A correção e disciplina dos filhos como a Bíblia ensina (7)

Os Pais Devem Começar a Disciplinar Cedo e Continuar a fazê-lo Fielmente
A partir de que momento o bebé deve receber a sua primeira palmada? Um amigo meu, pregador, disse: “Eu acho que não se deve açoitar uma menina bebé tão cedo quanto um menino bebé. Eu acho que uma pessoa não deve açoitar uma menina bebé com menos de três semanas de idade, mas pode começar a fazê-lo com o menino bebé no dia em que ele nasce!” Isto é um óbvio exagero. Certamente que nada de bom poderia ser conseguido punindo uma criança antes de ela saber que é desejada. Supõe-se que o bebé pequeno não precise de mais nenhuma palmada do que a que é dada pelo médico no nascimento para o fazer chorar e fazer com que ele respire adequadamente. Todavia, é muito mais provável que as pessoas errem por começar a disciplinar as crianças demasiado tarde do que por fazê-lo demasiado cedo.
Provérbios 19:18 diz: “Castiga [disciplina] teu filho enquanto há esperança, mas para o matar não alçarás a tua alma”. Todo pai deve começar o cuidadoso e rigoroso controlo dos seus filhos com amor, oração, bom exemplo, ensino, e quando necessário castigo corretivo “enquanto há esperança”. Será demasiado tarde deixar para um futuro dia indefinido a tentativa de reprimir e controlar esse espírito orgulhoso e obstinado de vontade própria que toda criança tem por natureza. Comece cedo!
Assim que a criança puder entender bem as ordens dadas pela sua mãe ou pai, deve-se esperar que ela obedeça. Antes de a criança ter um ano de idade, ela certamente deve ficar quieta na hora de dormir. Ela deve calmamente abrir mão de coisas com que se possa ferir ou magoar. A criança que anda, certamente deve vir ao pai ou à mãe quando for solicitada para tal. É muito mais fácil para a criança e os seus pais se ela for claramente ensinada que a mãe e o pai devem ser obedecidos. Lembro-me da surpresa que tive ao aprender que um par de palmadas geralmente consegue acalmar um bebé para adormecer, depois de ele ter conseguido ter toda a família em alvoroço por meia hora.
“Castiga [disciplina] teu filho enquanto há esperança, e não permitas que a tua alma o poupe pelo seu chorar”, diz a Palavra de Deus na Authorized Version e King James (AV, KJ). A mãe e o pai devem ter nisto uma política consistente. A disciplina deve ser iniciada cedo, e o pai e a mãe devem seguir com sabedoria e bondade uma política simples e piedosa visando manter a obediência regularmente, temperando a justiça com misericórdia e amor.
“... e não permitas que a tua alma o poupe pelo seu chorar” é o mandamento dirigido ao pai e à mãe que deve disciplinar o seu filho “enquanto há esperança ...”. (Pro. 19:18). O castigo talvez não seja necessário muitas vezes, se a obediência se tornar num requisito bem compreendido, sem desvios. Porém, quando o castigo for dado, deve ser feito com cuidado. Muitos pais açoitam um filho só para o irritar e despertar nele ressentimento. Vi uma mãe açoitar um petiz e depois pôr-se a dar-lhe meia hora de afagos tentando reconquistar o favor da criança zangada. Certamente isso está errado e é contrário a este mandamento da Bíblia. Se for necessário açoitar, faça-o coerentemente para obter resultados; posteriormente isso poupará pais e filhos a muitos problemas e mágoas. Quando a vontade da criança se rende, quando existe um arrependimento honesto pelo pecado e o ofensor está disposto a corrigir o seu erro em obediência amorosa, não há razão para continuar o castigo. Mas até que essa atitude de submissão seja alcançada: "Não deixe que sua alma poupe o seu clamor". O meu pai parecia ter uma regra, que era açoitar até chorarmos e depois suspender os açoites quando parávamos de chorar! E se o meu pai estava a açoitar, certamente encontrava uma maneira de parar de chorar, embora se sentisse que ele estava a ponto de estoirar. O meu querido pai não açoitava com frequência. Eu lembro-me de ele me ter açoitado apenas duas vezes, acho. Quando eu tinha quase quatro anos, que é até onde me consigo lembrar, já estava estabelecido no meu coração que o “Papá” deveria ser obedecido instantaneamente. Nem me consigo lembrar de haver para com ele o mais leve ressentimento devido à autoridade que ele exercia com tanta simplicidade e grandeza! Quando o meu pai açoitava, que foi tão raramente necessário, ele procedia de forma que tal seria sempre lembrado!
