Atributos de Deus (II)

O Conhecimento de Deus

     DEUS É OMNISCIENTE. Ele conhece tudo; tudo o que é possível, tudo de facto; todos os eventos, todas as criaturas, o passado, o presente e o futuro. Ele está perfeitamente relacionado com todos os detalhes das vidas de todos os seres que estão no céu, na terra, e no inferno. «Ele conhece o que está nas trevas» (Dan. 2.22). Nada escapa à Sua atenção, nada Lhe pode ser escondido, Ele de nada se esquece. Bem podemos dizer com o Salmista, «Tal ciência (conhecimento) é para mim maravilhosíssima(o); tão alta(o) que não a(o) posso atingir» (Sal. 139.6). O Seu conhecimento é perfeito. Ele nunca erra, nunca muda, nunca deixa passar nada. «E não há criatura alguma encoberta diante d'Ele; antes todas as coisas estão nuas e patentes, aos olhos d'Aquele com Quem temos de tratar» (Heb. 4.13). É este o Deus «com Quem temos de tratar»!

     «Tu conheces o meu assentar e o meu levantar: de longe, entendes o meu pensamento. Cercas o meu andar e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos. Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo conheces» (Sal. 139.2-4). Quão maravilhoso é o Deus das Escrituras! Na nossa estima cada um dos Seus atributos gloriosos deveria levar-nos a honrá-lO. Na apreensão da Sua omnisciência deveríamos curvar-nos diante d'Ele em adoração. E, no entanto, quão pouco nós meditamos nesta perfeição divina! Porque será? Porque pensar nisso nos enche de mal-estar, preocupação, intranquilidade, receio?

     Quão solene é este facto: nada poder ser escondido de Deus! «Porque, quanto às coisas que vos sobem ao espírito Eu as conheço» (Ezeq. 11.5). Apesar d'Ele ser invisível para nós, nós não o somos para Ele. Nem as trevas da noite, nem as cortinas mais espessas, nem a mais profunda masmorra pode esconder o pecador dos olhos do Omnisciente. As árvores do jardim não puderam ocultar os nossos primeiros pais. Nenhum olho humano viu Caim assassinar o seu irmão, mas o seu Criador testemunhou o crime. Sara podia-se rir ironicamente no isolamento da sua tenda, no entanto Jeová ouviu-a. Acã furtou um objecto de ouro e escondeu-o cuidadosamente na terra, contudo Deus trouxe-o à luz. David encheu-se de pesares para encobrir a sua maldade, mas o Deus que tudo vê enviou-lhe um dos Seus servos para lhe dizer, «Tu és este homem!». A nós agora também nos é dito, «o vosso pecado vos achará» (Núm. 32.23).

     Se os homens pudessem despiriam Deus da Sua omnisciência, «porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus» (Rom. 8.7). Naturalmente os ímpios odeiam esta perfeição divina, como são obrigados a reconhecer. Eles desejariam que não houvesse Testemunha dos seus pecados, nem Prescrutador dos seus corações, nem Juiz das sua obras. Eles procuram banir um tal Deus dos seus pensamentos: «E não dizem no seu coração que Eu Me lembro de toda a sua maldade» (Ose. 7.2). Quão solene é o Salmo 90.8!  Boa razão têm os rejeitadores de Cristo para tremerem perante isto. «Diante de Ti puseste as nossas iniquidades, os nossos pecados ocultos à luz do Teu rosto».

     Todavia para o crente, o facto da omnisciência de Deus é uma verdade impregnada de muito conforto. Em tempos de perplexidade ele diz com Job, «Mas Ele sabe o meu caminho» (Job 23.10). Pode ser profundamente misterioso para mim, bastante incompreensível para os meus amigos, mas «Ele sabe»! Em tempos de fadiga e fraqueza os crentes são assegurados de que «Ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó» (Sal. 103.14). Em tempos de dúvida e desconfiança eles apelam para este atributo, dizendo, «Sonda-me ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno» (Sal. 139.23,24). Em tempos de triste fracasso, quando as nossas acções têm desmentido os nossos corações, quando as nossas obras têm repudiado a nossa devoção, e a questão penetrante nos é colocada, «Amas-Me?»; nós dizemos, como Pedro disse, «Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que eu Te amo» (João 21.17).

