Discernindo a Vontade de Deus (VII)
Gostaríamos de concluir este artigo com uma ilustração bíblica sobre o que temos escrito e, portanto, abramos a nossa Bíblia no livro de Filemon. Alguns gostariam de saber porque é que esta pequena epístola está incluída no cânone das Escrituras, porque parece não ensinar nenhuma das grandes doutrinas da fé Paulina. Porém apesar de ser verdade que Filemon não ensina grandes doutrinas, ilustra-as no entanto muito bem! É por isso que aparece em último lugar nas nossas Bíblias, na ordem divinamente estabelecida das epístolas Paulinas, porque todo o pregador sabe que primeiro se ensina a doutrina, depois ilustra-se a mesma. Mas antes de mostrarmos como Filemon demonstra os ensinamentos de Paulo sobre a vontade de Deus, queremos fazer uma introdução às nossas palavras, demonstrando primeiro amplamente que Filemon é de facto um livro escrito para ilustrar as doutrinas que ensinadas anteriormente nas epístolas Paulinas.
Filemon tinha um servo chamado Onésimo, que tinha fugido, depois encontrou Paulo, e foi salvo. Paulo mandou o servo fugitivo de volta ao seu amo juntamente com a epístola a Filemon, onde pede a Filemon que seja tolerante com o seu servo devolvido. Como apóstolo, Paulo tinha autoridade para ordenar que Filemon mostrasse misericórdia (v. 8). Entretanto, Paulo tempera isto com as palavras: "todavia peço-te antes por caridade" (v. 9). Esta, logicamente, é uma preciosa ilustração de como o Deus Todo-Poderoso poderia ordenar-nos a servi-Lo, como fez com Israel sob a Lei, mas na Graça prefere rogar-nos para que O sirvamos, por amor (II Co.5:14). No Velho Testamento, Deus nunca rogou a ninguém que fizesse qualquer coisa, mas na Graça, inspirou Paulo a nos "rogar" repetidas vezes. E deste modo vemos como esta doutrina chave da graça não é ensinada aqui em Filemon, mas é maravilhosamente ilustrada.
Em seguida Paulo lembra Filemon que "noutro tempo" Onésimo "te foi inútil" como um servo incrédulo, "mas agora" regressava como um servo fiel "muito útil" (v. 11). Acreditamos que Paulo usou as palavras "noutro tempo" e "mas agora" intencionalmente para lembrar a Filemon que ele mesmo tinha sido "noutro tempo" inútil a Deus, "mas agora" era Seu servo útil (Efé. 2:11; Rom. 3:12; Efé. 2:13). Uma vez que Deus tinha sido misericordioso com Filemon, argumenta Paulo, Filemon também não deveria demonstrar misericórdia com Onésimo? Outra doutrina chave da Graça ensina que devemo-nos tratar uns aos outros como Deus nos trata (Efé. 4:32; Col. 3:13), uma doutrina que o Livro de Filemon não ensina, mas ilustra aqui.
Sob a Lei de Moisés, o povo de Israel era expressamente instruído a não devolver escravos que tinham fugido (Deu. 23:15-16). Mas Paulo devolveu Onésimo a Filemon, ilustrando de modo encantador como não estamos sob a Lei de Moisés (Rom. 6:14-15). Logicamente, Paulo foi tentado a ficar com Onésimo, o qual poderia ter ministrado às suas necessidades no lugar de Filemon (File. 14). "Mas", como ele escreve, "nada quis fazer sem o teu parecer, para que o teu benefício não fosse como por força, mas voluntário" (v. 14). As palavras "por força" e "voluntário" lembram-nos como Paulo diz que podemos contribuir para a obra do Senhor "não... por necessidade" (II Cor. 9:7), mas "se há prontidão de vontade" (II Cor. 8:12). Vemos que Paulo estava a dar a Filemon a oportunidade de dar o seu servo a Paulo de acordo com as directrizes da graça, e deste modo ter um "benefício" no Tribunal de Cristo, ilustrando deste modo ainda outra doutrina da graça.
Em seguida, Paulo intercede por Onésimo, pedindo a Filemon : "recebe-o como a mim mesmo" (v. 17). Isto não ilustra como Deus nos recebe em Cristo Jesus? Do mesmo modo que Onésimo era inaceitável a Filemon nele mesmo, mas aceitável através de Paulo, nós somos inaceitáveis a Deus em nós mesmos, mas somos " agradáveis (ou, aceitáveis) a si no Amado" (Efé. 1:6).
Os escravos que fugiam frequentemente também roubavam os seus amos para financiar a sua fuga, e sendo assim, Paulo diz a Filemon:
"E, se te fez algum dano, ou te deve alguma coisa, põe isso à minha conta" (File.18).