Por quanto tempo os pais devem manter uma disciplina rigorosa sobre os seus filhos? Parte dessa resposta é certamente encontrada em Deuteronómio 21:18-21, onde até mesmo um filho crescido, se rebelde e desobediente, comilão e beberrão, deveria ser levado pelo seu próprio pai e mãe aos anciãos da cidade para ser publicamente condenado e apedrejado. Parte da resposta certamente se encontra no facto de Eli, o grande sacerdote, ter sofrido uma maldição eterna na sua família porque não controlou os seus próprios filhos adultos! Certamente que enquanto o pai e a mãe sustentarem os seus filhos, eles devem estar sob a autoridade total dos seus pais. Qualquer filho ou filha que seja suficientemente jovem para comer à mesa do pai e for custeado pelo quinhão do pai, é suficientemente jovem para ser açoitado, se necessário. Francamente, será muito raro uma criança criada adequadamente precisar de açoites depois que crescer. Mas a autoridade do pai e da mãe deve ser inquestionável, e o que for necessário para manter essa autoridade deve ser feito. Na casa do meu pai, quando eu tinha vinte anos, nunca me passou pela cabeça desobedecer-lhe nem sequer falar-lhe de forma rude ou indelicada. Se eu o fizesse, não teria sido para mim surpresa, se o meu pai, de imediato, no mínimo, me desse um tabefe! O hábito da obediência em mim era tão forte que acho que nunca me ocorreu sequer resistir ao meu pai ou mesmo fugir dele se ele tivesse decidido castigar-me quando eu era crescido!
Noutro dia, uma graciosa senhora do sul, uma Cristã muito devota, contou-me com profunda emoção sobre a última vez que a sua mãe a açoitou. Ela estava prestes a casar e a mãe estava a colocar o vestido de noiva na filha. A jovem noiva tornou-se impaciente e briguenta até ao ponto de a mãe ter de imediato lhe despido o vestido de casamento, açoitando a sua filha uns dias antes do seu matrimónio! Ao contar-me isto, a tal senhora do sul disse-me num tom de voz empolgado e com orgulho na sua amada mãe, rindo-se da situação ridícula, ao lembrar-se do que a sua mãe lhe dissera: “Podes ter idade suficiente para casar, mas não tens idade para aborrecer a tua mãe; e não tens demasiada idade para seres açoitada, se precisares!” Aquela mãe piedosa de uma geração que já partiu conquistou para si uma reverência e orgulho que nunca se extinguirão no coração da sua filha, porque a sua mãe exerceu justamente a autoridade de mãe, ao açoitar a filha na véspera do seu casamento.
Em Cleveland, Ohio, eu preguei sobre “O Lar Cristão”, e um homem veio falar-me do seu bendito pai agora em Reaver. “Lembro-me muito bem da última vez que ele me açoitou”, disse este homem Cristão do seu pai. “Ele açoitou-me com um chicote à moda antiga; açoitou-me bem duramente. Depois, quando acabou, largou o chicote no chão, colocou os braços em torno de mim, e desatou a chorar dizendo que me amava muito.” O meu amigo de Cleveland chorou ao recordar-me aquilo, e agradeceu a Deus pelo pai que querendo o melhor para ele o açoitou quando foi preciso, mesmo apesar de ele ser já um jovem bem crescido.
- John Rice
The Home (O Lar)
(Continua)
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