Os Doze Discípulos

Os 12 discípulos     Uma comparação das várias listas de nomes dos discípulos e as lições que podemos tirar delas. Originalmente publicado nos primeiros números da revista "O Caminho".

     Bem cedo no Seu ministério público, o Senhor Jesus chamou a Si os Seus discípulos, e dentre eles escolheu doze, aos quais deu o nome de apóstolos.
     Comparando as várias listas dos seus nomes, descobrimos lições que são tão interessantes quanto importantes. Que possamos aprendê-las e pô-las em prática.

     Existem quatro das referidas listas no Novo Testamento, a saber: Mateus cap. 10, Marcos cap. 3, Lucas cap. 6 e Actos cap. 1 (embora a de Actos contenha apenas onze nomes, omitindo o de Judas Iscariotes, por ele não pertencer mais ao número dos doze). A ordem em que os nomes são apresentados não varia muito, mas as modificações que se verificam são realmente significantes e sugestivas. Havemos de considerar este facto em estudos futuros ao examinarmos o carácter de cada discípulo.

     O nome de Pedro ocupa o primeiro lugar em todas as listas, enquanto a última posição está sempre reservada a Judas Iscariotes (excepto na lista de Actos cap. 1, pela razão já mencionada). Isto é sugestivo: as listas começam com aquele que negou a Cristo, e terminam com aquele que O traiu. O verdadeiro crente, Pedro, tropeçou, mas levantou-se outra vez, mantendo a sua posição entre os discípulos; Judas, porém, o falso, caiu para nunca mais voltar.

     O melhor crente está sujeito a tropeçar, pois ainda possui a natureza adâmica, mas a diferença entre aquele que é nascido de novo e aquele que tem apenas o nome de que vive manifesta- se logo. Se o crente verdadeiro tropeçar, levantar-se-á; o mero professo, porém, desmentirá a sua profissão.

     É interessante notar como o número três se destaca nestas listas.

     • Embora elas sejam quatro, e apareçam em quatro livros do Novo Testamento, os seus escritores são apenas três (Lucas escreveu duas).

     • Os doze apóstolos dividem-se em três grupos, cada qual contendo quatro nomes. Embora haja modificações nas posições ocupadas por alguns dos discípulos, nenhum deles deixa o seu grupo. Cada grupo é sempre liderado pelo mesmo nome:

        1º grupo: liderado por Pedro;

        2º grupo: liderado por Filipe;

        3º grupo: liderado por Tiago de Alfeu.

     • Notemos também que o Senhor deu sobrenomes a três dos discípulos: Simão, a quem pôs o nome de Pedro; Tiago e João, aos quais pôs o nome de Boanerges.

     • Entre os doze, três foram escolhidos para ocupar um lugar de especial intimidade com o Senhor: Pedro, Tiago e João.

     • Outro fato interessante é que as ocasiões em que estes três desfrutaram deste privilégio também foram três:

        1) Na casa de Jairo. Não foi permitido aos outros discípulos presenciarem a ressurreição da menina;

        2) No monte da Transfiguração. Somente estes três viram a Sua glória quando Ele se transfigurou;

        3) No Jardim de Getsêmani. Oito discípulos foram deixados para trás, enquanto somente os três acompanharam o Senhor mais um pouco.

     As três ocasiões são sugestivas: ressurreição, glorificação e sofrimento. Antes de verem as agonias do jardim, os três presenciaram uma manifestação do poder de Cristo na casa de Jairo, e contemplaram a beleza da Sua majestade lá no monte. Notamos algo semelhante no Salmo 23, onde por duas vezes lemos que o Senhor nos guia. Primeiramente Ele guia-nos às águas tranquilas, e depois, dirige os nossos passos pelas veredas da justiça. Quão misericordioso e compassivo é o nosso Deus! “Ele conhece a nossa estrutura; lembra-Se de que somos pó” (Salmo 103:14).

     • Há três pares com o mesmo nome:

        1) Simão: Pedro e Zelote;

        2) Tiago: de Zebedeu e de Alfeu;

        3) Judas: de Tiago e Iscariotes.

     • Também há três pares de irmãos:

        1) Pedro e André;

        2) Tiago e João;

        3) Tiago de Alfeu e Judas (não o Iscariotes).

     • Se pensarmos na sua vocação, veremos que houve três etapas nelas:

        1) Salvação — João cap. 1;

        2) Discipulado — Marcos cap. 1;

        3) Apostolado — Lucas cap. 6.

     Irmãos, se já possuímos a salvação, não nos esqueçamos da segunda parte. Somos salvos para servir. Fomos comprados por bom preço, de sorte que não nos pertencemos a nós mesmos. Tomemos, pois, sobre nós o Seu jugo, e aprendamos d’Ele como verdadeiros discípulos.

     A palavra “apóstolo” significa “enviado”, e cada pessoa salva é mais do que discípulo; é um enviado. O próprio Salvador enviou-nos a toda a criatura em todo o mundo. Irmão, como podemos aceitar a salvação e deixar de anunciá-la a todos? Na fábrica, na escola, na loja, ou onde quer que estejamos, somos os enviados do Senhor. Que correspondamos sempre aos propósitos de Deus.

     Pela leitura de Marcos 3:14 e 15, verificamos que o Senhor tinha três objectivos para os doze ao escolhê-los:

        1) Estarem com Ele;

        2) Pregarem;

        3) Fazerem milagres.

     Devemos notar bem a ordem. Primeiro, estar com Ele. Depois, testificar e manifestar o Seu poder.

     Primeiro, a comunhão; depois a confissão. Compare o caso de Maria e Marta. Esta se ocupava em muitos serviços — e note bem que eram serviços para Cristo. Hospedou-O em sua casa, e estava muito ocupada, certamente preparando alguma coisa para Ele. Maria, porém, ocupava-se com o Senhor.

     Irmãos, o serviço do Senhor é importante, mas o Senhor do serviço é tudo! É a comunhão com Ele que dá valor ao serviço que fazemos por Ele.

     Agora, resta-nos apenas dizer que dos doze escolhidos, apenas um não era Galileu — Judas Iscariotes, natural da Judéia.

 

R. E. Watterson

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