Atributos de Deus (I)

Introdução

     «Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas sua riquezas; mas o que se gloriar glorie-se nisto; em Me conhecer e saber que Eu sou o Senhor; que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas Me agrado, diz o Senhor» (Jer. 9.23,24).

     O conhecimento de Deus é a maior necessidade do ser humano. O fundamento do verdadeiro conhecimento de Deus consiste na apreensão das Suas perfeições, como estão reveladas nas sagradas Escrituras. Não se pode confiar, servir ou adorar um Deus desconhecido. Este estudo visa apresentar algumas das principais perfeições do carácter de Deus.

     É necessário aplicar a Sua verdade à consciência e coração a fim de que a nossa vida seja consequentemente transformada. Necessitamos mais do que o mero conhecimento teórico de Deus. Deus só é verdadeiramente conhecido na alma quando a Ele nos rendemos e nos submetemos à Sua autoridade, deixando-O regular todos os detalhes da nossa vida pelos Seus santos preceitos. Por isso, como Oseias disse, «Conheçamos, E PROSSIGAMOS EM CONHECER ao Senhor» (Oseias 6.3). «Se alguém QUISER FAZER A VONTADE D'ELE, ... CONHECERÁ ...» (João 7.17). «... O POVO QUE CONHECE AO SEU DEUS SE ESFORÇARÁ (SERÁ FORTE) E FARÁ PROEZAS» (Dan. 11.32).
- Arthur W. Pink

A Solitude de Deus

Este título talvez seja algo enigmático, mas não encontrámos um termo melhor que retrate a verdade que vamos abordar. Estamos tão pouco acostumados a meditar nas perfeições pessoais de Deus que esta terminologia até nos soa estranheza. A grandeza do carácter de Deus é deslumbrante. Que Deus é grande em sabedoria, maravilhoso em poder e ainda assim cheio de misericórdia, é praticamente conhecimento comum, mas os Seus atributos incluem outras verdades que, particularmente nestes tempos de degeneração espiritual, muito poucos conhecem. Por exemplo, Deus é solitário, singular, único, na Sua excelência (Êxodo 15.11) - «Ó Senhor, QUEM É COMO TU entre os deuses? QUEM É COMO TU glorificado em santidade, terrível em louvores, obrando maravilhas?».

«No princípio, Deus ...». Houve um tempo, se de "tempo" se pode chamar, que Deus, na unidade da Sua natureza (apesar de subsistir ao mesmo tempo em três Pessoas Divinas) habitou completamente só. «No princípio, Deus». Não havia céu, onde a Sua glória é agora particularmente manifestada. Não havia terra que comprometesse a Sua atenção. Não havia anjos que cantassem os Seus louvores. Não havia nenhum universo que tivesse que ser seguro pela Palavra do Seu poder. Não havia nada, nem ninguém, mas tão somente Deus; e isso, não por um dia, não por um ano, não por um século, mas «desde a eternidade». Durante a eternidade passada, Deus estava só - contido, suficiente, satisfeito, não necessitando de nada. Tivessem o universo, anjos, ou seres humanos, sido-Lhe necessários em alguma medida, também teriam sido chamados à existência desde toda a eternidade. A sua criação, quando Deus os criou, nada Lhe acrescentou essencialmente. Ele não muda (Mal. 3.6), por conseguinte a Sua glória essencial não pode ser nem aumentada nem diminuída.

     Deus não teve qualquer necessidade nem foi constrangido ou obrigado a criar. A Sua escolha ao fazê-lo foi puramente um acto soberano da Sua parte, sem qualquer causa exterior a Si, determinado por nada a não ser pelo Seu próprio beneplácito (bom prazer), visto que Ele «faz todas as coisas, segundo o conselho da Sua vontade» (Efésios 1.11). Aquilo que Ele criou foi simplesmente para Sua glória manifestativa. Pensará alguém que estaremos a ir além do que dizem as Escrituras? O nosso apelo é para «a lei e o testemunho»: «Levantai-vos, bendizei ao Senhor vosso Deus de eternidade em eternidade; ora bendigam o nome da Tua glória, que está levantado SOBRE TODA A BÊNÇÃO E LOUVOR» (Neemias 9.5). Deus não é nenhum beneficiário mesmo da nossa adoração. Ele não tem qualquer necessidade da glória externa da Sua graça que se eleva dos Seus remidos, pois Ele é suficientemente glorioso em Si mesmo sem isso. O que foi que O levou a predestinar os Seus eleitos para louvor da glória da Sua graça? Foi, como Efésios 1.5 nos diz, «o beneplácito (bom prazer) da Sua vontade».

     Estamos bem cientes de que este importantíssimo assunto que abordamos é novo, e até estranho, para muitos. Por essa razão avançaremos lentamente. Atentemos de novo para as Escrituras. No final de Romanos 11, onde o apóstolo termina o seu longo argumento sobre a salvação obtida por graça pura e soberana, ele pergunta, «Porque quem compreendeu, o intento do Senhor? Ou quem foi Seu conselheiro? Ou quem Lhe deu primeiro a Ele, para que Lhe seja recompensado?» (Vers. 34,35). Em resumo, isto significa que é impossível sujeitar o Todo-poderoso a obrigações para com a criatura. Deus não lucra nada connosco. «Se fores justo, que Lhe darás, ou que receberá da tua mão? A tua impiedade faria mal a outro tal como tu; e a tua justiça aproveitaria a um filho do homem» (Job 35.7,8), mas não decerto a Deus, que é todo bendito em Si mesmo. «Assim também vós, quando fizerdes tudo quanto vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer» - a nossa obediência não trouxe qualquer lucro a Deus.

