O Castigo Eterno (I)
Introdução
Este é um dos assuntos mais solenes ensinados na palavra de Deus. O mote para este estudo é-nos dado por esta questão pungente: «Quem conhece o poder da Tua ira? E a Tua cólera, segundo o temor que Te é devido?» (Sal. 90:11).
Nunca foi tão necessário falar disto como hoje, particularmente porque os púlpitos têm de forma geral estado silenciosos sobre esta matéria. Muitos anelam por um reavivamento, mas para isso é preciso pregar as verdades que conduzem a ele. Esta é uma delas. Os reavivamentos são operados pela Palavra – a Palavra aplicada pelo Espírito, claro. Por isso para um reavivamento é preciso mais do que mera oração.
Se a Palavra de Deus não tiver um lugar proeminente não pode haver reavivamento. No reavivamento do tempo de Esdras, tudo começou quando «disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o Livro ... e Esdras abriu o Livro perante os olhos de todo o povo ... e leram o Livro ... e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse» (Neem. 8:1,5,8).
Precisamos de ver claramente na Bíblia o carácter de Deus – a Sua absoluta soberania, a Sua inefável santidade, a Sua justiça inflexível, a Sua veracidade imutável. Precisamos de ver também claramente a condição do homem natural – a sua depravação total, a sua inveterada hostilidade a Deus, a sua insensibilidade, o facto de que já está condenado e de que a ira de um Deus que odeia o pecado paira sobre ele.
Precisamos de ver com muita clareza o alarmante perigo em que os pecadores estão e a natureza do castigo que os aguarda – a terribilidade dele, a infinidade dele, a angústia dele.
É preciso fazer retinir os alarmes. Parece que vejo alguns de vós pensarem que estas verdades são mais indicadas para os perdidos do que para os salvos. Se assim pensais, enganai-vos. Lede as epístolas e vede o lugar que este assunto ocupa nelas.
A compreensão clara destas verdades libertar-nos-á da leveza e irreverência que revelamos tantas vezes.
Uma melhor compreensão da nossa depravação por natureza humilhar-nos-á, e far-nos-á ver a nossa profunda necessidade de usarmos os meios atribuídos pela graça. Enfrentarmos o alarmante perigo que corre o pecador levar-nos-á a “considerarmos os nossos caminhos” e tornar-nos-á mais diligentes, procurando “fazer cada vez mais firme a nossa vocação e eleição”. A tomada de consciência da miséria indescritível que aguarda os perdidos (e que cada um de nós merecia) aprofundará o nosso sentimento de gratidão de termos sido salvos de uma tão grande condenação, e tornar-nos-á mais sensíveis à sua necessidade de se voltarem para Deus arrependidos.
Há que soltar o brado de, «Ai dos que repousam em Sião» (Amós 6.1)! Não nos podemos acomodar.
O castigo dos ímpios ocupa lugar proeminente na Palavra de Deus. Negá-lo significa rejeitar a Palavra de Deus.
Temos o dever de clamar aos pecadores para que fujam da ira vindoura. Se nos calarmos seremos criminosos.
Ao vermos a terribilidade do castigo eterno ajudar-nos-á também a ver a hediondez do pecado. O não vermos isso leva-nos a minimizarmos o mal.
Abordaremos o assunto da seguinte forma:
Primeiro, examinaremos resumidamente algumas das principais objecções normalmente apresentadas contra a verdade do castigo eterno.
Segundo, classificaremos várias passagens que tratam do destino dos perdidos, mostrando que a morte sela a condenação do pecador, que a sua condição perde toda a esperança, que a punição que o aguarda é interminável.
Terceiro, examinaremos as Escrituras que lançam luz sobre a natureza da condenação que aguarda os perdidos.
Finalmente, procuraremos fazer uma aplicação prática de todo o assunto.



