Quando George Beverly Shea se preparava para fazer 100 anos
Aos 99 anos de idade, George Beverly Shea ainda canta para o Senhor.
A colorida voz barítono-baixo de George Beverly “Bev” Shea, agora com 99 anos, foi durante 65 anos o rouxinol do Evangelho nas cruzadas de Billy Graham. Como suporte musical principal nas cruzadas de Graham, Shea tem sido muitas vezes chamado "o Querido Cantor do Evangelho da América.” Desde o começo do ministério de cruzadas de Graham, Shea e Cliff Barrows foram o núcleo da equipa musical das cruzadas. Barrows é o director de coro, o apresentador de plataforma, e director de programas de televisão e rádio.
E, por mais incrível que pareça com esta idade, Bev Shea, que nos trouxe mais de 70 álbuns de cânticos e hinos clássicos intemporais, lançou há cerca de dois anos o seu último CD. Chamado “Prefiro antes ter Jesus” (Word Records), é um tesouro de 20 cânticos que celebra a sua vida e ministério.Numa entrevista telefónica a partir de sua casa na Carolina do Norte, Bev falou da sua vida incrível como cantor de Billy Graham.
Mas ele começou com uma surpresa. Embora seja conhecido como o “Amado Cantor do Evangelho da América,” ele nasceu, de facto, no Canadá!
“Sim, nasci no Canadá; numa cidade chamada Winchester, Ontario, que fica a cerca de 50 kms de Ottawa, a capital do Canadá,” disse ele. “O meu pai foi pregador ali durante 20 anos tendo depois ido para Ottawa por mais 10 anos. Depois disso moveu-se para a área de Nova Iorque. Segui-o para lá quando tinha 20 e poucos anos.
“O seu ultimo pastorado foi em Syracuse, New York tendo decidido que seria melhor ir para o céu.”
Bev falou depois do seu tempo na Universidade de Houghton em Houghton, New York.
“A universidade fica próximo de Buffalo e Rochester e é uma excelente universidade,” disse ele.
Também revelou que foi a sua mãe que reconheceu primeiro o seu talento musical.
“Estou no meio de oito filhos e a minha mãe notou que eu não me conseguia afastar do piano,” disse ele. “Quando eu era muito jovem, antes que os outros se adiantassem, eu batia nas teclas do piano e isso levou-a a ensinar-me alguns acordes, como algumas pessoas fazem com a guitarra nos nossos dias. Tive lições por algum tempo, mas descobri que preferia antes desenvolver diferentes acordes em todas as diferentes teclas e tocar de ouvido. Não recomendo isso hoje às pessoas, mas eu ainda toco assim para a minha mulher e para meu próprio deleite de manhã e à noite.”
O seu primeiro encontro com Billy Graham
Depois falou do encontro com Billy Graham pela primeira vez.
“Oh, isso foi maravilhoso,” disse ele. “Nos anos 20 trabalhei durante 10 anos em New York no departamento médico da Companhia de Seguros Vida Mútua,” disse ele. “Durante esse tempo, conheci o Dr. Houghton, Pastor da Calvary Baptist Church, e ele ouviu-me cantar alguns cânticos. Depois ele foi para Chicago onde se tornou presidente do Instituto Bíblico Moody e voltámo-nos a encontrar numa Conferência Bíblica na Pennsylvania. Ele disse, ‘Já alguma vez consideraste cantar na Rádio Cristã?’. Eu disse-lhe que não sabia que isso fosse possível. Estávamos em 1939. Aceitei e fui para Chicago, ficando ali cinco anos e meio.
“Certa manhã, bateram à porta do meu escritório. Olhei e vislumbrei um jovem alto de cabelo loiro e apertámos as mãos. Ele tinha 21 anos e eu 31. Tratava-se de Billy Graham e ele tinha viajado de comboio da Universidade de Wheaton College apenas para dizer ‘olá.' Ele disse que escutava o meu programa de hinos matinais chamado ‘Hinos da Capela.’ Foi assim que nos conhecemos.
“Fui trabalhar com Billy Graham em 1947 depois de termos trocado cartas e falado pelo telefone. Ele disse que queria que eu fosse o seu cantor do Evangelho. Agradeci-lhe, mas disse-lhe que os únicos cantores do Evangelho que eu tinha ouvido cantar cantavam um verso ou dois e interrompiam e depois falavam. ‘Terei de fazer isso?’, perguntei-lhe. Ele riu-se e disse, ‘Espero que não.’ Nesse caso, disse, ‘Bem, gostaria de ir contigo. Isto foi em Novembro de 1947 e fiquei com ele desde então, até hoje.” Bev disse que as suas primeiras reuniões com Billy Graham ocorreram no Antigo Arsenal em Charlotte, Carolina do Norte.
