando hoje lemos o Novo Testamento, temos aquilo que os seus autores originais pretenderam que tivéssemos. Se quiser examinar a evidência mais além, recomendo o livro do Prof. F. F. Bruce, Are the New Testament Documents Reliable? (São os Documentos do Novo Testamento Confiáveis?)

- David Gooding & John Lennox

 

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