A Lei das Ofertas (Parte II)
AS 5 GRANDES OFERTAS
1. Holocausto (Lev. 1.3)
2. Oferta de Manjares ou de Alimentos (2.1)
3. Sacrifício Pacífico (3.1)
4. Expiação do Pecado ou Sacrifício pelo Pecado (4.3)
5. Expiação da Culpa (5.15)
Notemos a ordem das ofertas no capítulo 1. O Senhor começa com o Holocausto e termina com a Expiação da Culpa. Quer dizer, termina onde nós começamos. Esta ordem é notável e muito instrutiva. Quando a seta da convicção penetra na alma dá-se um profundo exame aos pecados cometidos. Nesse momento da história da alma, ela não se ocupa tanto com a raiz de onde brotaram essas transgressões como com o facto palpável de que este e aquele acto foram cometidos por ela; e por isso tem necessidade de saber que Deus proveu um sacrifício por cuja virtude todas as ofensas podem ser perdoadas gratuitamente. E este sacrifício é-nos apresentado na oferta da Expiação da Culpa.
Mas à medida que a alma progride na vida divina torna-se consciente do facto que esses pecados que cometeu não são mais que rebentos duma raiz, correntes de uma mesma fonte; e, além disso, que o pecado na sua natureza é essa fonte - essa raiz. Isso conduz-nos a uma compreensão mais profunda da obra da cruz - o lugar onde Deus «condenou o pecado na carne» (Rom. 8.3).
A passagem não diz pecados na vida, mas a raiz de onde os pecados provêm. Cristo não somente morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras (I Cor. 15.3), como foi feito pecado por nós (I Cor. 5.21). Esta é a doutrina da oferta da Expiação do Pecado ou Sacrifício pelo Pecado.
Só então o coração encontra paz na presença de Deus. Não pode haver paz antes de sabermos que todas as transgressões foram perdoadas e o nosso pecado julgado. A Expiação da Culpa e a Expiação do Pecado têm que ser conhecidos antes do Sacrifício Pacífico poder ser apreciado e gozado.
Uma vez em paz a alma é levada a apreciar o executor de tão grande salvação - a perfeição do Salvador. É disso que nos fala a Oferta de Manjares.
Finalmente a alma descobre no Holocausto a glória merecida por Aquele que a amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigénito …
Seja qual for o sentido que caminharmos - de nós para Deus ou de Deus para nós, começamos e terminamos com a cruz.
Se começamos com o Holocausto vemos Cristo na cruz fazendo a vontade de Deus; se começamos com a expiação da Culpa vemos Cristo na cruz levando os nossos pecados segundo a perfeição do Seu sacrifício expiatório.
As primeiras três ofertas são chamadas ofertas de «cheiro suave ao Senhor». Representam o homem em perfeita obediência a Deus oferecendo-Lhe uma oferta que Lhe agrada em pleno. As últimas duas, sendo ofertas pelo pecado, não são ofertas de «cheiro suave ao Senhor». O pensamento do pecado nunca vem com ofertas de cheiro suave. Representam um pecador a sofrer a condenação devido às suas ofensas. As primeiras 3 eram queimadas sobre o altar, as últimas duas eram queimadas fora do arraial.
As ofertas algumas vezes eram oferecidas a favor do próprio sacerdote, outras vezes pela nação, por um governante da nação, por um indivíduo comum; por vezes a oferta era um bezerro ou vaca, ou ovelha, ou cabra, ou rola, ou pombinho; mas em qualquer caso era sempre uma destas 5 ofertas.
No capítulo 7, por exemplo, é feita uma referência às ofertas por votos, acções de graças e voluntárias, mas tratavam-se simplesmente de diferentes aspectos de uma das 5, a saber, a Oferta da Expiação da Culpa.
A Oferta de Manjares era a única que era incruenta (sem sangue). Refere-se à vida de Cristo; não à Sua morte. As outras 4 são cruentas (com sangue) e apresentam-nos um quadro quádruplo da morte de Cristo na cruz.



