A psicologia e o Evangelho

A Cristandade é hoje invadida por aquilo a que chamamos de psicologia. É ensinada em muitas escolas bíblicas e inspira sermões em muitas igrejas. As pessoas com problemas são convidadas a consultar um psicólogo para obterem resultados de profissionais.
A Igreja recebeu do seu Salvador a missão de proclamar o Evangelho aos pecadores e de pregar a Palavra aos crentes. Será que a “psicologia cristã” é uma maneira sofisticada de comunicar a Palavra de Deus, ou não será antes uma mensagem diferente? Serão os fundamentos da “psicologia cristã” diferentes dos da psicologia secular?
O objetivo deste artigo não visa pôr em causa os motivos daqueles que defendem a psicologia, ou os problemas causados por desequilíbrios químicos, mas sim analisar a verdade. Abordaremos quatro aspetos em que a “psicologia cristã” é idêntica à psicologia secular, ou seja, radicalmente diferente do Evangelho do Senhor Jesus Cristo, ensinado na Bíblia.
1. Vítima ou pecador?
A psicologia moderna considera a pessoa como uma vítima. Os motivos dados são problemas de família ou de educação, tais como um lar desfeito, uma má educação ou todo o tipo de abusos, etc.... O sofrimento interior de uma vítima manifesta-se por um comportamento de perturbação. A vítima é levada a acreditar que foi magoada psicologicamente, devido ao comportamento de alguém. O raciocínio é o seguinte: alguém que sofre faz sofrer os outros.
A solução é dar à pessoa magoada o sentimento do seu valor e de lhe dar a compreender que os outros são a causa do seu sofrimento. A psicologia ensina que a falta de auto-estima pode ser corrigida ao compreender-se a causa da conduta de perturbação.
O Evangelho não nos considera como vítimas mas como pecadores. Não fala tanto do sofrimento interior mas sim de um sentimento de culpabilidade causado pelo pecado. De acordo com o Evangelho, o problema não está simplesmente na conduta de perturbação, mas numa desobediência voluntária a Deus
Uma vítima pode acusar os outros pela sua condição. Um pecador deve confessar o seu pecado. Uma mágoa psíquica é causada por alguém que é responsável pelo meu mal. A culpabilidade significa que eu sou responsável pelas minhas escolhas, sem tomar em conta as circunstâncias negativas que as motivaram. Se se trata de uma conduta de perturbação, segunda a psicologia, posso mudar ao corrigir os meus sentimentos em relação a mim próprio e às circunstâncias. De acordo com o Evangelho, a desobediência exige arrependimento no que concerne ao mal e, daí em diante, obediência a Deus e à Sua Palavra.
A Bíblia diz que todos os homens são pecadores culpados [ou seja, responsáveis pelos seus atos] e sem desculpa (Romanos, caps 1 a 3). Todos recebemos ordem para nos arrependermos (Actos 17.30). A solução não é subjetiva (fé numa melhor compreensão de nós mesmos), mas objetiva [fé no Salvador dos pecadores, o Senhor Jesus Cristo] (Romanos 3.21-28).
2. Doença ou concupiscência da carne?
A psicologia diz que alguém sofre de alcoolismo em vez de falar do pecado da bebedice. A devassidão e o adultério não são considerados como pecados mas simplesmente como uma exagerada liberdade sexual. A ira é qualificada como conduta impulsiva, e por aí fora ... Estes diferentes pecados são muitas vezes vistos como doenças. Ora uma doença é algo que apanhamos ou que nos foi transmitido sem que o quiséssemos. Uma doença deve ser tratada por um profissional de saúde, como um médico, um psiquiatra ou um psicoterapeuta. Cada doença exige um tratamento adequado.
Mas a Bíblia ensina que os pecados tais como a bebedice, a prostituição, a lascívia, a homossexualidade, a ira, as pelejas, o roubo, o ódio etc., são obras da carne.
A carne é o que foi afetado e corrompido na nossa natureza humana, herdada de Adão (Romanos 5.12-21). A única solução para o problema do pecado é o sangue de Jesus Cristo. A única solução para combater a concupiscência da carne é o Espírito Santo de Deus que nos dá uma força sobrenatural para morrermos para esses pecados e para vivermos uma vida verdadeiramente santa (Romanos 8.13; Gálatas 5.16-22).
