A Lei das Ofertas (Parte VIII)

A EXPIAÇÃO DA CULPA (Lev. 5)

Há uma assinalável diferença entre a Expiação ou Oferta pelo Pecado e a Expiação da Culpa.

Na Oferta pelo Pecado temos um sacrifício pela natureza do pecado. Na Expiação da Culpa temos um sacrifício pelos pecados da natureza. No primeiro caso Deus trata com a raiz do pecado. No segundo caso trata com o fruto do pecado. O sangue de Cristo não somente resolve o problema da raiz, «o pecado na carne», como resolve o problema dos pecados produzidos pela natureza do pecado em nós.

Depois do crente se converter e ter a certeza de que não só foi perdoado e justificado, como recebeu uma nova natureza espiritual, ele apanha como que um susto ao descobrir que a natureza do pecado ainda está nele. A sensibilidade da sua consciência cedo lhe revela impureza e que a comunhão íntima com Deus fica ameaçada. Ora essa impureza deve ser removida e a preciosa comunhão restaurada. Deus fez uma provisão para essa necessidade e realidade através da Expiação da Culpa e estabeleceu uma forma prática de o conseguirmos.

A forma é pela confissão; como está escrito: «Será, pois, que, culpado sendo numa destas coisas (mencionadas nos versículos anteriores), confessará aquilo em que pecou» (Lev. 5.5).Isto mostra-nos que o sacrifício de Cristo cobre os pecados e culpas do crente durante a sua peregrinação. Tal graça consegue-se, da parte do crente, com confissão.

Esta verdade é sobejamente conhecida, mas convém abordá-la de forma analítica.

1. O crente pode pecar. «se alguém (qualquer crente) pecar» (I João 2.1). A suposição baseia-se no facto de que os crentes podem pecar. Podem pecar porque a velha natureza ainda está neles. Não lhe é nada retirado dela com a regeneração. Ela ainda reside nele, ela, que «é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser» (Rom. 8.7). A nova natureza é santa, impecável, e essencialmente contra a velha natureza. Assim, o crente possui duas naturezas; mas apesar dele ter duas naturezas, ele não é duas pessoas; ele não é senão uma só pessoa e com uma única responsabilidade. Ele pode pecar ou resistir ao pecado. Ele pode viver na região da carne. Ele pode viver no domínio do Espírito.

2. Se o crente que tropeçando, peca e perde comunhão com Deus, quer ser restaurado, tem de confessar os seus pecados a Deus, e confessá-los como pecados contra o Senhor. «Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça» (I João 1.9). O pecado inconfessado torna-se num cancro no coração. É muito mais fácil pedir o perdão dos nossos pecados de forma genérica do que confessá-los. A confissão implica o julgamento pessoal. Pedir perdão não envolve esse juízo. Se uma criança tem feito alguma maldade, acha menos dificuldade em pedir ao pai que a perdoe do que em confessar abertamente e sem reservas a maldade. Ao pedir perdão a criança pode pensar que, afinal, não havia muita razão para a censurarem, embora seja conveniente pedir perdão ao pai; mas ao confessar a maldade, faz o seu próprio julgamento. A confissão manifesta, traz à luz, torna o pecado maligno, horrível, inspira dor, aborrecimento do mesmo pecado e desejo de o abandonar. A confissão traz de volta o domínio de Deus sobre a alma. O pródigo nunca amou tanto o seu lar como quando, após as deambulações, retornou a ele. A paz de Deus, a alegria no Senhor e a consciência descansada nunca parecem tão ricas e doces como quando, tendo-as perdido, são de novo encontradas. É assim com uma jóia perdida reencontrada. Parece que nunca teve tanto valor. O pastor nunca pensou tanto na sua ovelha perdida, como quando a encontrou e trouxe de novo para casa. A alegria da comunhão restaurada vale mais que ouro. A comunhão restaurada traz poder espiritual acrescido e desejo de ser usado pelo Senhor. O Salmista compreendia isso. «Torna a dar-me a alegria da Tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário.  Então ensinarei aos transgressores os Teus caminhos, e os pecadores a Ti se converterão» (Sal. 51.12,13).

3. Nesta oferta aprendemos que se um Israelita pecasse contra um irmão Israelita o Senhor tomava isso como um pecado contra Si. «Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: Quando alguma pessoa pecar, e transgredir contra o SENHOR, e negar ao seu próximo o que lhe deu em guarda, ou o que deixou na sua mão, ou o roubo, ou o que reteve violentamente ao seu próximo» (Lev. 6.1,2). Em resumo, todo o pecado, grande ou pequeno, é contra o Senhor, e requer confissão pronta e plena.

4. Na Expiação da Culpa o ofertante deveria fazer restauração do pecado cometido e acrescentar a 5ª parte daquilo que ele tomou ou causou dano -  «e o restituirá no seu todo, e ainda sobre isso acrescentará o quinto; àquele de quem é o dará no dia de sua expiação» (Lev. 6.5). Aqui está a ideia expressa atrás. A restauração traz um sabor acrescido. Por outro lado a 5ª parte fala-nos dos «muito mais» que o apóstolo tanto fala. «Então restituí o que não furtei» (Sal. 69.4). A morte de Cristo tem trazido mais glória a Deus do que se o pecado nunca tivesse entrado no mundo.

É admirável vermos também as 5 ofertas sintetizadas em Isaías 53:

1.
 A Oferta de Manjares é vista no ver. 3: «Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos» - a Flor de farinha que a pedra moera.

2.
 O Holocausto é visto em Isa. 53.11: «Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos».

3.
 A Oferta Pacífica é vista no ver. 5: «o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele».

4.
 A Oferta pelo Pecado é vista nos vers. 6,10 e 12: «o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos», «quando a Sua alma se puser por expiação do pecado», «derramou a sua alma na morte».

5.
 A Expiação da Culpa é vista no ver. 5: «Ele foi ferido por causa das nossas transgressões».

«Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi Seu conselheiro? Ou quem Lhe deu primeiro a Ele, para que Lhe seja recompensado? Porque d’Ele e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente. Amém» (Rom. 11.33-36).

«Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo» (Gál. 6.14).

(FIM)

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