A Senda da Graça (LXVIII)

Nem toda a escola Cristã, igreja ou família opera de forma tão fria. Alguns vêem a desobediência como um acto do intelecto e da vontade. Antes deles expulsarem o indivíduo desobediente, a liderança quer saber se a pessoa tinha conhecimento de que era errado cometer o acto. Se o transgressor puder convencer a liderança de que o pecado foi cometido em “ignorância e incredulidade” a pessoa pode obter misericórdia (1 Timóteo 1:13). Por outro lado, se o transgressor tinha conhecimento do que a Bíblia dizia sobre a matéria e foi desobediente de qualquer modo, bem então, o pecador é retirado da comunhão da igreja. O raciocínio aqui é que se alguém sabe que fazer algo é errado, então fazê-lo é pecado e o pecado deve ser castigado.
O problema é que todos nós sabemos mais, do que o que pomos em prática nas nossas vidas. Os nossos hábitos alimentares reflectem sempre o nosso conhecimento nutricional? A maior parte de nós sabe que deveria comer melhor, mas opta por ser inconsistente nos hábitos alimentares. A nossa actividade diária reflecte o nosso conhecimento do exercício adequado? Quantos de nós temos dito, “Preciso de fazer mais exercício”? Mas temo-lo feito? A maioria das vezes não. Quantas vezes temos dito, “Preciso de orar mais … de ler mais a Bíblia … de assistir mais à igreja …”? Porque é que existe um hiato tão grande entre o que sabemos e o que fazemos? Creio que é porque falhamos em toda a ideia do “desejo.”
Nós assumimos que se as pessoas sabem que devem fazer a coisa certa, fá-la-ão. Quando não fazem, ficamos aborrecidos. Perguntamos aos nossos filhos, “Porque é que fizeste isso?” A resposta que recebemos de volta ou é um encolher de ombros ou um gaguejar, “Não sei.”
“Quando o nosso intelecto e desejo entram em conflito, usualmente obedecemos aos nossos desejos.”
A resposta correcta é, “Eu fi-lo porque o quis fazer.” Quando o nosso intelecto e desejos entram em conflito, usualmente obedecemos aos nossos desejos. Todo o vendedor de carros usados conhece esta verdade! Quando a nossa boca diz que queremos um carro prático, mas os nossos olhos não disfarçam o desejo por um carro desportivo, o vendedor impingir-nos-á permanentemente um carro desportivo, conseguindo normalmente a venda. Semelhantemente, quando o nosso conhecimento do que a Bíblia diz sobre o que devemos fazer e os nossos desejos entram em conflito, muitas vezes seguimos a direcção dos nossos desejos. Até desejarmos obedecer à Palavra de Deus, a nossa obediência não será a nossa primeira escolha.
Portanto, como pastores ou pais, como é que ajudamos os que estão sob a nossa autoridade para serem obedientes a Deus? Uma coisa que podemos fazer é compreender que o elemento de ligação entre o intelecto e o comportamento é o desejo. Uma vez que compreendamos isto podemos ensinar aos outros o conceito da obediência baseada no desejo. Podemos ensinar a importância de se ter desejos piedosos. E podemos ensinar que Deus nos quer dar esses desejos. Podemos orar por nós, procurando o desejo de fazer a vontade de Deus. Podemos orar para que possamos desejar ser activos no processo, e não apenas procurarmos os resultados. Então podemos fazer esta oração pelos outros.
Quando aconselharmos os que têm sido desobedientes a Deus, podemos partilhar a necessidade de desejar obedecer a Deus. Podemos vincar a importância da rendição ao Espírito Santo e não extinguir a Sua liderança, de modo a que O Espírito Santo seja livre de continuar a Sua obra no nosso interior, incluindo o dar-nos o desejo de fazer a vontade de Deus.
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