A Palavra de Deus afirma ao crente: “Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne” (Gálatas 5.16).
É da responsabilidade do crente andar no Espírito, sendo os resultados garantidos.
3. Uma terapia profissional ou a Palavra de Deus?
A “psicologia cristã”, ao mesmo tempo que reconhece a Bíblia, usa a mesma linguagem e métodos que a psicologia secular. Perguntemos àqueles que realmente querem agradar a Deus: São os princípios da psicologia bíblicos? Há algo mais perfeito do que a Bíblia?
O Deus da eternidade criou-nos com toda a Sua sabedoria. Ele compreende-nos, conhece-nos e proveu uma salvação perfeita por meio do Seu Filho, Jesus Cristo. Esta salvação não comporta somente um livramento quanto ao castigo do pecado (o inferno), mas também um livramento quanto ao poder do pecado, ou seja, uma vida transformada.
Será que existe algum livro mais profissional do que o Livro de Deus? Será que alguma coisa, que nos pudesse ajudar a viver, deveria ser acrescentado às Escrituras? Um ancião de igreja (ou qualquer cristão piedoso) que conhece a Bíblia e que anda com o Senhor é tanto ou mais profissional do que qualquer outra pessoa para dar um bom conselho. Um psicólogo que fica apenas pelo que as Escrituras dizem não fará nada mais do que qualquer ancião com um coração de pastor.
As Escrituras são todas suficientes, não somente para a salvação, mas para a vida cristã. A psicologia pretende que toda a verdade vem de Deus, que seja uma descoberta ou uma verdade revelada. Mas as Sagradas Escrituras estão completas e nenhuma revelação da verdade pode ser acrescentada.
“Desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Toda a Escritura, divinamente inspirada, é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2 Timóteo 3.15-17).
“O seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou por sua glória e virtude” ( 2 Pedro 1.3).
“Em Quem (Jesus Cristo), estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Colossenses 2.3).
Quando se trata do corpo, por exemplo, os olhos ou as orelhas, pode ser necessário recorrer a um médico. Quando se trata da alma (em grego psuche – psyche) do homem, é ao Senhor que devemos ir, porque Ele é o “Pastor e Guardião das nossas almas” (1 Pedro 2.25). Ele tem conhecimento profissional das nossas almas. Podemos entregar-Lhe todas as nossas petições, porque Ele mesmo cuida de nós.
4. A auto-estima ou a negação de si mesmo
A psicologia (secular ou cristã) ensina geralmente 3 pontos principais sobre da auto-estima:
1) A psicologia diz que o nível da auto-estima determina a nossa conduta.
A Bíblia ensina que a estima que temos pelo Senhor Jesus (contemplando-O a Ele e não a nós) transformará a nossa conduta (2 Coríntios 3.18).
2) A psicologia diz que uma falta de auto-estima é a causa da maior parte dos problemas comportamentais.
A Bíblia ensina que “o orgulho da vida” é o principal fator que contribui para o sistema ímpio que governa o nosso planeta (1 João 2.16).
3) A psicologia diz que praticamente todo o mundo sofre de falta de auto-estima (ou até mesmo da inexistência dela).
A Bíblia diz: “ninguém aborrece a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta” (Efésios 5.29) e “Por humildade, cada um considere os outros superiores a si mesmo” ( Filipenses 2.3).
Satanás não pecou por falta de auto-estima, mas pelo contrário: o orgulho (1 Timóteo 3.6). Acontece da mesma forma com os filhos do diabo. O Senhor Jesus disse: “Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-Me” (Lucas 9.23).
Querido leitor, para se agradar a Deus e se ser usado por Ele, o segredo não é termos suficiente auto-estima, mas sim, negarmo-nos a nós mesmos e engrandecermos cada vez mais o Senhor Jesus Cristo.
Considere o que os seguintes homens de Deus disseram:
Abraão: “Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza” (Génesis 18.27).
Jacob: “menor sou eu que todas as beneficências ... que tiveste com teu servo” (Génesis 32.10).
João Baptista: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3:30).
Pedro: “Ausenta-te de mim, por que sou um homem pecador” (Luc.5.8).
Paulo: “A mim o mínimo de todos os santos...” (Efésios 3.8). “Não confiamos na carne ... para conhecê-lo, e a virtude da Sua ressurreição” (Filipenses 3.3,10). “Longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gálatas 6.14).
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