Discernindo a Vontade de Deus (VI)
PARTE III
Talvez a declaração mais básica e fundamental sobre a vontade de Deus se encontre em II Timóteo 2:3-4:
"...DEUS nosso Salvador, que QUER que todos os homens se salvem [sejam salvos], e venham ao conhecimento da verdade."
"...DEUS nosso Salvador, que QUER que todos os homens se salvem [sejam salvos], e venham ao conhecimento da verdade."
Se o leitor não está salvo, é da vontade de Deus que seja salvo dos seus pecados. Se está salvo, é da vontade de Deus que chegue a um conhecimento da verdade, a verdade da singularidade da revelação Paulina. Se está salvo, é da vontade de Deus que leve outras pessoas a serem salvas, e as ajude a terem um conhecimento da verdade. E a vontade de Deus em todas as áreas da sua vida, gira em torno da vontade d’Ele nestas áreas. Para demonstrar isto, consideraremos neste artigo algumas referências relacionadas com a vontade de Deus na vida do Apóstolo Paulo. Encontramos a primeira em Actos 18:
"E chegou a Éfeso, e... rogando-lhe eles que ficasse por mais algum tempo, não conveio nisso. Antes se despediu deles, dizendo... outra vez voltarei a vós" (At.18:19-21).
À posteriori vê-se claramente que foi da vontade de Deus que Paulo voltasse a Éfeso, porque ao chegar ali, estabeleceu uma igreja muito espiritual e a base de operações a partir da qual "todos os que habitavam na Ásia ouviram a Palavra do Senhor Jesus" (Act. 19:1,9-10). Se é da vontade de Deus que as pessoas sejam salvas e venham ao conhecimento da verdade, então foi claramente da vontade de Deus que Paulo voltasse a Éfeso.
Em Actos 21, Paulo foi avisado que se fosse a Jerusalém seria preso (v. 10-12). Quando o apóstolo determinou partir de qualquer modo, os discípulos responderam: "Faça-se a vontade do Senhor" (v. 14). Mas seria mesmo da vontade do Senhor? Aparentemente não era! Chegando Paulo a Jerusalém, quase morreu espancado pelos judeus, somente escapando quando os romanos o prenderam (v. 31-33). Mas lembremo-nos que a vontade de Deus não era que ele tivesse uma vida fácil, mas que as pessoas fossem salvas e viessem ao conhecimento da verdade. E nós sabemos que este foi o resultado da experiência de Paulo pelo que ele escreveu no primeiro capítulo aos Filipenses, onde ele explicou que "as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do Evangelho" e que:
"As minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana, e por todos os demais lugares" (Fil. 1:13).
A prisão de Paulo e o seu subsequente aprisionamento em Roma, deu-lhe a capacidade de alcançar membros influentes do palácio de César com o Evangelho (Fil. 4:22), e a verdade foi logo espalhada de lá "por todos os demais lugares". E como Paulo escreveu mais tarde:
"...muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a Palavra mais confiadamente, sem temor" (Fil. 1:14).
E, além disso, o aprisionamento de Paulo em Roma teve ainda um outro resultado benéfico:
"E Paulo ficou dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara... pregando o reino de Deus, e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum" (Act. 28:30-31).
Antes do seu aprisionamento, muitos homens tinham-no proibido de pregar o Evangelho, e a grande variedade de perigos que enumera em II Coríntios 11:23-27 era uma preocupação constante. Mas os guardas romanos que foram encarregados de impedir que ele escapasse passaram a servir como sua segurança pessoal, protegendo-o de situações perigosas e de qualquer pessoa que pudesse ameaçá-lo por pregar a verdade! Portanto, à posteriori, podemos dizer que a viagem de Paulo a Jerusalém foi certamente de acordo com a vontade de Deus.
Ao prosseguirmos nas epístolas de Paulo, encontramo-lo a orar e –
"Pedindo sempre em minhas orações que nalgum tempo, PELA VONTADE DE DEUS, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco" (Rom. 1:10).
A referência de Paulo sobre a vontade de Deus aqui assegura-nos que ele não orava pelo seu sucesso pessoal (boa ocasião), mas que a sua viagem (ofereça boa ocasião de ir ter convosco) pudesse ser bem-sucedida no levar almas a Cristo e no ensinar-lhes a verdade. Como seria bom se todo o povo de Deus orasse por este tipo de sucesso!
