Mendelssohn, Lincoln, e Darwin
Moldando o mundo modernoHá duzentos anos, três rapazes nasceram separados por dias de diferença, na Alemanha, Inglaterra, e Estados Unidos. Todos eles tornaram-se famosos e afectaram as vidas não apenas dos seus contemporâneos, mas de gerações futuras.
Um produziria grandes obras de arte e reavivaria o interesse nos tesouros artísticos há muito esquecidos. Um conduziria a sua nação a uma “nova liberdade” e pagaria com a sua vida. O terceiro seria responsável por uma ideia que, intencionalmente ou não, justificaria a pior crueldade e opressão que o mundo jamais viu.
Qual dos aniversários está a obter mais atenção? Certamente que o do terceiro.
Os três rapazes foram o compositor Felix Mendelssohn, nascido a 3 de Fevereiro de 1809, Abraham Lincoln e Charles Darwin, ambos nascidos a 12 de Fevereiro de 1809.
No seu tempo, Mendelssohn foi considerado uma espécie de segundo Mozart: uma criança prodígio que, numa vida igualmente de curta duração, sozinho, reanimou o interesse pela música de Johann Sebastian Bach.
Espero que não precise que lhe fale da importância de Abraham Lincoln. Ainda assim, a julgar pela forma como o 200º aniversário do seu nascimento está a ser coberto, talvez precise.
Por exemplo, a história de cobertura deste mês da revista Smithsonian propôs-se contar aos leitores “Como Lincoln e Darwin Moldaram o Mundo Moderno.” Segundo o artigo, Lincoln e Darwin deram “à luz” um novo mundo onde “as hierarquias da natureza e raça e classes que tinham governado o mundo” tinham sido, se não derrubadas, questionadas. Nesta explicação a "evolução" e a "emancipação" são cooperadoras nesta transformação.
O que diz das dezenas ou centenas de milhões de pessoas assassinadas no nome de ideologias que citaram a Origem das Espécies de Darwin como justificação para os seus actos? Os perpetradores dos gulags e dos campos de morte não cantarolaram “A Sinfonia da Reforma” ou recitaram o famoso Discurso de Gettysburg (sobre a Guerra Civil Americana) quando andavam empenhados nas suas tarefas bárbaras e perversas. Mas viram-se a actuar em concerto com as leis da natureza: especificamente, a natureza segundo Darwin e os seus acólitos.
Semelhantemente, “O Social Darwinismo,” longe de debilitar as “hierarquias das ... classes que governavam o mundo” foi empregue para justificar essas hierarquias.
Essas consequências sociais, a posteriori, são retratadas como corrupções dos pensamentos de Darwin. As ideias de Darwin, é-nos dito, é “humanismo em voo” e “suficientemente espaçoso para o amor ordinário respirar.”
Mas, como o escritor Peter Quinn documentou, isso é um disparate. Os próprios blocos de notas de Darwin tornam claro que ele antecipou a influência das suas ideias sobre “competição, comércio livre, imperialismo, extermínio racial, e desigualdade sexual.” Ele endossou as ideias do seu primo Francis Galton sobre eugenia (ciência que estuda as condições mais propícias à reprodução e melhoramento da raça humana).
Apesar disso, enquanto ainda debatemos se Lincoln era ele próprio um racista, pouca menção é feita às consequências sociais perniciosas do Darwinismo e menos até à sua cumplicidade nessas consequências.
Académicos inteligentes, seculares, argumentam sobre se Darwin estaria certo a respeito da origem das espécies. Contudo, o que eles não podem discordar com sensatez, é do impacto destrutivo que essas ideias tiveram numa espécie particular: o próprio homem.
Por isso quanto a mim, hoje celebrarei Lincoln.
No seu tempo, Mendelssohn foi considerado uma espécie de segundo Mozart: uma criança prodígio que, numa vida igualmente de curta duração, sozinho, reanimou o interesse pela música de Johann Sebastian Bach.
Espero que não precise que lhe fale da importância de Abraham Lincoln. Ainda assim, a julgar pela forma como o 200º aniversário do seu nascimento está a ser coberto, talvez precise.
Por exemplo, a história de cobertura deste mês da revista Smithsonian propôs-se contar aos leitores “Como Lincoln e Darwin Moldaram o Mundo Moderno.” Segundo o artigo, Lincoln e Darwin deram “à luz” um novo mundo onde “as hierarquias da natureza e raça e classes que tinham governado o mundo” tinham sido, se não derrubadas, questionadas. Nesta explicação a "evolução" e a "emancipação" são cooperadoras nesta transformação.
O que diz das dezenas ou centenas de milhões de pessoas assassinadas no nome de ideologias que citaram a Origem das Espécies de Darwin como justificação para os seus actos? Os perpetradores dos gulags e dos campos de morte não cantarolaram “A Sinfonia da Reforma” ou recitaram o famoso Discurso de Gettysburg (sobre a Guerra Civil Americana) quando andavam empenhados nas suas tarefas bárbaras e perversas. Mas viram-se a actuar em concerto com as leis da natureza: especificamente, a natureza segundo Darwin e os seus acólitos.
Semelhantemente, “O Social Darwinismo,” longe de debilitar as “hierarquias das ... classes que governavam o mundo” foi empregue para justificar essas hierarquias.
Essas consequências sociais, a posteriori, são retratadas como corrupções dos pensamentos de Darwin. As ideias de Darwin, é-nos dito, é “humanismo em voo” e “suficientemente espaçoso para o amor ordinário respirar.”
Mas, como o escritor Peter Quinn documentou, isso é um disparate. Os próprios blocos de notas de Darwin tornam claro que ele antecipou a influência das suas ideias sobre “competição, comércio livre, imperialismo, extermínio racial, e desigualdade sexual.” Ele endossou as ideias do seu primo Francis Galton sobre eugenia (ciência que estuda as condições mais propícias à reprodução e melhoramento da raça humana).
Apesar disso, enquanto ainda debatemos se Lincoln era ele próprio um racista, pouca menção é feita às consequências sociais perniciosas do Darwinismo e menos até à sua cumplicidade nessas consequências.
Académicos inteligentes, seculares, argumentam sobre se Darwin estaria certo a respeito da origem das espécies. Contudo, o que eles não podem discordar com sensatez, é do impacto destrutivo que essas ideias tiveram numa espécie particular: o próprio homem.
Por isso quanto a mim, hoje celebrarei Lincoln.
12 de Fevereiro de 2009
The Christian Post
Chuck Colson
The Christian Post
Chuck Colson