Que ilustração sensacional da doutrina da imputação! Como é precioso saber que, embora tenhamos ofendido muito a Deus com os nossos pecados, as nossas transgressões foram imputadas a Cristo enquanto Ele estava pendurado na cruz (II Cor. 5:21). Como estamos endividados ao Senhor por tudo o que fez por nós no Calvário, sim, Lhe devemos as nossas vidas! E como isto é bem ilustrado quando Paulo lembra Filemon: "a ti próprio a mim te deves" (v.19).
É difícil crer que Paulo pudesse dizer "me regozijarei" (v.20) depois de prometer pagar a dívida de Onésimo, mas que retrato do Senhor Jesus, "o qual pelo gozo que lhe estava proposto suportou a cruz" (Hb.12:2), pagando toda a nossa dívida do pecado no processo.
Frequentemente ouvimos dizer: "Se dissermos às pessoas que não estão debaixo da Lei, não servirão ao Senhor." Entretanto, aqueles que afirmam isto conhecem muito pouco sobre o poder da graça. Deus está confiante que sob a Graça faremos mais do que foi pedido a Israel, uma verdade ilustrada em Filemon 21:
"Escrevi-te confiado na tua obediência, sabendo que ainda farás mais do que digo."
Sob a Graça, os Macedónios não tinham obrigação nenhuma de guardar o dízimo, mas em vez de negligenciar a sua responsabilidade deram "ainda acima do seu poder" (II Co.8:3). Que Deus possa ajudar-nos a fazer mais do que Ele pede para nós fazermos em todos os aspectos da nossa vida cristã!
Finalmente, o livro de Filemon ilustra a doutrina Paulina de oração quando Paulo escreve ao seu amado amigo: "porque espero que pelas vossas orações vos hei-de ser concedido" (File. 22). O Apóstolo tinha tanta certeza que seria solto da prisão em resposta à oração de Filemon que lhe escreveu para preparar um quarto para ele. Nós também podemos orar com a mesma confiança que Deus fará o que for melhor espiritualmente para nós e os que nos rodeiam.
Estamos gratos pela paciência do leitor enquanto gastámos tempo a documentar como esta pequena epístola foi escrita para ilustrar a verdade Paulina. Agora iremos estudar Filemon 15, onde Paulo escreve a respeito da partida de Onésimo do seu amo:
"Porque bem pode ser que ele se tenha separado de ti por algum tempo, para que o retivesses para sempre."
À posteriori, sabemos que foi da vontade de Deus Onésimo fugir, encontrar-se com Paulo e ser salvo. As palavras "bem pode ser" aqui indicam que, ao olhar para trás, Paulo pensava que via a mão de Deus naquilo tudo, mas não tinha a certeza.
Agora iremos escrever algo que o leitor talvez não goste de ler. Acreditamos que isto ilustra que não é possível saber com certeza a vontade de Deus com antecedência. O Livro de Filemon ilustra que, embora possamos talvez ver a vontade de Deus como Paulo, à posteriori, não podemos saber com certeza a vontade de Deus com antecedência.
Então, devemos tomar as grandes decisões na vida, ou mesmo as menores, sem saber a vontade de Deus?
Esta é uma questão que trataremos a seguir.
Em seguida Paulo lembra Filemon que "noutro tempo" Onésimo "te foi inútil" como um servo incrédulo, "mas agora" regressava como um servo fiel "muito útil" (v. 11). Acreditamos que Paulo usou as palavras "noutro tempo" e "mas agora" intencionalmente para lembrar a Filemon que ele mesmo tinha sido "noutro tempo" inútil a Deus, "mas agora" era Seu servo útil (Efé. 2:11; Rom. 3:12; Efé. 2:13). Uma vez que Deus tinha sido misericordioso com Filemon, argumenta Paulo, Filemon também não deveria demonstrar misericórdia com Onésimo? Outra doutrina chave da Graça ensina que devemo-nos tratar uns aos outros como Deus nos trata (Efé. 4:32; Col. 3:13), uma doutrina que o Livro de Filemon não ensina, mas ilustra aqui.
Sob a Lei de Moisés, o povo de Israel era expressamente instruído a não devolver escravos que tinham fugido (Deu. 23:15-16). Mas Paulo devolveu Onésimo a Filemon, ilustrando de modo encantador como não estamos sob a Lei de Moisés (Rom. 6:14-15). Logicamente, Paulo foi tentado a ficar com Onésimo, o qual poderia ter ministrado às suas necessidades no lugar de Filemon (File. 14). "Mas", como ele escreve, "nada quis fazer sem o teu parecer, para que o teu benefício não fosse como por força, mas voluntário" (v. 14). As palavras "por força" e "voluntário" lembram-nos como Paulo diz que podemos contribuir para a obra do Senhor "não... por necessidade" (II Cor. 9:7), mas "se há prontidão de vontade" (II Cor. 8:12). Vemos que Paulo estava a dar a Filemon a oportunidade de dar o seu servo a Paulo de acordo com as directrizes da graça, e deste modo ter um "benefício" no Tribunal de Cristo, ilustrando deste modo ainda outra doutrina da graça.
