Granadas de terra

Los seis recursos que quizás no sabías que se están acabando

 

     Kent Kraning é um bom amigo e esta é uma ótima história sobre um conflito que ele teve com o seu pai. O pai dele precisou de pedir desculpa. Às vezes, é exatamente isso que precisamos de fazer como pais. Esta história é um trecho do seu novo livro, Dirt Grenades and Other Explosive Parenting Moments (Granadas de Terra e Outros Momentos de Paternidade Explosivos). Foi lançado no dia 6 de abril.

     Na década de 1980, os meus pais foram convidados a produzir uma série de vídeos sobre paternidade chamada “Roots to Grow, Wings to Fly” (Raízes para Crescer, Asas Para Voar). Ainda tenho as fitas das gravações embaladas algures numa prateleira. Quando eles foram produzidas, o meu irmão e eu recebemos uma cópia cada um. Agora, nota bem, nós não estivemos envolvidos na produção nem sequer fomos consultados, mas os meus pais fizeram os vídeos em VHS e nós estávamos ansiosos por comemorar a sua estreia. Um tempo depois de termos recebido a nossa cópia, a minha esposa Robin e eu decidimos desembrulhar o presente. Colocámos a cassette, premimos o play e esperámos ansiosamente que o meu pai começasse.

     Ele é um excelente contador de histórias e este conto de abertura não seria exceção. Ouvimos enquanto ele compartilhava uma cena da minha infância que revivi na minha mente enquanto ele falava. Naquele tempo morávamos em Van Nuys, Califórnia e eu talvez estivesse no quinto ano de escolaridade. Uma tarde ensolarada, uma mulher que nós não conhecíamos bateu à porta. E à porta, ela disse ao meu pai que eu era um dos vários miúdos travessos que tinham causado danos à sua propriedade. Ela testemunhou que, a partir das traseiras da sua casa, esses miúdos supostamente teriam lançado torrões de terra por cima da cerca. O problema era que o fundo da piscina novinha em folha agora estava coberto de lama.

     Do meu quarto, lembro-me de ter ouvido a senhora dizer ao meu pai: “Sr. Kraning, o seu filho era um desses miúdos." Naquele momento, gerou-se uma sensação horrível no meu estômago. Certamente que conheces essa sensação que se ganha quando o sofrimento está a chegar e não há como evitá-lo. Depois, ela acrescentou: "Não quero que o puna, mas apenas pensei que deveria ter conhecimento."

     Lembro-me de na altura ter pensado: “Ora, ora a senhora, se não quer que ele me puna, porque lhe está a contar?" Os momentos que se seguiram são um pouco confusos para mim, pois consegui bloquear a maioria deles. Eu sei que o meu pai me puniu de alguma forma e me deixou no meu quarto a chorar.

     A versão do meu pai é retomada mais tarde naquele dia, quando a vizinha voltou a nossa casa. À entrada, ela dirigiu-se ao meu pai mais uma vez, mas desta vez com remorso genuíno. Após uma investigação mais aprofundada, ele concluiu que afinal eu não tinha tido responsabilidade no que acontecera. Ela estava obviamente arrependida por esse terrível mal-entendido e por qualquer eventual problema que ela pudesse ter causado.

     Agora que sou pai, posso imaginar o que terá passado pela mente do meu pai naquele momento. Ele reentrou no meu quarto e ajoelhou-se à minha frente. Ainda estou a choramingar quando ele começa a desculpar-se por ter me acusado falsamente e punido injustamente. Quando o meu pai reconta o caso no vídeo, ele diz: “O pai está muito triste. Porque não disseste nada?" Então, tentando fazer a minha voz infantil, e enquanto choramingava, ele imitou a minha resposta: "Simplesmente (soluça, soluça) não parecia (soluça, soluça) ser o momento de dizer o que quer que fosse."

     Foi uma história bonita. O meu pai passou a sublinhar a importância de não se tirar conclusões precipitadas, de dar aos filhos o benefício da dúvida e de estar disposto a pedir desculpas quando se erra. Lembro-me claramente de assistir ao vídeo e reviver essa história. A minha imagem desta memória era semelhante à dele, exceto num pequeno desvio. Na minha versão, sou um daqueles miúdos travessos que atiraram torrões de terra para a piscina! Eu estava com um vizinho no quintal. Pelo que me lembro, estávamos a atirar granadas e a vê-las detonar. Nós explodimos o inimigo até ele se submeter. Não me lembro da duração do conflito ou da dimensão da flagelação que acabou por sujar a piscina, mas sei que foi uma batalha demorada.

     A paternidade não é para os fracos de coração. Desempenhar o papel de detetive, decifrar todas as pistas e descobrir a verdade sobre o que aconteceu ou não aconteceu pode parecer impossível às vezes. O que devo ou não devo fazer? É punição ou disciplina que devo aplicar? Que impacto as minhas escolhas terão no futuro dos nossos filhos? Eles vão acabar em psicoterapia ou num programa de entrevistas na televisão por minha causa? Encaremos a realidade. É complicado. Robin e eu temos seis filhos. . . sim, eu disse SEIS - é muito complicado. Podes pensar que com seis filhos teríamos tudo resolvido depois do segundo ou do terceiro, mas não tivemos, e ainda não temos.

     Hoje os nossos filhos são adultos estando a percorrer os seus cursos individuais. Temos lindas filhas apaixonadas e lindos bonacheirões, como gostamos de os chamar. É claro que, como avós, Robin e eu temos novas perspetivas, assim como os nossos filhos adultos, especialmente os que agora estão a criar os seus próprios filhos. Como avós, podemos sorrir enquanto os nossos filhos lutam com os seus próprios problemas paternais. A nossa jornada está longe de ser perfeita, mas é real. É a nossa história. É uma história de alegria e risos e momentos incríveis de graça, perdão, lágrimas e desculpas. Como a tua, a nossa história ainda está a ser escrita!

- Kent Kraning

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