O preconceito

Billy Graham     O vocábulo preconceito significa avaliar antes, ou "avaliar os outros sem pleno conhecimento dos factos." O preconceito é sinal de fraqueza e nunca de força; é instrumento do fanático, mas nunca do verdadeiro Cristão. Constitui um dos maiores problemas deste século, já em si tão complexo. E é problema que se avoluma à medida em que o homem moderno se afasta do caminho da misericórdia e compreensão Cristã, e se lança pela vereda escura da intolerância e da intriga. 

     Markham referiu-se ao prevalecente paganismo isolacionista do passado, quando disse: 

 

     "Um círculo traçou, e ele assim me excluiu, 
     Como um rebelde e herege, o inferno a merecer; 
     Porém o amor e eu tínhamos que vencer: 
     Traçamos um maior, e este a ele incluiu." 

     Mede-se o preconceito, computando-se a distância que vai entre as nossas opiniões preconcebidas e a verdade real. Se queremos todos ser perfeitamente honestos diante de Deus, não podemos alimentar preconceitos. Mas, como a maior parte de nós por natureza temos espíritos preconcebidos e corações pervertidos, o preconceito tem-se espalhado por todo o mundo. 

     Eduardo R. Murrow disse certa vez: "Não existe repórter objetivo ou imparcial. Todos somos escravos do meio em que vivemos." 
 
     Todos nós temos nossas tendências, inclinações e preconceitos. Apesar dos nossos aperfeiçoados sistemas educativos, os nossos preconceitos avolumaram-se nos últimos anos, e, por isso, podemos concluir que a educação não é o remédio para debelar todos os preconceitos. 
 
     O grande Carlos Lamb disse certa ocasião: "Sou, em palavras bem claras, um feixe de preconceitos, todo feito de simpatias e antipatias." 
 
     O preconceito é uma forma de roubo, pois que rouba à vítima dele o direito de se defender à barra do tribunal da razão. É também homicídio, pelo facto de tirar daqueles que se enchem de preconceitos a oportunidade de progredir e avançar. 
 
     Jesus pôs o dedo justamente na chaga quando disse: "E por que vês o argueiro no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu olho?" (Mateus 7:3). Também Ele nos dá uma regra específica para conjurar de vez o preconceito: "Não julgueis, para que não sejais julgados" (Mateus 7:1). 
 
     O maior dos males sociais do mundo dos nossos dias é o preconceito que muitas vezes tem por base a nossa própria ignorância. Posso afirmar sem medo de errar, que nunca teríamos preconceitos contra alguém se tivéssemos em mãos todos os factos. Somos muito prontos a julgar e a denunciar aquilo que não entendemos, não conhecemos ou não experimentamos. 
 
     Mas, como podemos deixar de praticar esse grave crime? Só por um meio: pelo renascimento espiritual. O preconceito, a intolerância e o fanatismo devem ceder lugar à justiça, à humildade e à misericórdia. E isso só se dá quando houver uma real infusão do poder de Deus. Todos os cientistas nucleares do mundo – conquanto hajam aprendido a esmagar o átomo – não aprenderam ainda a esmagar o preconceito. Todos os educadores deste século não conseguem extirpar da alma humana "a raiz da amargura". É uma operação que só Deus pode realizar. 
 
     Ouçamos as palavras de Saulo de Tarso, que neste mundo fora uma das maiores vítimas do preconceito: "O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece ... não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (I Coríntios 13:4-7). 
 
     Aquilo que a lógica da Grécia não conseguira dar a Saulo, a graça de Deus conseguira. O que a cultura dos romanos por ele não fizera, a graça de Deus lhe concedera. Depois de sua experiência na estrada de Damasco, os velhos preconceitos derreteram-se. A misericórdia tornou-se a palavra chave da sua prédica, o tema das suas Cartas, e o padrão da sua conduta. "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo" (Romanos 12:1) era o espírito das suas exortações. Havendo experimentado pessoalmente a misericórdia, Paulo tornou-se num dos intérpretes ou executantes da misericórdia. Tendo sido libertado dos seus preconceitos, ansiava para que todos se livrassem também do destruidor poder de ideias preconcebidas. 
 
     Como podemos nos abrasar e endurecer ao ponto de sustentar preconceitos contra esta ou aquela pessoa, quando Deus em Sua imensa compaixão tem sido tão misericordioso para connosco?!
 

Billy Graham

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