Quando lhe foi perguntado se se lembrava do que cantara na primeira noite, ele respondeu, “Sim, recordo-me. Cantei ‘Cantarei A Maravilhosa História’, o velho hino de congregação. Lembro-me que alguém na audiência informou a mãe de Billy Graham e ela escreveu-me uma nota em que dizia, ‘Sempre que vieres cá, canta novamente, por favor, esse hino’”.
Memórias da Cruzada de 1949 em Los Angeles Bev Shea falou depois das suas memórias da histórica cruzada da “Grande tenda” em Los Angeles Billy, que lançou o jovem evangelista na ribalta internacional.
“Sim, tínhamos essas tendas na esquina das Ruas Washington e Hill,” disse ele. “Era suposto estarmos ali durante três semanas, mas o Senhor moveu-se poderosamente e diferentes pessoas vieram ao Senhor, como Stuart Hamblen, que escreveu, ‘Não É Segredo’ e ‘Esta Velha casa.’ Por causa do que estava a acontecer, o comité local pediu a Billy Graham que continuasse, e assim ficámos ali 8 semanas.”
Ao ser-lhe pedido para se recordar como é que este acontecimento foi um ponto de viragem para Billy Graham, disse:
“Bem, certamente que aconteceu quando William Randolph Hearst disse ao seu staff para ‘Orarem por Graham.’ Isso aconteceu, e nós vimos cada vez mais pessoas a virem às reuniões depois disso.”
Como Stuart Hamblen escreveu “Não É Segredo…”
Bev depois partilhou como é que Hamblen escreveu 'Não é segredo.'
“O que aconteceu foi que Stuart Hamblen tinha aceite Cristo nas reuniões de Los Angeles e ele tinha contracenado em alguns filmes com John Wayne,” disse Bev. “Um dia, John Wayne andava por Hollywood Boulevard e os dois encontraram-se. John Wayne tinha lido da conversão de Stuart e perguntou-lhe, ‘O que é isto que ouço de ti, Stuart, de ires às reuniões do Sr. Graham?’ Eles falaram um pouco e Stuart disse-lhe, ‘Não é segredo o que Deus fez por mim. Se ele o fez por mim, pode fazê-lo por qualquer um.’ E a estrela de cinema disse, ‘Isso a mim soa-me a música.' Não tenho a certeza se isto é verdade ou não. E foi assim que Stuart Hamblen sentou-se diante do seu órgão Hammond em casa e escreveu este maravilhoso cântico que eu ainda canto hoje nas reuniões de Billy Graham."
Em 1954 ele cantou a 120,000 pessoas no estádio de Wembley em Londres. Ao ser-lhe pedido que se recordasse daqueles tempos no Reino Unido, disse:
“A arena de Harringay acomodava 12,000 pessoas sentadas e estava cheia todas as noites,” começou por nos dizer. “E então alguém teve a ideia de levar as reuniões para outras partes do Reino Unido. Durante a Guerra, eles tinham linhas telefónicas extra e alguém viu aquelas linhas extra desocupadas e utilizou-as num circuito. E assim, numa só noite tivemos umas 50 áreas ligadas a Harringay. Escutavam em igrejas, auditórios no País de Gales e Escócia, e Irlanda. Foi maravilhoso!”
Winston Churchill
Eu tinha curiosidade em saber se Bev Shea alguma vez tinha estado com Winston Churchill durante as suas visitas à Grã-Bretanha.
“Nunca o encontrei pessoalmente"
A Rainha Mãe
Depois falou de uma experiência com a Rainha Mãe. “Nunca a voltei a encontrar até ela falecer há um par de anos,” disse Bev. “Mas nos anos 50, quando ela como Rainha e o Rei George VI decidiram visitar Washington, DC, A Srª. Roosevelt ofereceu-lhes uma recepção na Casa Branca. Nessa noite houve algum entretenimento. Eles tinham um Chefe Pena Branca, um Índio que era cantor de ópera. Ele cantou duas árias e depois, quando a audiência queria mais, ele disse, ‘Posso cantar algo do meu coração?’ e cantou, ‘Prefiro Antes Jesus,’ o cântico de que tive o privilégio de escrever a música, mas não as palavras, que foram escritas por Rhea Miller. Depois de ele ter cantado este cântico, a Rainha olhou para ele e disse, ‘Esse cântico revela o sentimento do meu coração e o do meu marido.’ Não é lindo?”
Richard Nixon
Bev Shea falou depois dos seus encontros com Richard Nixon que em 1957 assistiu à Cruzada de New York no Estádio Yankee.
