Uma palavra aos pregadores (2)

Carlos M. Oliveira     O pregador profissional – e há muitos nestes dias - é a maior ameaça à igreja visível, e um claro bloqueio ao avanço do Evangelho. Pregadores assim nunca pregam contra os pecados das pessoas. Pelo contrário, chegam mesmo a encorajar as pessoas nas suas loucuras, chegando até a ilustrar os maus exemplos com as suas próprias vidas.

     Nenhum homem tem o direito de estar no ministério como profissão. Cabeleireiro, professor, canalizador, corretor, economista, enfermeiro, engenheiro, jornalista, médico, pescador, agricultor, sociólogo, taxista, tradutor, advogado, etc. etc., pode ser considerado profissão, e nestas áreas homens naturais podem ser bem-sucedidos, porém o ministério Cristão é para homens que são espirituais e que têm uma clara chamada de Deus. Ao lermos bem as epístolas de Paulo ficamos logo convencidos que o ministério na Igreja Corpo de Cristo não é um meio ou modo de vida, nem visa dar ao homem uma melhor posição social segundo o uso comum da expressão, aceite pela generalidade das pessoas.

     O pregador segundo Deus é decididamente um homem espiritual que sente no seu coração o “Ai de mim se não pregar o Evangelho”. E ao pregar o Evangelho, suporta financeiramente “tudo, para não” pôr “impedimento algum ao Evangelho de Cristo” e trabalha arduamente “para não ser pesado a nenhum” crente, ainda que pudesse usufruir desse direito e autoridade (1 Co 9:16,12; 1 Ts 2:8,9; 3:8,9). Se este teste fosse rigorosa e fielmente aplicado ao ministério da atualidade ficar-mos-íamos com menos, mas melhores ministros.

     Quando o ministério se torna numa mera profissão, a igreja deriva para a formalidade e o mundo irrompe em pecado e infidelidade. Multidões estão do lado de fora da igreja por causa das condições reinantes no seu interior. A atual condição do mundo é, em grande medida, resultado da perda de testemunho da igreja, especialmente dos seus ministros – e … não somente dos profissionais atrás referidos.

     Oh, que a Igreja se evidencie mais uma vez nos seus ensinamentos sobre a depravação do homem e a eficácia do precioso sangue de Jesus Cristo para perdoar, purificar e fortalecer; que a sua chamada para se separar do mundo, da carne e do diabo, a deixe uma vez mais disposta a morrer pelas suas convicções, e mais uma vez imponha o respeito e cause terror nos corações dos malfeitores, levando multidões a converterem-se ao Senhor.

     Quando o diabo não conseguiu silenciar o testemunho da Igreja através da perseguição, então ele virou-se para o patrocínio e conseguiu os seus intentos. Nem Cristo, nem os verdadeiros Cristãos precisam de, ou buscam, patrocínio. Tal é uma ofensa para eles. Eles não o desejam mais do que desejaram os primeiros apóstolos. Precisamos de uma nova geração de pregadores que, como, entre outros, Savonarola, Lutero, Knox, Wesley, Whitefield e Jonathan Edwards, pregaram implacavelmente, não poupando nada nem ninguém. Homens que não temeram nem reis, nem papas, nem demónios; homens que estavam tão seguros do seu Deus, e que viviam tão constante e conscientemente na Sua presença, que a sua palavra era poderosa, confundindo os malfeitores e conduzindo muitos à fé.

- C. M. O. 
(Continua)

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