Uma consciência limpa
Com o conhecimento do bem e do mal o homem entrou na posse da consciência. Um sentimento de vergonha e de merecimento de desprezo feriu-o quando ele perpetrou, ou contemplou a perpetração do mal. Isto tem sido sempre assim desde então. A Bíblia diz-nos que mesmo os mais ímpios e ignorantes pagãos “… mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os” (Rom. 2:15).
É verdade que a consciência de uma pessoa pode ser violada tantas vezes que se torna endurecida, insensível ou, como diz Paulo: “cauterizada” (1 Tim. 4:2), mas podem ocorrer eventos ou incidentes que subitamente despertam a consciência e a tornam novamente sensível. Muitas pessoas têm cedido tão desenfreadamente aos “prazeres do pecado” que, de repente, o seu pecado as apanha e a sua consciência as alcança com ele para as condenar, dia e noite, e tornar-lhes a própria vida insustentável.
A Bíblia ensina que todos os homens fora de Cristo estão, em algum grau, perturbados por consciências culpadas e certamente que a maior parte deles estão “com medo da morte … por toda a vida sujeitos à servidão” (Heb. 2:5). Mas também ensina que “Cristo morreu pelos nossos pecados” de modo a, tendo sido pago o nosso castigo, podermos ser libertos de uma consciência culpada.
As obras e cerimónias da Lei Mosaica nunca puderam cumprir isto, mas os crentes sinceros e inteligentes em Cristo, tendo sido “purificados … nunca mais [têm] consciência de pecado” (Heb. 9:14; 10:1,2). Eles estão, de facto, conscientes dos seus pecados, mas não são mais torturados por uma consciência que condena permanentemente, pois sabem que o castigo de todos os seus pecados, do berço ao caixão, foi plenamente satisfeito por Cristo no Calvário.
Isto não implica que mesmo um crente sincero não possa ser atribulado por ofender Aquele que pagou pelos Seus pecados, mas ele sabe que o juízo destes pecados é passado. Assim ele procura, seriamente, como Paulo, “ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens” (Actos 24:16).
Cornelius R. Stam



