A Transfiguração (V)
PEDRO VIU A GLÓRIA DAS ESCRITURAS
Como já dissemos, Pedro, apesar de ter estado no monte com João, não viu a glória do Filho de Deus. O que PEDRO VIU ali, foi A GLÓRIA DAS ESCRITURAS.
Leiamos II Pedro 1.12-21. Lembremo-nos da admoestação que o Pai lhe fez, «escutai-O» (Mat. 17.5) - por outras palavras, dêem ouvidos à Sua PALAVRA. Isto impressionou Pedro sobremaneira e marcou-o para sempre. Foi exactamente isso que ele viu no monte - a glória das Escrituras. Aprendeu a apreciar a Palavra de Deus.
Quando Pedro viu o Senhor, Moisés e Elias envoltos em glória, ele não sabia o que dizer, mas como não sabia estar calado falou.
Pedro foi interrompido três vezes, na sua experiência:
1. Em Mateus 17.5 foi interrompido pelo Pai. Ele queria dizer o que o Senhor Jesus devia fazer.
2. Em Mateus 17.24,25, pelo Filho. Ele queria dizer ao Senhor Jesus como deveria resolver o problema do pagamento dos impostos.
3. Em Actos 10.43,44, pelo Espírito Santo. Ele queria baptizá-los antes da recepção do Espírito Santo. Deus queria mostrar-lhe a mudança dispensacional que estava a ser operada. A partir de então o Espírito não vinha para o crente depois do baptismo na água, como acontecia até ali. (Cf. Act. 2.38).
Em II Ped. 1.12-21 ele revela três características das Escrituras que as tornam gloriosas. Ao mesmo tempo veremos porque é que precisamos da Palavra de Deus escrita.
1. A Palavra de Deus é firme, ou, certa, ou, segura (Ver. 19). Pedro viu a Palavra de Deus cumprir-se no monte da transfiguração. Ele viu o Filho no Reino, tal como os profetas anunciavam.
a. A Palavra de Deus é mais preciosa do que a lembrança (Vers. 12,13,15). Apesar de os seus leitores, saberem, terem em memória, isso não dispensava que ele lhes escrevesse. Se dependessem da tradição (memória, lembrança) não teriam uma Palavra firme, segura, certa. Assim, escreveu-lhes. Pedro escreveu acerca da Sua morte (Ver. 14). «Deixar», Gr. Exodus, a mesma palavra usada na Transfiguração quando Moisés e Elias falavam com o Senhor sobre o «êxodo» que Ele iria experimentar em Jerusalém (Luc. 9.31). Pedro assegurou-lhes que a Palavra de Deus não morre com os seus escritores. Por isso ela é segura e firme. «Os céus e a terra passarão, mas a Sua Palavra não há-de passar».
b. A Palavra de Deus é mais preciosa do que visões, vozes, sonhos. Estes podem ser incompreendidos, esquecidos, ou mal interpretados. Se ouvisse uma voz, poderia perder parte do que era dito. Além disso, Satanás também pode facultar tais manifestações. A Palavra de Deus é segura e firme.
2. A Palavra de Deus é luminosa (II Ped. 1.19) - «Luz que alumia em lugar escuro». Não importa o que dizem os media. A Palavra dá luz, verdadeira luz. «Escuro», vem duma palavra Grega que significa cheio de trevas e imundo, pântano, lodaçal, atoleiro. É esta a descrição que Pedro faz deste mundo. A única luz que temos neste mundo é a Palavra de Deus. Não há outra. “Oxalá os meus caminhos fossem dirigidos de maneira a poder eu observar os Teus estatutos” (Sal. 119.105).
3. A Palavra de Deus é dada pelo Espírito de Deus. É inspirada. A Bíblia não é produto humano (Ver. 16). Foi o Espírito, o Autor da Palavra, e não os discípulos que a manufacturaram. É o Espírito o Autor, e só Ele a pode interpretar (Ver. 20) - é isso que quer dizer Pedro quando diz que nenhuma parte da Bíblia é de «particular interpretação». O crente tem o Espírito. Por isso ele percebe e recebe da Bíblia, como os demais não podem.
No monte da transfiguração eles eram seis, mas Pedro só fala de «três tabernáculos» (Ver. 4). Ele foi humilde, deixando-se de fora com Tiago e João. A glória faz isto.



