Acções de Graças

Gratidão

     “Reconhecimento e confissão alegre dos benefícios e misericórdias que Deus nos concede a nós ou a outros.”
 
- Alexander Cruden

     O tema “acções de graças” é transversal a toda a Bíblia. Nos dias de Neemias, na dedicação da reconstrução do muro de Jerusalém, dois grupos foram incumbidos da tarefa exclusiva de agradecer e louvar o Senhor. Quando a Arca do Senhor foi trazida, regressando de Obede-Edom, os Levitas foram designados por David para agradecer ao Senhor continuamente depois de a arca ter sido colocada na tenda. Os Salmos de David estavam repletos de acções de graças. Por exemplo, “Salmodiai ao Senhor, vós que sois Seus santos, e dai graças ao Seu santo nome” (Salmo 30:4).

     A vida de Cristo foi uma vida de acções de graças. Certamente que esta vida é um exemplo para nós. Ele até deu graças pelo pão e o vinho, símbolos do Seu corpo partido e do Seu sangue derramado.

     Paulo, em Colossenses 3:15 exorta, “… sede agradecidos,” e em Efésios 5:20, “dando sempre graças por tudo …”. As suas epístolas estão cheias de exemplos de acções de graças e ele exorta os Cristãos a tornarem os seus pedidos conhecidos a Deus com acções de graças (Filipenses 4:6).

     O Cristão, ao saber do que, e para o que, foi salvo, deve certamente ser caracterizado por um espírito de muita gratidão. Compensa, em toda a linha, ser Cristão, mesmo nesta vida, e por isso devemos ser muito agradecidos.

     Depois da incredulidade, a ingratidão é provavelmente o maior pecado. Nós lemos em Romanos 1 a respeito dos pagãos, que “… nem Lhe deram graças …” (Romanos 1:21). Por conseguinte eles estavam cegos e Deus entregou-os à sua própria impureza e lascívia. Paulo, ao escrever a Timóteo, inclui a ingratidão no pacote dos blasfemos e perversos (2 Timóteo 3:2). Todavia, apesar disto, a Bíblia diz¨” Ele é benigno até para com os ingratos” (Lucas 6:35). Ele faz com que o Seu sol brilhe sobre justos e injustos e Ele faz com que a Sua chuva caia sobre justos e injustos. Portanto é a bondade de Deus que conduz ao arrependimento (Romanos 2:4).

     Nós vivemos num século em que se tem tudo como um dado adquirido. Nós não apreciamos o que Deus nos dá até Ele no-lo retirar. O escritor, foi durante muitos anos amigo chegado de um deficiente físico que esteve acamado durante mais de trinta anos. Este irmão no Senhor mencionava muitas vezes que a saúde só é plenamente apreciada depois de perdida.

     Conta-se a história de um rapazito do campo que foi visitar os seus primos à cidade. Ele era Cristão, mas os seus primos citadinos não queriam saber de Deus. Quando se sentaram à mesa para comer, o rapazito deu silenciosamente graças ao Senhor pela refeição. O seu tio desnaturado riu-se dele, dizendo que eles não faziam aquilo na sua casa. O rapazito respondeu: “Bem, então é exactamente como o meu cão faz. Ele também começa logo a comer.”

     Nós não só devemos, diariamente, dar graças a Deus pela comida, tecto e vestuário, as necessidades básicas da vida, como também Lhe devemos agradecer pela saúde, força e sanidade mental. Contudo, acima de tudo, devemos agradecer-Lhe pela dádiva do Seu Filho e por todas as bênçãos espirituais que temos n’Ele. Graças a Deus pelo Seu dom inefável (2 Coríntios 9:15)! Todos nós devemos testar os nossos corações, interrogando-nos se temos verdadeiramente agradecido ao Senhor por todas as nossas bênçãos.

     A gratidão causa efeito nos outros. Pepita, a pequena Cigana, depois de se ter convertido foi tão agradecida que antes de morrer chamou o artista para quem ela tinha posado e falou-lhe da salvação. O artista, que na altura andava a pintar um quadro de Cristo, converteu-se através das palavras de Pepita. A pintura que ele fez da crucificação de Cristo teve um efeito tal no Conde Zinzendorf que, também ele, veio a Cristo. Este, por sua vez, fundou os Irmãos Morávios e através dos esforços dos Irmãos Morávios, John Wesley converteu-se. Através da pregação de Wesley o mundo de língua inglesa foi transformado e todo o curso da história se alterou. Tudo isto devido à gratidão de uma menina.

     Tu e eu somos agradecidos?

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