Discernindo a Vontade de Deus (VIII)

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PARTE  IV

     Como não podemos ter a certeza da vontade de Deus com antecedência, então de que forma devemos tomar as decisões importantes na vida?  Vamos começar colocando um alicerce sobre Efésios 1:5:

     "E nos predestinou para filhos de adopção por Jesus Cristo, para Si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade".

     A adopção nos tempos bíblicos ocorria quando um filho hebraico era oficialmente reconhecido por seu pai como um filho adulto.  Até àquele momento, o filho estava "debaixo de tutores e curadores", que o tratavam como uma criança, dizendo-lhe coisas do tipo: "Não toques nisso, está quente!" e "Não comas isto, é um insecto!"  Mas a partir do dia que o filho era reconhecido como filho adulto, era responsável por tomar as suas próprias decisões na vida.
 
     Do mesmo modo, o povo de Israel foi frequentemente chamado de "os filhos (meninos) de Israel", porque Deus os tratou como crianças.  Ele deu-lhes a Lei que dizia o que podiam comer e o que não podiam comer, o que podiam tocar e o que não podiam tocar.  Mas nós não estamos debaixo da Lei (Rom. 6:14-15) e portanto, não estamos sujeitos às ordenanças do "não toques, não proves, não manuseies" (Col. 2:20-22), e podemos comer o que bem entendemos (I Tim. 4:4).  Recebemos a adopção (Gál. 4:5) e Deus considera-nos responsáveis para tomar as nossas próprias decisões na vida.  E uma vez que Efésios 1:5 diz que tudo isto era "segundo o beneplácito de Sua vontade", sabemos que é da vontade de Deus que tomemos as nossas próprias decisões na vida! 
 
     Vamos olhar agora para a vida do Apóstolo Paulo, ao qual Deus chama de nosso "exemplo" (I Tim.1:16), e observar como Paulo tomou as suas decisões como filho adulto, sem saber a vontade de Deus com antecedência.  Começaremos em Actos 15:36-38:
 
     "...disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar nossos irmãos por todas as cidades em que já anunciamos a Palavra do Senhor, para ver como estão.  E Barnabé aconselhava que tomassem consigo a João, chamado Marcos.  Mas a Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele que desde Panfília se tinha apartado deles e não os acompanhou naquela obra".
 
     Havia decisões para serem tomadas, Paulo não esperou por direcções do tipo passo a passo de Deus, como recebeu em Actos 16:6-7.  Embora Paulo continuasse a ouvir de Deus de forma audível (Act. 23:11) e através de profetas (Act. 21:4,10-11), Deus já estava condicionar Paulo para que começasse a pensar por ele mesmo, e a tomar decisões sem saber a Sua vontade com antecedência.  Aqui, para ele "parecia razoável que não" levassem João.
 
     Paulo encontrou a vontade de Deus aqui?  Aparentemente não, pois a grave contenda entre ele e Barnabé fez que tomassem rumos diferentes.  Mas se é da vontade de Deus que os homens sejam salvos e que venham ao conhecimento da verdade (I Tim.2:4), então certamente a vontade de Deus foi feita, porque agora havia dois grupos a empenhar-se em levar o Seu nome adiante, em vez de um só!
 
     Como é que Paulo tomou as suas decisões?  Ele simplesmente usou a sua experiência do passado com João (Act. 13:13) e determinou que a missão actual era importante demais para lhe dar outra oportunidade que provasse a sua fidelidade.  Barnabé, entretanto, já tinha visto sinais que João estava a amadurecer para se tornar naquele servo "útil" que mais tarde até Paulo achou ser (II Tim. 4:11).  Em resumo, os dois homens tomaram decisões baseadas nas suas experiências, e a vontade do Senhor foi feita no fim.  

- Ricky Kurth
 (Continua)

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