“Ele veio numa noite muito quente; tínhamos lá cerca de 90,000 pessoas,” disse ele.
Depois perguntei-lhe se alguma vez ele tinha cantado para Nixon na Casa Branca depois dele ser Presidente. “Sim, cantei,” respondeu. “Foi na Sala Este e Billy Graham falou no primeiro culto que ele realizou ali. Nixon decidiu realizar cultos todos os domingos de manhã e nem toda a gente concordou com a ideia, mas ele gostava que assim fosse. Vieram Congressistas e outros, e eu cantei, ‘Quão Grande És Tu.’ Depois tomámos o pequeno-almoço no piso superior. Sendo um Canadiano pensei tartar-se de algo importante.”
“Depois, Nixon sentou-se diante dum velho piano Steinway e começou a tocar e a cantar, ‘Ele sustentar-me-á, pois o meu Salvador ama-me, por isso sustentar-me-á’. Indaguei sobre onde ele teria ouvido aquela música. Soube depois que quando ele tinha treze ou catorze anos de idade ele foi às reuniões de Paul Rader em Los Angeles e essa era a música que o coro cantava todas as noites.”
Hinos favoritos
Pedi depois a Beverly Shea que me dissesse o nome de alguns dos seus hinos favoritos.
“Nunca me canso de ‘Quão Grande És Tu,’” disse ele. “Parece que o tenho cantado muitas vezes mas as palavras são quase como as Escrituras – tu sabes. E há outros de que gosto quando me assento diante do meu órgão que eu tenho aqui em casa ou ao piano. Canto muitas vezes, ‘Vi Alguém Suspenso Num Madeiro…’ e também ‘E pode ser…’ E depois ‘Grande É A Tua Fidelidade’ é outro que gosto muito. Conheci o homem que escreveu a música deste hino. O seu nome era William Runyan e trabalhava no Instituto Bíblico Moody.
Livro Guiness de Recordes do Mundo
Bev Shea revelou depois que foi distinguido pelo Livro Guinesse dos Recordes do Mundo por ter cantado diante de mais de 220 milhões de pessoas – mais do que alguém na história.
“Enviaram-me um certificado que a minha mulher, Karlene, emoldurou e colocou numa parede em minha casa,” disse ele. “A verdade é que eles não vinham ouvir-me; vinham ouvir Billy Graham.”
“Sim, mas eles também o vinham ouvir a si!”, foi-lhe dito.
Saúde
Bev sofreu um ataque de coração em 2004. Ele falou da sua hospitalização no mesmo hospital onde Billy Graham estava também a ser tratado. , “Escrevi-lhe uma pequena nota que dizia, ‘Não gosto de te deixar aqui, mas eles dizem que já posso ir para casa.’”
Quando interrogado sobre como é que ele descrevia o seu amigo, Billy Graham, ele respondeu, “Se ele nunca tivesse encontrado o Senhor, ele ainda assim teria sido um cavalheiro. Mas ele encontrou o Senhor, e Ele transformou a sua vida de forma maravilhosíssima numa idade muito jovem, tendo-lhe dado aquele grande dom de interpretar a Sua Palavra e apresentá-la em rede.”
Ele disse o que significava com “apresentar em rede” o convite para receber Cristo no fim de cada reunião.
“Quando me assento na plataforma e oro, de vez em quando espreito e vejo-os vir às centenas,” disse ele. “Quão electrizante isso é. E o seu filho, Franklin, está a ser abençoado e a fá-lo igualmente muito bem. Ele é um verdadeiro pregador. Eu fui a Mobile, Alabama, com a minha mulher e ele quis que eu cantasse algumas músicas. Também o fizemos em New Orleans com Billy e Cliff Barrows.”
Karlene Shea
Depois perguntei-lhe como é que ele conheceu a sua presente mulher, Karlene.
“Têm sido vinte anos de bênção,” disse ele. “Eu vivia num subúrbio de Chigago, como viúvo há 10 anos, e isso é muito tempo. Quando em 1984 estivemos na Coreia, Billy levou-me ao quarto dele e disse-me, ‘Falei esta manhã com a minha mulher Rute pelo telefone em Montreat e pensamos que 10 anos de viuvez bastam, e ele mencionou o nome de Karlene.” Ele estava certo, e Bev e Karlene casaram-se em Montreat, Carolina do Norte.
“Billy Graham não conduziu a cerimónia,” disse Bev. “Foi o pastor da nossa igreja; ele foi a casa de Billy e casámo-nos lá.”
Que exemplo eles são para os que pensam em reformar-se aos 65 anos!