A Lei das Ofertas (Parte I)

Exórdio

Fizemos este estudo em Agosto de 1998. Está resumido mas, ainda assim, minimamente inteligível. Oramos para que a sua compreensão seja uma bênção para o leitor e, eventualmente, ferramenta útil para o ministério de alguém com dom para ensinar outros e que se queira servir dele. A Deus seja dada toda a glória.

Carlos M. Oliveira

Introdução

“Esta é a lei do holocausto, da oferta de alimentos, e da expiação do pecado, e da expiação da culpa, e da oferta das consagrações, e do sacrifício pacífico”  
Lev. 7.37

Não há nenhum livro na Bíblia que contenha tantas palavras directas de Deus do que Levítico. É Deus que é o orador directo em quase todas as páginas. Merece-nos a mais séria atenção. Não será por isso este Livro o mais difícil?

As páginas aparentemente obscuras de Levítico têm o seu lugar entre «tudo o que dantes foi escrito» (Rom. 15.4), e são, portanto, «para nosso ensino».

«Quão grandes são, SENHOR, as tuas obras! Mui profundos são os teus pensamentos» (Sal 92:5).

As obras dos homens cansam depressa. Quanto às obras de Deus, quanto mais as examinamos, mais elas nos fascinam. A razão é simples: o homem é finito e Deus infinito.

Tomemos o ar como exemplo. Quantos fins realiza este elemento? Supre os pulmões, alimenta o fogo, serve de veículo ao som, reflecte a luz, difunde os cheiros, fornece a chuva, desloca os veleiros, evapora os fluidos, e sabe-se lá quantos outros propósitos realiza!

A palavra de Deus é semelhante às obras de Deus.

2 Tim. 3.16: «Toda a Escritura ... é proveitosa ... para que o  homem de Deus (não o bebé em Cristo) ...»

Para compreendermos bem os tipos devemos compreender algo da realidade. A representação dum motor para um selvagem seria inútil pela simples razão de que a realidade, para ele, é desconhecida. Mas ao mostrar a representação a quem já viu a realidade, não haverá dificuldade em explicar a representação.

É assim com os tipos. Paulo ilustra isso quando escreve aos Hebreus (5.11-14). A infância dos Hebreus impedia a compreensão das Escrituras. Nós podemos ser nascidos de Deus, termos vida em Cristo, sermos herdeiros do céu, e não conhecermos nada da herança exactamente por sermos meninos, e aptos a sermos enganados por qualquer um.

No VT temos pessoas, coisas, tempos e acções que são tipos. Cristo é a chave de todos eles e de toda a Bíblia.

Muitos ficam satisfeitos em ver apenas o sangue aspergido do Egipto. Porém isso não nos ensina nada sobre o ofício sacerdotal, o valor e uso das ofertas, nem sobre a vontade do Senhor a nosso respeito.

Em Génesis temos grandes tipos dispensacionais. Gál. 4.21-28 (Agar – Lei; Sara – Graça). Ismael nascido da natureza não é grande coisa. Isaque nascido pelo poder de Deus é aprovado.

Gén. 25.14. Sara (figura de Israel) morre e Rebeca (figura da Igreja) surge.

Êxodo fala da redenção. Cristo a nossa Páscoa. O que é a Páscoa senão redenção?

Levítico começa depois da redenção ser conhecida e fala das coisas relacionadas com o acesso dos remidos a Deus. Êxodo apresenta o sangue do cordeiro, salvando Israel do Egipto. Levítico apresenta o sacerdote e as ofertas satisfazendo as necessidades dos remidos no acesso a Deus.

Números fala da peregrinação e experiência no mundo como num deserto. O mundo é visto não como a casa da escravidão (Egipto), mas lugar de prova (deserto) para entrar em Canaã.

Levítico proporciona a base para que o santo Deus, do céu, pudesse habitar entre um povo pecador, Israel.

Já se ofereciam sacrifícios nos tempos anteriores a Levítico, e todos eles apontavam para o sacrifício do Senhor Jesus Cristo na cruz, mas é em Levítico que pela primeira vez encontramos leis definitivas para orientação do povo de Deus (Israel).

A obra de Cristo, que os sacrifícios de Levítico prefiguram, aboliu-os por se terem tornado inúteis. O Salmo 40 e Heb. 10.5-9 ensinam-nos isso.

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