Um Guia Para a Piedade (I)

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     "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

     “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Rm.12:1-2). 


     O nosso texto de abertura faculta-nos toda a motivação de que precisamos para viver "neste presente século sóbria, e justa, e piamente" (Tt.2:12).  Se o Senhor Jesus Cristo morreu por nós, é tão-somente razoável que vivamos para Ele!  Mas como conseguimos isto?  Nesta série de artigos esperamos fornecer ao leitor instruções do próprio Deus quanto a como viver uma vida piedosa.
 
     Os estudiosos da Bíblia sabem que Romanos 9 a 11 são capítulos parentéticos, e assim o nosso texto de abertura em Romanos 12:1-2 segue-se, de facto,  à doutrina ensinada em Romanos 6 a 8.  E assim, apesar da motivação do andar piedoso se encontrar em Romanos 12:1-2, cremos que os mecanismos sobre como viver uma vida piedosa se encontram nos capítulos anteriores.  E assim planeamos examinar esta passagem detalhadamente, pois cremos que um entendimento de Romanos 6 a 8 faculta ao crente um guia para a piedade do próprio Deus.
 
     Após declarar a pecaminosidade do homem e a necessidade de um Salvador em Romanos 1 a 3, o apóstolo Paulo estabelece claramente como o Senhor Jesus Cristo pagou por todos os nossos pecados na cruz do Calvário em Romanos 3 a 5, e afirma que podemos ser salvos dos nossos pecados pela simples "fé no Seu sangue" (Rm.3:25).  Depois de concluir esta discussão em Romanos 5, Paulo pergunta a seguir:

     "Que diremos, pois?  Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?" (Rm.6:1).

     "Que diremos pois?"  Ao quê?   Ora, ao sermos salvos de todos os nossos pecados, passados, presentes e futuros! Paulo sabia que a reacção natural para tal graça seria pensar que agora podemos pecar com impunidade e assim antecipa este raciocínio erróneo e trata dele aqui.  Porém antes de refutar detalhadamente tal pensamento, a resposta inicial de Paulo é soltar uma exclamação, dizendo:
 
     "De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" (Rm.6:2).

     Depois da exclamação de Paulo exprimir completamente a sua revolta com tal pensamento, ele fixa-se imediatamente na resposta a esta pergunta de uma maneira definitiva.  As suas palavras: "Como viveremos" parecem argumentar: "Depois de tudo que Deus fez por nós, livrando-nos do pecado, como podemos sequer pensar em entristecê-Lo continuando a pecar?"

     Isto é chamado de motivação da Graça.  Deus não diz a nós, como Ele disse a Israel: "Se vocês forem bons Eu os abençoarei".  Isto é a motivação da Lei, o método tradicional de "recompensa ou castigo" e não funciona na presente dispensação da graça.  Deus prefere dizer-nos: Eu já vos abençoei (Ef.1:3), agora não andareis de forma digna das Minhas bênçãos (Ef.4:1)?
 
     Vemos uma ilustração deste tipo de motivação em Génesis 39.  Quando José foi tentado a pecar com a mulher do seu amo, ele falou de tudo o que o seu amo havia feito por ele e depois perguntou: "… como pois faria eu este tamanho mal, e pecaria contra Deus?" (v.9). José poderia ter arrazoado: "Eu estou longe de casa, quem saberá?"  Ou, " De qualquer modo parece que Deus me abandonou ao permitir que eu fosse escravizado. Eu não Lhe devo nada!"  Apesar da sua vida difícil, em vez disto, ele permaneceu fiel ao seu Senhor que o tinha abençoado e nós devemos fazer o mesmo!
 
     Se ouvíssemos que um bêbado continuava a beber depois de receber um fígado novo, ficaríamos indignados.  Deveríamos, do mesmo modo, ficar indignados com o pensamento de continuarmos a pecar depois de Deus nos ter dado um coração novo.

     Poderíamos comparar a nossa situação com a dos diplomatas estrangeiros na capital do país, que desfrutam do que se chama "imunidade diplomática", não podendo ser processados judicialmente por terem violado qualquer uma das nossas leis.  Por causa disto, ficamos indignados quando, ocasionalmente, escutamos que alguém transgrediu em flagrante as nossas leis simplesmente porque tem "imunidade".  Os crentes, salvos pela graça, têm imunidade parecida relativamente à condenação eterna do poder da Lei de Moisés e é revoltante que nós consideremos cometer os pecados pelos quais Deus punirá os incrédulos no Inferno por toda a eternidade.  Falando dos pecados que ele enumera em Efésios 5:3-5, Paulo prossegue dizendo:
 
     "Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.

     “Portanto não sejais seus companheiros " (Ef.5:6-7).

     A graça não é uma licença para pecar, embora muitos crentes sejam enganados por "palavras vãs", dizendo que é (Ef.5:6).  Isto é semelhante às "palavras falsas" com que Jeremias alertou Israel:
 
     "Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada são proveitosas.

     “Furtareis vós, e matareis, e cometereis adultério, e jurareis falsamente, e queimareis incenso a Baal, e andareis após outros deuses que não conhecestes,

     “E então vireis, e vos poreis diante de Mim nesta casa, que se chama pelo Meu nome, e direis: Somos livres, podemos fazer todas estas abominações?" (Jr.7:8-10).

     Mentirosos diziam a Israel que os sacrifícios que eles traziam à casa de Deus os livrava do julgamento, podendo assim continuar no pecado.  O verdadeiro propósito de Deus ao dar a Israel estas coisas era facultar-lhes uma rede de segurança, no caso deles caírem no pecado. Mas, em resposta a estas palavras mentirosas eles começaram a usar a sua rede de segurança como uma rede de dormir, relaxando ociosamente nos pecados pelos quais animais inocentes tinham morrido.

     Isto lembra-me como o nosso sistema de subsídio de desemprego está semelhantemente projectado como um tipo de rede de segurança para o trabalhador, no caso dele ficar sem emprego.  Existem muitos termos que as pessoas usam para descrever aqueles que usam esta rede de segurança como se fosse uma rede de dormir e nenhum deles é um elogio.  Que Deus nos livre, a nós que fomos salvos pelo sangue de Cristo, de considerar usar aquele sangue precioso como uma rede de dormir para passar o tempo relaxando ociosamente na iniquidade.

     Que possamos ser achados como pessoas que fervorosamente servem o Senhor mesmo sabendo que estamos eternamente seguros.  Os homens têm elogios para o filho do dono que trabalha ardentemente, mesmo apesar de saber que não pode ser despedido, e todos eles assentam bem.  Que estas palavras possam ser usadas para descrever cada um de nós como crentes eternamente seguros!  

- Ricky Kurth
 (Continua)

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