Dois poemas de Deus
Em Romanos 1:18-20 o Apóstolo Paulo declara que os homens ímpios estão “inexcusáveis [sem desculpa]” por estarem rodeados de evidências tanto do “eterno poder”, como da “divindade” do Criador.
A nossa Versão de Almeida, nesta passagem, chama à criação, as “coisas que estão criadas”, mas no Grego elas são chamadas literalmente “o poyeema,” de onde nós obtemos a nossa palavra poema. Certamente que o Apóstolo refere-se à harmonia da criação de Deus. Não é admirável como biliões de corpos celestes circulam na vastidão do espaço sem nunca colidirem? E as flores, as estações, os pôr-do-sóis, não é tudo parte de uma criação harmoniosa, que só Deus pode ter concebido e fazer com que faça música?
Mas de modo muito interessante, esta palavra poyeema é usada uma vez mais nas Escrituras. Encontramo-la em Efé. 2:10, onde é traduzida por “feitura.” Consideremos esta passagem no seu contexto:
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura [Gr., poyeema] Sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efé. 2:8-10).
Romanos fala de o poema da criação, Efésios de o poema da redenção, e o último é ainda mais maravilhoso. Um velho hino diz: “Foi fantástico falar e o mundo do nada surgir; foi ainda mais fantástico amar, e tornar possível o redimir.”
Neste poema da redenção composto por Deus, nós, crentes, muitas vezes queremos alterar algumas palavras ou frases. Gostaríamos que isto ou aquilo, nas nossas circunstâncias, fosse diferente. Ah, mas isso destruiria a métrica e o significado da nova criação de Deus.
Graças a Deus, quando nós, crentes, partirmos para estar com Cristo, veremos a beleza e a glória do poema da redenção. Então regozijar-nos-emos pelo facto de, na verdade, Ele ter feito com que “todas as coisas contribu[íss]em juntamente para o [nosso] bem”.
Cornelius R. Stam



