Mansidão inclui domesticação

Billy Graham     “Bem-aventurados os mansos” (Mat. 5:5).

     O cavalo domesticado contribui muito mais para a vida do que um burro indomável. A energia sem controlo é perigosa; mas, controlada, é coisa útil e poderosa.

     Deus não nos disciplina com o propósito de nos submeter, mas para nos condicionar para uma vida de utilidade e bem-aventurança. Na Sua infinita sabedoria sabe Ele que uma vida descontrolada é vida infeliz; e, por essa razão põe rédeas à nossa alma obstinada a fim de dirigi-la nos "caminhos da retidão". É isso o que Deus procura fazer connosco: amansar-nos, domesticar-nos, para que obedeçamos a controlo apropriado. Ele realiza no reinado espiritual aquilo que a ciência faz no mundo físico. A ciência apanha a violenta turbulência dum Rio Niágara e transforma-a em energia elétrica que ilumina um milhão de lares e movimenta as produtivas rodas da indústria. 

     Deus apanhou Pedro – um zelote, um político faccioso e reacionário de seus dias – e dirigiu a energia dele e o seu tremendo entusiasmo para propósitos bem mais elevados. E sabemos que Pedro ajudou a promover um movimento que remodelou o mundo. 
 
     Tomou a Mateus – um político manhoso e melífluo, que conhecia suficientemente bem as artimanhas políticas a ponto de se escapulir das malhas em que poderia se ver apanhado – e, colocando-lhe o freio da graça, fez dele um poderoso vaso de bênçãos. 
 
     Deus empreendeu domesticar ou domar a cada um dos discípulos. Domar não quer dizer privar alguém de seus poderes e energias, e sim dar-lhes nova direção. 
 
     Temos génio violento? Não somos os únicos, não. Inúmeras pessoas zangam-se facilmente, e nem todos têm o mesmo grau de paciência para suportar os outros. Deus não quer que desistamos do nosso génio. Mas diz-nos que, se queremos ser felizes, precisamos controlar o nosso génio e canalizá-lo para coisas úteis e edificantes. Deus não pode usar tão bem uma pessoa de génio descontrolado como pode usar uma pessoa que sujeita o seu génio. Existem muitos crentes professos que jamais se enervam ou nunca se entusiasmam por nada: não verberam a injustiça, nem combatem a corrupção das elites, nem o comércio pagão e ganancioso que explora o corpo e a alma de criaturas humanas. 
 
     Temos um ego – a consciência de sermos um indivíduo? Sim, temos. Mas isso não quer dizer que nos devamos adorar e servir a nós mesmos, nem pensarmos só e sempre em nós mesmos, nem vivermos inteiramente para nós. O senso comum diz que seremos infelizes, se seguirmos esse caminho. Deus está infinitamente mais interessado pela sua felicidade do que pensa. Ele diz: "Negue-se a si mesmo, e siga-Me." 
 
     Há muitas pessoas hoje que vivem em sanatórios de alienados, porque faziam ideia muito elevada de si mesmas, e que pensavam demasiado em si mesmas, deixando de pensar em Deus e nos seus semelhantes. Hipocondríacos que viviam dia a dia ansiosos em demasia pela sua saúde, e que por isso mesmo nunca se sentiam com boa saúde. 
 
     Nós temos língua e voz. Tais instrumentos podem ser usados para destruir e também para construir. Podemos usar a língua para mentir, caluniar, irritar, censurar, aborrecer e brigar. Mas podemos também colocá-la ao serviço de Deus, deixar que seja dirigida pelo Espírito de Deus, e fazer dela um instrumento de bênção e louvor. 
 
     A versão do século vinte, da passagem de Tiago 3:3, diz o seguinte: "Ora, se pomos freios na boca dos cavalos, para que nos obedeçam, então conseguimos dirigir todo o seu corpo." Assim também quando submetemos a nossa vida ao controle e exigências de Cristo, toda a nossa natureza indomesticada é dirigida por Ele. Então tornamo-nos mansos, dóceis e "preparados para o serviço do Senhor".

Billy Graham

 

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