A correção e disciplina dos filhos como a Bíblia ensina (9)

O Modo da Srª Susannah Wesley Educar Filhos
Como é que John Wesley e Charles Wesley, líderes do grande movimento evangelístico na Inglaterra, precursores do Metodismo, foram criados? De que maneira cresceram, tornando-se homens tão piedosos, tão bem controlados, tão inteiramente dados ao Senhor, tão brilhantes intelectualmente, tão sensíveis na sua consciência, tão inabaláveis nos princípios? A mãe deles, Susannah Wesley, ensinou-os a temer a vara quando tinham um ano de idade! É o que ela diz, e o próprio John Wesley publicou essa sua declaração. A vida santa desses homens santos, John e Charles Wesley, desenvolveu-se na disciplina piedosa no lar. Os próprios Wesleys criam nisto, e as Escrituras apoiam-nos. Susannah Wesley cria na afirmação bíblica de que “A vara e a repreensão dão sabedoria, mas o rapaz entregue a si mesmo envergonha a sua mãe” (Pro. 29:15). Ela cria no que diz a Palavra de Deus: “Os açoites que ferem purificam o mal; e as feridas alcançam o mais íntimo do corpo” (Provérbios 20:30, TB).
Ela cria no ensino das Escrituras de que aquele que não é castigado é tratado como um bastardo, não como filho legitimo (Heb. 12:7-8).
No The Heart of John Wesley's Journal (O Âmago do Diário de John Wesley) está publicada uma carta da Srª. Wesley dirigida ao filho, parte da qual facultamos aqui:
"24 de julho de 1732
“Querido filho, - De acordo com o teu desejo, coligi as principais regras que observei na educação da minha família, que agora te envio como me vieram à mente, e podes dispor delas como te aprouver (se achares que elas podem ser úteis a alguém) .
* * *
“Quando completavam um ano (e alguns antes), eles eram ensinados a temer a vara e a chorar baixinho; um meio que os levou a escapar de copiosa correção que de outro modo poderiam ter tido; e o muito odioso ruído do choro de crianças raramente era ouvido em casa. A família geralmente vivia com enorme tranquilidade como se não houvesse uma criança no seu meio.
* * *
“Conquista a vontade da criança
"Para se formar o pensamento das crianças, a primeira coisa a ser feita é conquistar a sua vontade e levá-las a um temperamento obediente. Informar o entendimento é uma obra que requer tempo e, com crianças, deve prosseguir em graus lentos, de acordo com a sua capacidade: mas a sujeição da sua vontade é algo que deve ser feito simultaneamente; e quanto mais cedo melhor. Pois, se for negligenciada a correção oportuna, elas contrairão uma resistência, teimosia e obstinação que dificilmente serão conquistadas depois; e nunca, sem usar a severidade que é tão dolorosa ao pai quanto à criança. Na estima do mundo, elas são consideradas boas e indulgentes, porém chamo a tais pais de cruéis, pois permitem que os seus filhos adquiram hábitos que, eles sabem, têm que ser posteriormente quebrados. De facto, alguns são tão tolamente afetuosos, que ensinam por desporto os seus filhos a fazer coisas que, depois de um tempo, batem neles severamente por as fazerem.
“Sempre que uma criança é corrigida, ela deve ser conquistada; e isso não será difícil, se não se tornar obstinada por muita complacência. E quando a vontade de uma criança é totalmente subjugada, e é trazida a reverenciar e a admirar os pais, então podem passar ignoradas muitas loucuras e descuidos infantis. Alguns devem ser ignorados, fazendo-se vista grossa e, e outros moderadamente reprovados; mas nenhuma transgressão voluntária deve ser alguma vez perdoada, sem castigo, menor ou maior, conforme a natureza e as circunstâncias da ofensa.
“Insisto na conquista da vontade das crianças, porque esse é o único fundamento forte e racional de uma educação espiritual; sem a qual o preceito e o exemplo serão ineficazes. Mas quando isso é feito cuidadosamente, então a criança é capaz de ser governado pela razão e pela piedade dos seus pais, até o seu próprio entendimento chegar à maturidade, e os princípios bíblicos se tenham enraizado na mente.
“Ainda não posso descartar este assunto. Como o egoísmo é a raiz de todo pecado e miséria, o que quer que acalente isso nas crianças assegura a sua infelicidade e impiedade; o que quer que controle o pecado e o mortifique, promove a sua felicidade e piedade futuras. Isso ainda é mais evidente, se considerarmos mais adiante, que a piedade nada mais é do que fazer a vontade de Deus, e não a nossa: que o único grande impedimento da nossa felicidade temporal e eterna é essa vontade própria. Nenhuma indulgência da mesma pode ser trivial, nenhuma negação é inútil. O Céu ou o Inferno dependem apenas disso. Portanto, os pais que estudam subjugá-la no seu filho trabalham conjuntamente com Deus na renovação e salvação de uma alma! Os pais que facilitam nisto fazem o trabalho do diabo, tornam a piedade impraticável, a salvação inatingível, e fazem tudo para condenar o seu filho, alma e corpo para sempre.
"Eles não tinham nada por que chorassem
"As crianças desta família foram ensinadas, logo que puderam falar, a orar continuamente, ao levantarem-se e ao deitarem-se; à medida que cresciam, foi-lhes acrescentado algum ensino bíblico e parte das Escrituras, de acordo com a sua capacidade de retenção.
"Desde muito cedo foi-lhes ensinada a importância da igreja antes de elas poderem falar ou andar. Elas foram desde logo ensinadas a estar sossegadas nas orações em família e a pedir uma bênção imediatamente depois, que costumavam fazer por sinais, antes de se ajoelharem ou falarem.
"Elas foram rapidamente levadas a entender que poderiam não ter nada pelo que pediam e foram instruídas a dizer educadamente o que queriam. Não lhes foi permitido pedir nada ao mais humilde servo sem dizerem: ‘Por favor, dê-me isto ou aquilo’; e aquele era criticado, se as deixassem omitir essa expressão.”
Assim, Susannah Wesley, santa de Deus, criou aqueles grandes homens cuja influência impediu que milhões fossem para o Inferno. Certamente ela provou suficientemente bem a verdade das Escrituras que diz que “o rapaz entregue a si mesmo envergonha a sua mãe”, assim como também o seu inverso como verdadeiro: “A vara e a repreensão dão sabedoria” e “Castiga [disciplina] o teu filho, e te fará descansar e dará delícias à tua alma”.
- John Rice
The Home (O Lar)
(Continua)
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