A Lei das Ofertas (Parte IV)
A OFERTA DE MANJARES (Conclusão)
O azeite era misturado com a farinha e derramado sobra ela (Lev. 2.4-6).
O segundo ingrediente da Oferta de Manjares era o azeite. Era usado de duas formas - «amassado com azeite» (v. 4) e «nela deitará azeite) (v.1). Como é bem sabido, o azeite nas Escrituras é símbolo do Espírito Santo (Cf. Heb. 1.9). «amassado com azeite» tipifica o nosso Senhor ser concebido pelo Espírito Santo - «o que nela está gerado é do Espírito Santo» (Mat. 1.20) e Luc. 1.35. O Senhor tinha um verdadeiro corpo humano, carne e sangue reais, mas sem pecado. Ele era «O Santo», absolutamente sem mancha e puro. Deus enviou «o seu Filho em semelhança da carne do pecado» (Rom. 8.3). Notemos que este versículo não diz em carne do pecado, mas semelhança de carne do pecado.
Depois o azeite era derramado sobre a oferta (v.1). Isto é a unção do Senhor pelo Espírito para o serviço, no Seu baptismo (Luc. 3.21,22; João 1.33,34). Todo o Seu serviço foi realizado no Espírito Santo (Mat. 12.28) e concluiu-o oferecendo-Se imaculado a Deus pelo Espirito Eterno (Heb. 9.14).
O azeite é símbolo do Espírito Santo. A farinha é símbolo da humanidade do Senhor Jesus. Na mistura do azeite com a farinha temos uma alusão clara ao nascimento virginal do Senhor Jesus Cristo, à Sua incarnação, à Sua geração pelo Espírito. A humanidade do Senhor Jesus era santa e impecável na perfeição pela acção do Espírito Santo. Foi pelo espírito que Maria pôde conceber sem pecado; por isso está escrito da humanidade que dali adviria, «o santo que de ti há-de nascer» (Luc. 1.35).
Ao azeite derramado sobre um objecto chama-se unção. A humanidade do Senhor não foi apenas concebida pelo Espírito, como o Espírito depois veio sobre Ele e O ungiu como homem. Ler Isaías 61.1 e Actos 10.38.
O terceiro ingrediente da Oferta de Manjares era o incenso (v.1).
Sobre o azeite e a farinha era colocado incenso (Lev. 2.15).
O incenso era uma goma adocicada. Quando era colocada no fogo libertava uma fragrância que agradava. Isto representa a atitude do Senhor para com o Pai. Acerca da Sua relação com o Pai Ele disse, «Eu faço sempre o que Lhe agrada» (João 8.29) e «A Minha comida é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou, e realizar a Sua obra» (João 4.34).
Como o fogo, a provação libertava esta qualidade. Quanto mais Ele era provado mais se evidenciava que Ele procurava agradar ao Pai e realizar a Sua vontade (Ex. Jardim do Getsêmane). Houve incenso ali. Que voz! Que oração! Vem da beira do precipício – a beira do precipício moral. «Se é possível passa de Mim este cálice». À beira das escarpas do abismo duma tragédia de desespero sem fim para a humanidade. Ele podia ter usado a Sua omnipotência! É um momento de fogo, de prova que queima as entranhas mais profundas da alma. Ele vê o cálice; Ele vê as borras dele. Ele vê-lhe o fundo, o horror indescritível do sofrimento infernal da cruz – tudo naquele cálice. Apesar disso Ele diz, «todavia, não seja como Eu quero, mas como Tu queres» (Mat. 26.39). Não há dúvida que há aqui incenso! Que odor de doçura ascende do altar de incenso daquele jardim. Aquele jardim era um jardim de especiarias – fé, amor, e resignação total à vontade do Pai para a glória do Pai.
O quarto ingrediente era o sal (v.13).
A Oferta de Manjares era temperada com sal.
«A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um» (Col. 4.5). Quem cumpriu isto na íntegra, senão o Senhor? Depois de 2000 anos passados nenhuma palavra d'Ele é esquecida, modificada, corrigida ou anulada. Passado este tempo continuam espírito e vida (João 6.63), impassíveis à corrupção. O sal preserva da corrupção. Como apetece dizer «A palavra de Cristo habite em vós abundantemente» (Col. 3.16).
Sendo um bem conhecido preservativo da corrupção, é emblema de perpetuidade e incorrupção.
O sal representa o carácter resistente do concerto de Deus. O Senhor é o Mediador dum melhor concerto (Heb. 8.6), e sob esse concerto «os chamados recebem a promessa da herança eterna» (Heb. 9.15). Foi o Senhor Jesus que proporcionou o concerto resistente, eterno.
Havia 2 ingredientes proibidos na Oferta de Manjares - fermento e mel. (V.11).
O mal reconhecido e o mal não reconhecido (mal "inocente").
