Deus dá o crescimento

josefontoura.jpg     Extracto dum sermão para obreiros, feito pelo célebre príncipe Bernardotte, da Suécia, que, para servir o Senhor, renunciou o direito à coroa.

     «Como a terra produz os seus renovos, e como o horto faz brotar o que nele se semeia, assim o Senhor Jeová fará brotar a justiça e o louvor para todas as nações» — Isa. 61:11.

     «Neste versículo fala Deus de um horto. Trata-se duma descrição do reino de Deus, uma ilustração de como aumenta o reino de Deus, tanto no mundo pagão como na pátria ...

     Não interessa qual seja a natureza dos obreiros do reino, no Horto. Penso especialmente em três qualidades que desejamos ver num bom obreiro.

     Em primeiro lugar é preciso que seja fiel, de sorte que seja igualmente honrado e diligente em seu trabalho tanto quando alguém o veja como quando ninguém o vê. Pode-se depender de um fiel obreiro em todas as circunstâncias. No trabalho para o reino de Deus só há um Mestre e Ele ama os obreiros fiéis. O que é igualmente tão consciencioso e diligente quando está só lá longe no meio dos pagãos, como quando está aqui no meio da multidão contemplado por muitos olhos, este é um bom obreiro.

     Em segundo lugar, os obreiros devem ser dóceis, prontos a aprender de seu Mestre, dispostos a permanecer na Sua escola não só por algum tempo, os primeiros anos, mas sempre. Nesta escola não se distribuem diplomas quando termina o curso. O estudo continua por toda a vida, e o que é verdadeiramente dócil, pronto a aprender do Mestre celeste, resulta num bom obreiro.

     Finalmente, requerem-se obreiros humildes, pessoas que não só se humilham diante de Deus mas diante dos homens, dispostos a empreender trabalhos ainda dos mais humildes.

     Precisamente necessita Deus obreiros tais que realmente queiram humilhar-se profundamente. Recordamo-nos do que disse o Senhor aos Seus discípulos em Marcos 10: «Qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; e qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro será servo de todos». Deus quer levar até este ponto os que toma para Seu serviço. Deseja que estejamos verdadeiramente contentes em servir a nossos irmãos. Obreiros que ocupem o seu próprio lugar ante Deus e os homens, é que se requerem tanto entre os pagãos como aqui entre nós. Os que querem ser os primeiros sejam os servos de todos.

     Porém à verdadeira disposição de servo pertence também a abnegação, a prontidão em sacrificar-se a si mesmo, em sacrificar os desejos próprios, e o próprio eu, que de boa vontade se coloque entre os irmãos em segunda, terceira ou quarta fila, e que não diga sempre: «Assim penso eu: o que pensa e faz ele ou ela não é bom». A verdadeira disposição de abnegação e de humildade coloca, voluntariamente, o próprio eu sobre o altar do Senhor. Na vida social diária, no trabalho, na vocação terrestre, se manifesta claramente se o crente está disposto a colocar-se neste terreno.

     Permita-se-me aclarar isto com uma ilustração. Quando o general e herói da liberdade, Garibaldi, preparava as suas hostes para empreender a redenção da Itália e chamou voluntários às bandeiras, concorreram grandes multidões. Entre tantos se apresentou um grupo de jovens ao general, perguntando:

     - Qual será a nossa recompensa se vos servirmos?

     Contestou Garibaidi:

     - Prometo-vos que encontrareis dificuldades, fadigas, enfermidades, e, talvez, a morte. Porém se vencermos, prometo-vos uma Itália livre.

     Consultaram-se entre si um momento os jovens e voltaram depois, dizendo:

     - Senhor general, estamos à sua disposição.

     Garibaidi disse:

     — Já vencemos!

     Porém nós, que temos assentado praça no grande exército do Senhor e queremos pelejar a boa peleja, não nos acharemos à mercê de tal condição? Sabemos positivamente que nosso Senhor Jesus Cristo vencerá. E quando tiver sucedido isto, quando Ele tiver vencido e tivermos vencido nós, veremos um povo livre, livre do poder de Satanás, livre das cadeias do pecado, pois isto o tem prometido Ele mesmo na Sua Palavra.»

Traduzido do espanhol por J. Fontoura
Alimento Espiritual, 1950, VIII Volume

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