     E é um grande encorajamento à oração. Não há nenhum motivo para temer que as orações dos justos não sejam ouvidas, ou que as suas lágrimas escapem à atenção de Deus, uma vez que Ele conhece os pensamentos e intenções do coração. Não há nenhum perigo do santo individual ser esquecido no meio da multidão de suplicantes que apresentam as suas petições a toda a hora, pois uma Mente infinita é capaz de prestar a mesma atenção a milhões como se apenas um buscasse a Sua atenção. Também a falta de linguagem apropriada, a incapacidade de dar expressão aos mais profundos anelos da alma, não porá em perigo as nossas orações, pois «será que antes que clamem, Eu responderei; estando eles ainda falando, Eu os ouvirei» (Isa. 65.24).

     «Grande é o nosso Senhor; e de grande poder; o Seu entendimento é infinito» (Sal. 147.5). Deus sabe tudo o que aconteceu no passado em toda a parte dos Seus vastos domínios e está totalmente relacionado com tudo o que transpira presentemente em todo o universo. Mas Ele é também perfeitamente conhecedor de todos os eventos, do menor ao maior, que acontecerão nos séculos vindouros. O conhecimento de Deus do futuro é tão completo como o Seu conhecimento do passado e do presente, pois o futuro depende totalmente de Si. Se fosse possível alguma coisa acontecer sem a Sua acção ou permissão directa, isso teria acontecido independente d'Ele, e Ele deixaria automaticamente de ser Supremo. Este facto é de si uma garantia de que tudo quanto Ele anuncia para o futuro se cumprirá integralmente. E, assim sendo, nada relativamente ao futuro é incerto. Não há nenhum evento futuro que seja apenas uma mera possibilidade, isto é, algo que possa ou não vir a acontecer. Para o Senhor as Suas obras são «conhecidas deste toda a eternidade» (Act. 15.18). Tudo o que Deus tem decretado é absolutamente certo, pois n'Ele «não há mudança nem sombra de variação» (Tia. 1.17). Por isso lemos, no princípio do livro que nos revela muito do futuro, «as coisas que brevemente devem acontecer» (Apoc. 1.1).

     O conhecimento perfeito de Deus está ilustrado e exemplificado em todas as profecias registadas na Sua Palavra. No Velho Testamento, inúmeras predições a respeito da história de Israel foram cumpridas no seu detalhe mais minucioso, séculos depois de terem sido feitas. Muitas mais a respeito da carreira terrena do Senhor Jesus Cristo foram também cumpridas perfeita e literalmente. Tais profecias só poderiam ter sido dadas por Aquele que conhecia o fim desde o princípio, cujo conhecimento descansava na certeza incondicional do cumprimento de tudo o que fora predito. De modo semelhante, tanto o Novo como o Velho Testamentos encerram muitos outros anúncios ainda futuros. Também estes «convém que se cumpram» (Luc. 24.44), porque foram preditos por Aquele que os decretou.

     O conhecimento de Deus deveria encher-nos de assombro. Quão exaltado Ele está acima do homem mais sábio! Nenhum de nós sabe o que um dia nos pode trazer, contudo todo o futuro está patente perante o Seu olhar omnisciente. O conhecimento infinito de Deus deveria encher-nos de um santo temor. Nada do que fazemos, dizemos, ou mesmo pensamos, escapa ao conhecimento d'Aquele com Quem temos de tratar: «Os olhos do Senhor estão em todo o lugar, contemplando os maus e os bons» (Prov. 15.3). Que travão para nós, se meditássemos nisto mais vezes! Em vez de actuarmos irreflectida e imprudentemente, diríamos com Hagar, «Tu és Deus da vista, porque disse: Não olhei eu também para Aquele que me vê?» (Gén. 16.13). A apreensão do conhecimento infinito de Deus deve encher o crente de adoração. Toda a nossa vida está patente à Sua vista desde o princípio. Ele viu todos os meus pecados, todas as minhas quedas, todos os meus retrocessos; mas apesar disso, Ele amou-me. Oh, como a realização deste facto me deve levar a curvar em admiração e adoração perante Ele!

- Arthur W. Pink

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