O fermento, quando é usado simbolicamente nas Escrituras, fala sempre do mal (Mat. 13.33; I Cor. 5.8). O Senhor condenou o fermento dos Fariseus (Mat. 16.6) que consistia em ritualismo, em tradições e mandamentos dos homens; o fermento dos Saduceus (Mat. 16.6) que consistia em racionalismo - tudo sujeito à razão (por exemplo, rejeitavam a ressurreição corporal); o fermento de Herodes (Marc. 8.15) que consistia em mundanismo - viver para o presente. Herodes era descendente de Esaú que não se preocupava com as coisas espirituais mas com as materiais. - guisado. Na vida do Senhor não houve nada de mal, de azedo. Ele não conheceu o pecado (2 Cor. 5.21), nunca pecou (I Ped. 2.22), n'Ele não havia pecado (I João 3.5). Não havia fermento n'Ele.
O mel fala do que é apelativo e atractivo à natureza - o prazer do pecado por um pouco de tempo.
Hebreus 11:
24 Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó,
25 Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado;
26 Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egipto; porque tinha em vista a recompensa.
27 Pela fé deixou o Egipto, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível.
28 Pela fé celebrou a páscoa e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogénitos lhes não tocasse.
29 Pela fé passaram o Mar Vermelho, como por terra seca; o que intentando os egípcios, se afogaram.
Mel foi oferecido ao Senhor quando Pedro tentou persuadi-lO a ter pena de Si mesmo e a não sofrer a morte de cruz, quando a multidão o quis aclamar Rei.
Mais cedo ou mais tarde o mel amargará. Os prazeres de hoje são os lamentos de amanhã. «Achaste mel? come só o que te basta; para que porventura não te fartes dele, e o venhas a vomitar» (Pro 25.16). O Senhor só tinha prazer em fazer a vontade do Pai. (Ver Prov. 25.27).
A forma como a Oferta de Manjares era apresentada é muito instrutiva.
Tinha que ser cozida (v. 4), o que, certamente, sugere sofrimento. Não sugere o Seu sofrimento pelo pecado (isso veremos na Expiação do Pecado ou Sacrifício pelo Pecado), mas o Seu sofrimento na Sua vida por amor da justiça. Ele disse, «Me perseguiram» e «odiaram-Me sem causa» (João 15.20,25). Assim Ele sofreu na Sua vida, sendo odiado, desprezado, maltratado, rejeitado, e finalmente suportando o sofrimento da cruz. Também sofreu simpatizando com os outros. Lembremo-nos das Suas lágrimas junto ao túmulo da Lázaro simpatizando com a dor de Maria e Marta (João 11.33,34), e do Seu choro sobre a cidade de Jerusalém por causa do seu pecado e punição que se lhe seguiria (Luc. 13.34,35). Sofreu também em antecipação - no Getsêmane. Ele foi verdadeiramente «cozido». Ele sofreu o que mais ninguém sofreu.
A Oferta de Manjares devia ser «cozida no forno» (v.4), tipificando os sofrimentos ocultos do Senhor que só Ele e o Pai sabiam (Mat. 27.45,46). Esses nunca conheceremos nem experimentaremos. Podia ser cozida numa «frigideira» (v.7), o que sugere os sofrimentos de Cristo parcialmente visíveis, tais como as dores do Getsêmane. Também fala da intensidade dos Seus sofrimentos. São os sofrimentos que podemos compreender numa pequena medida. A terceira forma era ser cozida na «caçoula» (v.5) são os que podemos compreender numa maior medida, como o causado pela coroa de espinhos, por exemplo (Mat. 27.27-31). Podemos compreender estes sofrimentos num maior grau do que os outros. Contudo só Ele conheceu a plenitude dos Seus sofrimentos podendo nós apenas ter um pequeno vislumbre dos mesmos.
Em conclusão notemos quem participava da Oferta de Manjares - Aarão e os seus filhos (vs.3,10) - a família sacerdotal. «vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes d’Aquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz» (1 Ped 2.9). Tipificam os crentes agora a alimentarem-se das perfeições do Homem Cristo Jesus. Na Lei da Oferta de Manjares (Lev. 6.14-18) esta devia ser comida com pão «ázimo» (sem fermento) (v.16), isto é sem pecado na vida. Nós não nos podemos alimentar de Cristo se houver pecado na nossa vida. O pecado deve ser confessado (I João 1.9) e abandonado, se quisermos alimentarmo-nos verdadeiramente d'Ele. Segundo Lev 6.18 todos os que a tocassem tinham que ser santos. Para gozarmos Cristo as nossas vidas têm que ser santas, separadas para Deus. Devia ser comida no Lugar Santo (v.16). A nossa posição, prática, pessoas e associações devem ser santas. São estes os requisitos se verdadeiramente nos quisermos alimentar do Homem Cristo Jesus.
Há muito para meditar acerca do nosso bendito Salvador e Senhor. Uma das maiores ocupações que podemos ter é alimentarmos as nossas almas com Ele. Mas não nos esqueçamos que há condições. Deus requer santidade de vida e de conduta, pureza de coração e de consciência e separação de tudo o que ofende o Espírito de Deus. Que maravilhosa comida para a alma faminta!
«A Ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém.» (2 Ped. 3.18).