Agora uma pergunta séria: Estamos dispostos a orar, como Paulo orou, para que Deus possa usar-nos de qualquer modo pelo sucesso do Evangelho na nossa vida? Antes de respondermos, lembremo-nos que os meios que Deus escolheu para tornar o Evangelho bem-sucedido na vida de Paulo incluiu ser açoitado, apedrejado e preso, já para não falar de uma tempestade no mar que durou duas semanas quando ele estava a ser levado a Roma (Actos 27). O mundo não consideraria isto como sendo algo "bem-sucedido", mas aqueles que moravam na ilha e ouviram o Evangelho depois do navio de Paulo ter ali naufragado discordariam!
Foi Deus que enviou aquela tempestade? Não, pensamos que, pelo contrário, foi Satanás quem a enviou. Nós apenas servimos a um Deus que sabe tirar vantagem da oposição de Satanás, o que nos leva à próxima referência que Paulo faz sobre a vontade de Deus:
"E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é Ele que SEGUNDO DEUS intercede pelos santos" (Rom. 8:26-27).
As "fraquezas" (v. 26) que fazem com que gemamos com dores (v. 22), levam-nos naturalmente a orar pela sua remoção, do mesmo modo que Paulo orou (II Cor. 12:7-8). Entretanto, Deus sabia que a remoção do espinho na carne de Paulo não era, espiritualmente, o melhor para ele, e assim negou o seu pedido. Do mesmo modo, com o nosso entendimento espiritual limitado sobre o que é melhor espiritualmente, nós também gememos pela remoção das enfermidades. Mas o Espírito geme por aquilo que é melhor espiritualmente, "com gemidos inexprimíveis" por nós devido ao nosso entendimento limitado. Se Paulo soubesse que ser açoitado, apedrejado e preso teria dado tanta vantagem ao avanço do Evangelho, é bem provável que teria orado de boa vontade que estas dificuldades lhe tivessem acontecido.
Como é que, então, o Espírito intercede por nós? Bem, "aquele que examina os corações" é Deus (I Cró. 28:9). No entanto, poderíamos pensar que o texto deveria ter sido escrito desta forma: "Aquele que examina os corações conhece a sua mente", mas não está escrito desta forma. Em vez disto, Paulo escreve que o Deus que examina os nossos corações conhece a mente do Espírito! E diferentemente de nós, o Espírito sabe se a remoção de enfermidades ou de problemas é a melhor forma para levar as pessoas a Cristo e levá-las a um conhecimento da verdade. E, portanto, quando oramos pela remoção dos espinhos e problemas, não sabendo "o que havemos de pedir como convém", o Espírito "intercede pelos santos" segundo a vontade de Deus.
Isto significa que Deus não ouve as nossas orações ou conhece os nossos corações? Sabemos que isto não é a verdade para ambas as perguntas, pois em II Crónicas 6:7-9 Salomão disse:
"Também David meu pai teve no seu coração o edificar uma casa ao nome do Senhor... Porém o Senhor disse a David meu pai: Porquanto tiveste no teu coração o edificar uma casa ao meu nome, bem fizeste, de ter isto no teu coração. Contudo tu não edificarás a casa mas teu filho...".
Aqui é óbvio que Deus examinou o coração de David e sabia que ele queria construir um templo para o Senhor. Entretanto, Deus não queria que David construísse o templo, uma vez ele que era um homem de guerra (I Cró. 28:3). E embora Ele conhecesse o desejo do coração de David, mesmo tendo-o elogiado pelo facto, Ele agiu de acordo com a Sua própria vontade.
Acreditamos que esta é uma boa ilustração de como a oração funciona, de acordo com Romanos 8:26-27. Deus ouve as nossas orações e conhece os nossos corações, mas responde a oração de acordo com a Sua vontade, a Sua vontade que todos sejam salvos e venham ao conhecimento da verdade. Isto significa que apenas devemos orar para que as pessoas sejam salvas? É claro que não, porque na referência seguinte de Paulo sobre a vontade de Deus, ele escreve:
"E rogo-vos irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo... que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus; Para que seja livre dos rebeldes que estão na Judéia, e que esta minha administração, que em Jerusalém faço, seja bem aceita pelos santos; A fim de que, chegue a vós com alegria, PELA VONTADE DE DEUS..." (Rom. 15:30-32).
