Distância e potencial

Potencial exercido     Uma filosofia que presentemente está a encontrar eco na Igreja é a que defende que para causar impacto no mundo a igreja deve-se aproximar dele tanto quanto possível. Quanto mais se assemelhar ao mundo, soar, vestir, e falar como ele, maior será o impacto potencial. Os que agem segundo esta filosofia têm introduzido nas igrejas o entretenimento, a música rítmica, o drama, e um «evangelho» não ofensivo, no esforço de aumentar o seu número de membros. Tristemente, o resultado disto tem sido o oposto - o mundo é que está a causar impacto na Igreja! Porquê? Porque a Igreja está a seguir  filosofias humanas (Col. 2.8).

     Como é que então a Igreja pode conseguir causar maior impacto sobre o mundo? Por estranho que possa parecer, consegue-o separando-se dele! (I Cor. 10.14). Considere a seguinte ilustração:

     A energia potencial é a energia residente num objecto por virtude da sua posição relativa em relação a outro objecto. Tome um objecto e coloque-o sobre uma mesa. Relativamente à mesa ele não possui energia potencial por se encontrar na mesma posição. Se erguermos o objecto da mesa, ele passa a ter energia potencial relativamente a ela. Quanto mais o objecto for levantado maior será a sua energia potencial.

     Isto é uma ilustração perfeita do método Bíblico do crescimento do potencial da Igreja para causar impacto no mundo. Quanto maior for a distância entre a Igreja e o mundo, maior será o seu potencial de impacto sobre ele! A sabedoria humana pretende ensinar-nos que devemos tanto quanto possível aproximarmo-nos do mundo para que causemos impacto sobre ele, mas a Bíblia e a história da Igreja ensina-nos exactamente o oposto - o potencial da Igreja que causa impacto sobre o mundo aumenta na medida em que ela se distancia dele.

     Mas a «separação» do mundo não significa «isolamento». Não sugerimos que nos separemos fisicamente do  mundo como fazem as seitas, porém que nos separemos do mundo moralmente, e espiritualmente.

     O problema é a «conformidade», não o «contacto». Nós somos um «povo especial» (Tito 2.14); como tal devemos ser diferentes do mundo que nos circunda. É triste dizer que nos nossos dias muitas igrejas e muitos crentes não diferem muito do mundo, se é que diferem algo.

     Faremos bem em lembramo-nos de Lot e da sua mulher. Lot principiou por armar a sua tenda para os lados de Sodoma, tendo-se movido para lá e tornando-se líder ali. Todavia, Lot não teve nenhum testemunho pois ele vivia demasiado unido ao mundo. A sua vida e os seus lábios não estavam em harmonia. Os que querem que a Igreja se una mais do mundo não devem ficar surpreendidos quando encontrarem o mundo na Igreja, e o seu testemunho cessar.

     Para aumentarmos o nosso potencial espiritual, quer individualmente quer colectivamente, devemos separarmo-nos do mundo que nos rodeia. Quanto maior for a separação, maior será o potencial  de impacto sobre o mundo. Quanto mais vivermos a vida de Cristo mais nos separaremos do mundo e de todos os seus prazeres, possessões, e práticas, e maior será o nosso potencial de impacto sobre o mundo perdido que nos envolve.

     Que o Senhor nos dê sabedoria para rejeitar esta filosofia corrente e nos afastarmos cada vez mais do mundo. Que Ele também nos conceda o desejo e a energia para levarmos o Evangelho a este pobre mundo. O evangelho que falada hediondez do pecado, e da justiça e amor de Deus, os quais foram declarados abertamente no Calvário.
 - S.H.

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