Em seguida, Paulo intercede por Onésimo, pedindo a Filemon : "recebe-o como a mim mesmo" (v. 17). Isto não ilustra como Deus nos recebe em Cristo Jesus? Do mesmo modo que Onésimo era inaceitável a Filemon nele mesmo, mas aceitável através de Paulo, nós somos inaceitáveis a Deus em nós mesmos, mas somos " agradáveis (ou, aceitáveis) a si no Amado" (Efé. 1:6).
Os escravos que fugiam frequentemente também roubavam os seus amos para financiar a sua fuga, e sendo assim, Paulo diz a Filemon:
"E, se te fez algum dano, ou te deve alguma coisa, põe isso à minha conta" (File.18).
Que ilustração sensacional da doutrina da imputação! Como é precioso saber que, embora tenhamos ofendido muito a Deus com os nossos pecados, as nossas transgressões foram imputadas a Cristo enquanto Ele estava pendurado na cruz (II Cor. 5:21). Como estamos endividados ao Senhor por tudo o que fez por nós no Calvário, sim, Lhe devemos as nossas vidas! E como isto é bem ilustrado quando Paulo lembra Filemon: "a ti próprio a mim te deves" (v.19).
É difícil crer que Paulo pudesse dizer "me regozijarei" (v.20) depois de prometer pagar a dívida de Onésimo, mas que retrato do Senhor Jesus, "o qual pelo gozo que lhe estava proposto suportou a cruz" (Hb.12:2), pagando toda a nossa dívida do pecado no processo.
Frequentemente ouvimos dizer: "Se dissermos às pessoas que não estão debaixo da Lei, não servirão ao Senhor." Entretanto, aqueles que afirmam isto conhecem muito pouco sobre o poder da graça. Deus está confiante que sob a Graça faremos mais do que foi pedido a Israel, uma verdade ilustrada em Filemon 21:
"Escrevi-te confiado na tua obediência, sabendo que ainda farás mais do que digo."
Sob a Graça, os Macedónios não tinham obrigação nenhuma de guardar o dízimo, mas em vez de negligenciar a sua responsabilidade deram "ainda acima do seu poder" (II Co.8:3). Que Deus possa ajudar-nos a fazer mais do que Ele pede para nós fazermos em todos os aspectos da nossa vida cristã!
Finalmente, o livro de Filemon ilustra a doutrina Paulina de oração quando Paulo escreve ao seu amado amigo: "porque espero que pelas vossas orações vos hei-de ser concedido" (File. 22). O Apóstolo tinha tanta certeza que seria solto da prisão em resposta à oração de Filemon que lhe escreveu para preparar um quarto para ele. Nós também podemos orar com a mesma confiança que Deus fará o que for melhor espiritualmente para nós e os que nos rodeiam.
Estamos gratos pela paciência do leitor enquanto gastámos tempo a documentar como esta pequena epístola foi escrita para ilustrar a verdade Paulina. Agora iremos estudar Filemon 15, onde Paulo escreve a respeito da partida de Onésimo do seu amo:
"Porque bem pode ser que ele se tenha separado de ti por algum tempo, para que o retivesses para sempre."
À posteriori, sabemos que foi da vontade de Deus Onésimo fugir, encontrar-se com Paulo e ser salvo. As palavras "bem pode ser" aqui indicam que, ao olhar para trás, Paulo pensava que via a mão de Deus naquilo tudo, mas não tinha a certeza.
Agora iremos escrever algo que o leitor talvez não goste de ler. Acreditamos que isto ilustra que não é possível saber com certeza a vontade de Deus com antecedência. O Livro de Filemon ilustra que, embora possamos talvez ver a vontade de Deus como Paulo, à posteriori, não podemos saber com certeza a vontade de Deus com antecedência.
Então, devemos tomar as grandes decisões na vida, ou mesmo as menores, sem saber a vontade de Deus?
Esta é uma questão que trataremos a seguir.
- Ricky Kurth
(Continua)
(Continua)
Discernindo a Vontade de Deus (I)
Discernindo a Vontade de Deus (II)
Discernindo a Vontade de Deus (III)
Discernindo a Vontade de Deus (IV)
Discernindo a Vontade de Deus (V)
Discernindo a Vontade de Deus (VI)
Discernindo a Vontade de Deus (VII)
Discernindo a Vontade de Deus (VIII)
Discernindo a Vontade de Deus (IX)
Discernindo a Vontade de Deus (X)
Discernindo a Vontade de Deus (XI)
Discernindo a Vontade de Deus (II)
Discernindo a Vontade de Deus (III)
Discernindo a Vontade de Deus (IV)
Discernindo a Vontade de Deus (V)
Discernindo a Vontade de Deus (VI)
Discernindo a Vontade de Deus (VII)
Discernindo a Vontade de Deus (VIII)
Discernindo a Vontade de Deus (IX)
Discernindo a Vontade de Deus (X)
Discernindo a Vontade de Deus (XI)