Paulo, ao mencionar as "orações por mim", ensina-nos que não há nada de errado em pedir que as pessoas orem por nós, enquanto que seja como está escrito aqui, "por nosso Senhor Jesus Cristo". Isto é, Paulo pediu que orassem pela sua segurança pessoal para que pudesse entregar as ofertas que ele tinha levantado entre os gentios para serem distribuídas entre os santos pobres em Jerusalém (Rom. 15:23-27), e depois pela visita que queria fazer junto aos irmãos de Roma com toda "a plenitude da bênção do Evangelho" (Rom.15:29). É por isso que concluímos que é correcto fazer petições a Deus pela segurança pessoal para podermos continuar a comunicar o Evangelho e a Mensagem da Graça, que é da vontade de Deus para nós hoje. Se algum irmão pedisse a este escritor que orasse a respeito da saúde ou segurança dele apenas com o propósito de passar a vida sem ter qualquer doença, ferimento ou problema, eu recusaria na hora, mas ficaria contente em orar pelo irmão em áreas como estas para que possa continuar a servir o Senhor.
Quando Paulo pediu aos irmãos de Roma que orassem para que ele pudesse chegar a eles "com alegria" (v. 32), somos tentados a concluir que Deus não respondeu a esta parte da oração de Paulo, quando consideramos que foram os açoites, apedrejamento e a prisão que o levou a Roma. Entretanto, sugerimos que mesmo assim Paulo chegou a Roma com alegria, apesar das dificuldades, quando reflectiu na bênção espiritual que a sua viagem tinha trazido àqueles que moravam na ilha, aos romanos e aos santos pobres em Jerusalém. Também podemos aprender a ter alegria, independentemente da forma como Deus responde às nossas orações, se aprendemos a regozijarmo-nos nas coisas certas – na salvação dos perdidos e na iluminação do entendimento dos salvos para a verdade.
Assim sendo, seria verdade que Deus faz com que as pessoas fiquem com um cancro, ou que uma tempestade destrua as suas casas, ou que os seus bebés morram só para realizar o bem espiritual? Não, do mesmo modo que a tempestade trouxe o Evangelho àqueles ilhéus, coisas deste tipo têm sua origem ou na oposição de Satanás, ou na colheita do que se semeia (Gál. 6:7), ou apenas na consequência de se viver num mundo amaldiçoado pelo pecado. Deus não espera que nos regozijemos nestas coisas, mas encoraja-nos a regozijar no bem espiritual que Ele pode operar através destas coisas (Rom. 8:28).
"E chegou a Éfeso, e... rogando-lhe eles que ficasse por mais algum tempo, não conveio nisso. Antes se despediu deles, dizendo... outra vez voltarei a vós" (At.18:19-21).
À posteriori vê-se claramente que foi da vontade de Deus que Paulo voltasse a Éfeso, porque ao chegar ali, estabeleceu uma igreja muito espiritual e a base de operações a partir da qual "todos os que habitavam na Ásia ouviram a Palavra do Senhor Jesus" (Act. 19:1,9-10). Se é da vontade de Deus que as pessoas sejam salvas e venham ao conhecimento da verdade, então foi claramente da vontade de Deus que Paulo voltasse a Éfeso.
Em Actos 21, Paulo foi avisado que se fosse a Jerusalém seria preso (v. 10-12). Quando o apóstolo determinou partir de qualquer modo, os discípulos responderam: "Faça-se a vontade do Senhor" (v. 14). Mas seria mesmo da vontade do Senhor? Aparentemente não era! Chegando Paulo a Jerusalém, quase morreu espancado pelos judeus, somente escapando quando os romanos o prenderam (v. 31-33). Mas lembremo-nos que a vontade de Deus não era que ele tivesse uma vida fácil, mas que as pessoas fossem salvas e viessem ao conhecimento da verdade. E nós sabemos que este foi o resultado da experiência de Paulo pelo que ele escreveu no primeiro capítulo aos Filipenses, onde ele explicou que "as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do Evangelho" e que:
"As minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana, e por todos os demais lugares" (Fil. 1:13).
A prisão de Paulo e o seu subsequente aprisionamento em Roma, deu-lhe a capacidade de alcançar membros influentes do palácio de César com o Evangelho (Fil. 4:22), e a verdade foi logo espalhada de lá "por todos os demais lugares". E como Paulo escreveu mais tarde:
"...muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a Palavra mais confiadamente, sem temor" (Fil. 1:14).
E, além disso, o aprisionamento de Paulo em Roma teve ainda um outro resultado benéfico:
"E Paulo ficou dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara... pregando o reino de Deus, e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum" (Act. 28:30-31).