     E não só isto, vamos mesmo mais longe: o nosso Senhor Jesus Cristo não acrescentou nada a Deus no Seu ser e glória essenciais, quer pelo que fez quer pelo que sofreu. É verdade; é bendita e gloriosamente verdade. Ele manifestou a glória de Deus a nós, mas não acrescentou nenhum valor a Deus. Ele próprio declara isso mesmo muito claramente: «A Minha benignidade não se estende a Ti» (Salmo 16.2). Todo este Salmo é um Salmo de Cristo. A benignidade ou a justiça de Cristo alcançou os Seus santos na terra (Salmo 16.3), mas Deus está muito acima de tudo, somente Deus é «o Bendito» (Marcos 14.61).

     É verdade que Deus é tanto honrado como desonrado pelos homens; não no Seu ser essencial, mas no Seu carácter oficial. É igualmente verdade que Deus tem sido «glorificado» pela criação e pela redenção. Não ousamos pôr isso em causa por um momento que seja. Mas tudo isto tem a ver com a glória manifestada e o seu reconhecimento por nós. Tivesse Deus sido agradado de o fazer Ele teria continuado só, por toda a eternidade, sem tornar conhecida a Sua glória às criaturas. O Ele ter feito duma forma ou de outra foi apenas determinado pela Sua própria vontade. Ele era perfeitamente bendito em Si mesmo antes da primeira criatura ter sido chamada à existência. E o que são para Ele, mesmo agora, todas as Suas criaturas? Deixemos serem as Escrituras a dar de novo a resposta: «Eis que as nações são consideradas por Ele como a gota dum balde, e como o pó miúdo das balanças: eis que lança por aí as ilhas como a uma coisa pequeníssima. Nem todo o Líbano basta para o fogo, nem os seus animais bastam para os holocaustos. Todas as nações são como nada perante Ele; Ele considera-as menos do que nada e como uma coisa vã. A quem pois fareis semelhante a Deus? Ou com que O comparareis?» (Isaías 40.15.18). É este o Deus das Escrituras; ah, Ele ainda continua a ser «o Deus desconhecido» (Actos 17.23) para multidões distraídas. «Ele é o que está assentado sobre o globo da terra, cujos moradores são para Ele como gafanhotos: Ele é o que estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda, para neles habitar. O que faz voltar ao nada os príncipes, e torna coisa vã os juizes da terra» (Isaías 40.22,23). Quão diferente é o Deus das Escrituras do «deus» de muitos púlpitos!

     E o testemunho do Novo Testamento não difere do testemunho do Velho! Como poderia diferir se ambos têm o mesmo Autor? Lemos ali: «A qual a seu tempo mostrará O Bem-aventurado, e ÚNICO  Poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores; Aquele que tem, Ele SÓ, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a Quem nenhum dos homens viu nem pode ver; ao Qual seja honra e poder sempiterno. Amém» (I Tim. 6.16). Este Deus assim, deve ser reverenciado e adorado. Ele é solitário na Sua majestade, único na Sua excelência, incomparável nas Suas perfeições. Ele sustenta todas as coisas, mas é independente de tudo. Ele dá a todos, mas não é enriquecido de ninguém.

     Um Deus assim não pode ser encontrado por uma mera procura. Só pode ser conhecido quando se revela ao coração pelo Espírito Santo por meio da Palavra. É verdade que a criação revela um Criador com tanta clareza, que os homens ficam «inescusáveis (sem desculpa)», mas, apesar disso ainda temos que dizer com Job, «Eis que isto são apenas as orlas dos Seus caminhos; e quão pouco é o que temos ouvido d'Ele! Quem pois entenderia o trovão do Seu poder?» (Job 26.14). Na tentativa de se explicar Deus não O podemos fazer descer ao nível da compreensão finita, pois dessa forma perder-se-á a excelência da Sua solitude.

Tem sido muitas vezes usada a bela analogia do selvagem que encontra no areal um relógio que o leva a inferir, por via dum exame, que existe um relojoeiro. Mas prossigamos nessa mesma analogia. Suponhamos que o selvagem se assenta na areia e começa a formar para si uma concepção de como será o relojoeiro - das suas afeições e modos pessoais; da sua disposição, saber, e carácter moral (tudo o que constitui uma personalidade). Será que ele poderá arrazoar correctamente sobre o homem real, o homem que fez o relógio, a ponto de ele poder dizer, "Conheço-o pessoalmente"? Parece trivial colocar tal tipo de questões, mas com o Deus eterno e infinito as coisas passam-se dum modo ainda mais profundo. Só podemos conhecer pessoalmente Deus, o Deus real, através da revelação que Ele mesmo de Si faz, através das Escrituras.

     «Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-Lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e CRESCENDO NO CONHECIMENTO DE DEUS» (Colossenses 1.10).

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