Jó e os seus amigos (parte 1)
O livro de Jó ocupa um lugar muito particular na Palavra de Deus. Ele tem um caráter totalmente próprio, e ensina lições que não vamos achar em nenhuma outra parte do inspirado Volume. Não é o nosso propósito abordar a questão da autenticidade deste precioso livro nem apontar as provas da sua divina inspiração. Estas coisas temos por certas; e não temos a menor dúvida quanto à sua veracidade, porquanto deixamos tais provas em mãos mais capazes. Recebemos o livro de Jó como parte das Sagradas Escrituras e, portanto, para proveito e bênção do povo de Deus. Não precisamos de provas para nós, nem pretendemos oferecer nenhuma delas aos nossos leitores.
E cabe adicionar que não temos o propósito de entrar em investigações a respeito da autoria deste livro, tema que, por muito interessante que seja, cremos se tratar de um assunto puramente secundário. Recebemos o livro como procedente de Deus, e isto nos basta. Cremos de todo coração que é um escrito inspirado, e sentimos que não nos incumbe discutira questão referente a onde, quando e por quem foi escrito. Resumindo, nos propomos, com a ajuda do Senhor, a oferecer ao leitor alguns pensamentos simples e práticos sobre este livro, o qual cremos requerer um estudo mais profundo para poder ser melhor compreendido. Queira o Espírito eterno — o Autor do livro— explicá-lo e aplicá-lo às nossas almas!
Prosperidade de Jó
Na primeira folha deste notável livro vemos o patriarca Jó rodeado de tudo quanto podia fazer o mundo agradável aos seus olhos, assim como de coisas que podiam outorgar-lhe uma posição importante neste mundo. "Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e este era homem sincero, reto e temente a Deus, e desviava-se do mal" (1:1). Vemos aqui o que era Jó em sua vida. Vejamos agora o que ele tinha.
"E nasceram-lhe sete filhos e três filhas. E era o seu gado sete mil ovelhas, e três mil camelos, e quinhentas juntas de bois, e quinhentas jumentas; era também muitíssima a gente ao seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do oriente. E iam seus filhos, e faziam banquetes em casa de cada um, no seu dia; e enviavam, e convidavam as suas três irmãs a comerem e beberem com eles" (1:2-4). Por último, para completar o quadro, se nos apresenta o que Jó fazia.
"Sucedeu, pois, que, tendo decorrido o turno de dias dos seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos, segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos e blasfemaram de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó, continuamente" (1:5). Aqui temos, então, um modelo de homem bastante fora do comum. Era perfeito e reto, temeroso de Deus e apartado do mal. Além disso, a mão de Deus o protegia em tudo, e derramava sobre seu caminho as mais ricas bênçãos. Jó tinha tudo o que o coração poderia desejar: filhos, abundância de bens materiais, honra e distinção sobre todos os que o cercavam. Em poucas palavras, podemos quase dizer que a copa do seu deleite terreno estava cheia.
(Continua)
- C. H. Mackintosh



