Um Guia Para a Piedade (XXVIII)

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     "Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim" (Rm.7:20).

     O leitor cuidadoso das Escrituras certamente observará que neste versículo Paulo repete a verdade que ele partilhou connosco no versículo 17.  Isto ocorre porque este versículo muitas vezes negligenciado é de importância fundamental.  Paulo está ansioso que nós, sendo crentes, entendamos que quando pecamos, não somos nós que pecamos!

     Depois de Paulo falar aos coríntios sobre fornicadores, bêbados e pessoas avarentas, ele acrescenta "e é o que alguns têm sido" (I Co.6:9-11).  Mas como Paulo podia usar o verbo no tempo passado aqui, quando alguns dos coríntios ainda estavam a viver em fornicação (I Co.5:1), bebedices (11:21) e cobiçavam os dons espirituais uns dos outros (12:15-31)?  A resposta é que não eram mais os coríntios que estavam a fazer estas coisas, mas o pecado que habitava neles.  E como os coríntios, a nova pessoa que Deus fez de cada um de nós em Cristo é incapaz de pecar e Deus não quer que nós, como crentes, nos sintamos culpados pelos pecados cometidos através do pecado que habita em nós.

     O sentimento de culpa é uma emoção poderosa.  Estudos comprovam que uma grande parte das doenças mentais mais severas pode estar relacionada com sentimentos devastadores de culpa.  Como gostaríamos de sussurrar as palavras confortantes do Evangelho nos ouvidos de todas as pessoas, crentes ou descrentes, que foram levadas a doenças mentais pelo sentimento de culpa.  Como gostaríamos de lhes dizer que "Cristo morreu pelos nossos pecados... foi sepultado, e... ressuscitou" (I Co.15:1-4) e que se elas somente crerem em Jesus Cristo como seu Salvador, Deus remover-lhes-á a culpa, deixando-as sem nada para se sentirem culpadas.

     Mas quantos crentes precisam de ser lembrados da nossa posição sem culpa perante Deus também!  Que triste que o inexprimível sentimento de alívio e liberdade da culpa que experimentamos na hora que confiamos em Cristo desaparece quando nos colocamos debaixo da Lei e vemos que mesmo sendo crentes, somos incapazes de viver na santidade absoluta que a Lei exige.  Sentimentos de culpa fixam-se, e logo nos encontramos a viver na derrota desprezível e no desespero, o tipo de sofrimento que Paulo descreve nesta mesma passagem (v.24).

     É imperativo para a saúde espiritual do leitor que entenda que a palavra "culpado" por sua definição não é um sentimento, mas uma posição judicial.  E a posição judicial do crente é que ele já foi perdoado, justificado e até mesmo feito "justiça de Deus n’Ele" (II Co.5:21).  E por quando permitimos que os nossos corações sintam a culpa que as nossas cabeças sabem das Escrituras que não tem lugar nas nossas vidas, convidamos o tipo de angústia que Paulo descreve nesta passagem, uma carga devastadora que Deus nunca planeou para nós suportarmos.

     Caro leitor, o próprio Deus está totalmente satisfeito com o pagamento que Cristo fez por todos os nossos pecados, passados, presentes e futuros.  Quando nós, como crentes nos sentimos culpados pelos nossos pecados estamos a dizer, com efeito, que não estamos satisfeitos com o Seu pagamento, fazendo com que o nosso padrão se torne mais alto do que o do Todo Poderoso.  Devíamos sentir remorso quando pecamos, remorso porque entristecemos Aquele que pagou o nosso débito (Ef.4:30).  Mas Deus não quer que carreguemos a consequência emocional do nosso pecado (culpa) – menos do que o carregarmos a consequência judicial do nosso pecado no lago de fogo.  Graças a Deus que Ele nos salvou de ambos e temos somente que convencer os nossos corações do que a nossa cabeça sabe ser verdade sobre isso, para gozar da indescritível "bênção" que Deus quer que experimentemos como Seus filhos perdoados (Rm.4:6-8).  

- Ricky Kurth
 (Continua)

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