Antes do seu aprisionamento, muitos homens tinham-no proibido de pregar o Evangelho, e a grande variedade de perigos que enumera em II Coríntios 11:23-27 era uma preocupação constante. Mas os guardas romanos que foram encarregados de impedir que ele escapasse passaram a servir como sua segurança pessoal, protegendo-o de situações perigosas e de qualquer pessoa que pudesse ameaçá-lo por pregar a verdade! Portanto, à posteriori, podemos dizer que a viagem de Paulo a Jerusalém foi certamente de acordo com a vontade de Deus.
Ao prosseguirmos nas epístolas de Paulo, encontramo-lo a orar e –
"Pedindo sempre em minhas orações que nalgum tempo, PELA VONTADE DE DEUS, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco" (Rom. 1:10).
A referência de Paulo sobre a vontade de Deus aqui assegura-nos que ele não orava pelo seu sucesso pessoal (boa ocasião), mas que a sua viagem (ofereça boa ocasião de ir ter convosco) pudesse ser bem-sucedida no levar almas a Cristo e no ensinar-lhes a verdade. Como seria bom se todo o povo de Deus orasse por este tipo de sucesso!
Agora uma pergunta séria: Estamos dispostos a orar, como Paulo orou, para que Deus possa usar-nos de qualquer modo pelo sucesso do Evangelho na nossa vida? Antes de respondermos, lembremo-nos que os meios que Deus escolheu para tornar o Evangelho bem-sucedido na vida de Paulo incluiu ser açoitado, apedrejado e preso, já para não falar de uma tempestade no mar que durou duas semanas quando ele estava a ser levado a Roma (Actos 27). O mundo não consideraria isto como sendo algo "bem-sucedido", mas aqueles que moravam na ilha e ouviram o Evangelho depois do navio de Paulo ter ali naufragado discordariam!
Foi Deus que enviou aquela tempestade? Não, pensamos que, pelo contrário, foi Satanás quem a enviou. Nós apenas servimos a um Deus que sabe tirar vantagem da oposição de Satanás, o que nos leva à próxima referência que Paulo faz sobre a vontade de Deus:
"E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é Ele que SEGUNDO DEUS intercede pelos santos" (Rom. 8:26-27).
As "fraquezas" (v. 26) que fazem com que gemamos com dores (v. 22), levam-nos naturalmente a orar pela sua remoção, do mesmo modo que Paulo orou (II Cor. 12:7-8). Entretanto, Deus sabia que a remoção do espinho na carne de Paulo não era, espiritualmente, o melhor para ele, e assim negou o seu pedido. Do mesmo modo, com o nosso entendimento espiritual limitado sobre o que é melhor espiritualmente, nós também gememos pela remoção das enfermidades. Mas o Espírito geme por aquilo que é melhor espiritualmente, "com gemidos inexprimíveis" por nós devido ao nosso entendimento limitado. Se Paulo soubesse que ser açoitado, apedrejado e preso teria dado tanta vantagem ao avanço do Evangelho, é bem provável que teria orado de boa vontade que estas dificuldades lhe tivessem acontecido.
Como é que, então, o Espírito intercede por nós? Bem, "aquele que examina os corações" é Deus (I Cró. 28:9). No entanto, poderíamos pensar que o texto deveria ter sido escrito desta forma: "Aquele que examina os corações conhece a sua mente", mas não está escrito desta forma. Em vez disto, Paulo escreve que o Deus que examina os nossos corações conhece a mente do Espírito! E diferentemente de nós, o Espírito sabe se a remoção de enfermidades ou de problemas é a melhor forma para levar as pessoas a Cristo e levá-las a um conhecimento da verdade. E, portanto, quando oramos pela remoção dos espinhos e problemas, não sabendo "o que havemos de pedir como convém", o Espírito "intercede pelos santos" segundo a vontade de Deus.
Isto significa que Deus não ouve as nossas orações ou conhece os nossos corações? Sabemos que isto não é a verdade para ambas as perguntas, pois em II Crónicas 6:7-9 Salomão disse:
"Também David meu pai teve no seu coração o edificar uma casa ao nome do Senhor... Porém o Senhor disse a David meu pai: Porquanto tiveste no teu coração o edificar uma casa ao meu nome, bem fizeste, de ter isto no teu coração. Contudo tu não edificarás a casa mas teu filho...".
Aqui é óbvio que Deus examinou o coração de David e sabia que ele queria construir um templo para o Senhor. Entretanto, Deus não queria que David construísse o templo, uma vez ele que era um homem de guerra (I Cró. 28:3). E embora Ele conhecesse o desejo do coração de David, mesmo tendo-o elogiado pelo facto, Ele agiu de acordo com a Sua própria vontade.
Acreditamos que esta é uma boa ilustração de como a oração funciona, de acordo com Romanos 8:26-27. Deus ouve as nossas orações e conhece os nossos corações, mas responde a oração de acordo com a Sua vontade, a Sua vontade que todos sejam salvos e venham ao conhecimento da verdade. Isto significa que apenas devemos orar para que as pessoas sejam salvas? É claro que não, porque na referência seguinte de Paulo sobre a vontade de Deus, ele escreve:
"E rogo-vos irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo... que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus; Para que seja livre dos rebeldes que estão na Judéia, e que esta minha administração, que em Jerusalém faço, seja bem aceita pelos santos; A fim de que, chegue a vós com alegria, PELA VONTADE DE DEUS..." (Rom. 15:30-32).
Paulo, ao mencionar as "orações por mim", ensina-nos que não há nada de errado em pedir que as pessoas orem por nós, enquanto que seja como está escrito aqui, "por nosso Senhor Jesus Cristo". Isto é, Paulo pediu que orassem pela sua segurança pessoal para que pudesse entregar as ofertas que ele tinha levantado entre os gentios para serem distribuídas entre os santos pobres em Jerusalém (Rom. 15:23-27), e depois pela visita que queria fazer junto aos irmãos de Roma com toda "a plenitude da bênção do Evangelho" (Rom.15:29). É por isso que concluímos que é correcto fazer petições a Deus pela segurança pessoal para podermos continuar a comunicar o Evangelho e a Mensagem da Graça, que é da vontade de Deus para nós hoje. Se algum irmão pedisse a este escritor que orasse a respeito da saúde ou segurança dele apenas com o propósito de passar a vida sem ter qualquer doença, ferimento ou problema, eu recusaria na hora, mas ficaria contente em orar pelo irmão em áreas como estas para que possa continuar a servir o Senhor.
Quando Paulo pediu aos irmãos de Roma que orassem para que ele pudesse chegar a eles "com alegria" (v. 32), somos tentados a concluir que Deus não respondeu a esta parte da oração de Paulo, quando consideramos que foram os açoites, apedrejamento e a prisão que o levou a Roma. Entretanto, sugerimos que mesmo assim Paulo chegou a Roma com alegria, apesar das dificuldades, quando reflectiu na bênção espiritual que a sua viagem tinha trazido àqueles que moravam na ilha, aos romanos e aos santos pobres em Jerusalém. Também podemos aprender a ter alegria, independentemente da forma como Deus responde às nossas orações, se aprendemos a regozijarmo-nos nas coisas certas – na salvação dos perdidos e na iluminação do entendimento dos salvos para a verdade.
Assim sendo, seria verdade que Deus faz com que as pessoas fiquem com um cancro, ou que uma tempestade destrua as suas casas, ou que os seus bebés morram só para realizar o bem espiritual? Não, do mesmo modo que a tempestade trouxe o Evangelho àqueles ilhéus, coisas deste tipo têm sua origem ou na oposição de Satanás, ou na colheita do que se semeia (Gál. 6:7), ou apenas na consequência de se viver num mundo amaldiçoado pelo pecado. Deus não espera que nos regozijemos nestas coisas, mas encoraja-nos a regozijar no bem espiritual que Ele pode operar através destas coisas (Rom. 8:28).
- Ricky Kurth
(Continua)
(Continua)
Discernindo a Vontade de Deus (I)
Discernindo a Vontade de Deus (II)
Discernindo a Vontade de Deus (III)
Discernindo a Vontade de Deus (IV)
Discernindo a Vontade de Deus (V)
Discernindo a Vontade de Deus (VI)
Discernindo a Vontade de Deus (VII)
Discernindo a Vontade de Deus (VIII)
Discernindo a Vontade de Deus (IX)
Discernindo a Vontade de Deus (X)
Discernindo a Vontade de Deus (XI)
Discernindo a Vontade de Deus (II)
Discernindo a Vontade de Deus (III)
Discernindo a Vontade de Deus (IV)
Discernindo a Vontade de Deus (V)
Discernindo a Vontade de Deus (VI)
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