As Nuvens nas Escrituras
Um dos temas mais fascinantes que encontramos nas Escrituras é o das nuvens.
Como deve acontecer com qualquer assunto Bíblico que pretendamos compreender, empenhemo-nos por descobrir o seu significado Escriturístico e não popular.
Muitas noções e conceitos erróneos sobre determinadas matérias das Escrituras tem-se instalado na mente de alguns crentes, trazendo-lhes um elevado prejuízo espiritual, devido ao facto de desrespeitarem este princípio básico de interpretação da Bíblia.
O caso verídico que narraremos a seguir ilustra esta verdade:
"Determinado pregador contou que quando era garoto ouviu dizer, quer em casa, quer na igreja, que quando o Senhor Jesus vier, "virá nas nuvens". Em face disso, ele ficava descansado sempre que o céu se apresentava limpo, pois decerto que o Senhor não viria então; e era mais cuidadoso quando o céu se apresentava nublado, pois haveria sérias possibilidades do Senhor vir nessa altura."
Infelizmente este comportamento não é isolado, pois não são poucos os que assim têm pensado.
Ora, é óbvio que as Escrituras não se referem a nuvens atmosféricas quando dizem que, quando o Senhor vier aos ares para tirar do mundo a Sua Igreja, "nós seremos arrebatados juntamente com eles (ressuscitados) nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares" (I Tes. 4.17), ou que quando o Senhor vier à terra para reinar "então verão vir o Filho do Homem nas nuvens, com grande poder e glória" (Mar. 13.26), ou quando o Senhor "foi elevado ás alturas uma nuvem O recebeu, ocultando-O aos seus olhos" (Act. 1.9).
As Escrituras mostram claramente que há nuvens que não são atmosféricas. Por exemplo, em Heb. 12.1 lemos; "Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço ...". Por este caso nós vemos que as Escrituras também falam de "nuvens" no sentido metafórico.
Como dissemos, este assunto é fascinante, e é-o igualmente pelo seu alcance. Senão notemos:
"A coluna de nuvem" usada usada pelo Senhor para guiar o Seu povo (Êxo. 13.21) também não se tratava duma nuvem atmosférica. No original, a palavra traduzida por nuvem é o termo SHEKINAH ("habitação de Deus") - presença visível de Jeová. Este termo foi traduzido em Isa. 60.2 pela expressão, "Sua glória". Moisés chama-lhe nuvem em Êxo. 13.21; 14.19,20 e Êxo. 24.15,16.
Segundo a teologia Judaica a SHEKINAH era a manifestação Divina através da qual a presença de Deus era sentida pelo homem: "O Senhor desceu numa nuvem" (ÊXO. 34.5 e Num.11.25).
Esta "coluna de nuvem" deu luz aos Israelitas durante a noite. Semelhantemente, lemos em Mat. 17.5 que "uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o Meu Amado Filho, em Quem Me comprazo; escutai-O".
Comentários? Para quê? Não há dúvida alguma.
Deus também prometeu a Israel que o propiciatório seria coberto com uma nuvem, pois deveria ser o ponto de encontro entre Ele e o homem. "Ali Me reunirei contigo" (Êxo. 25.22). O Senhor disse: "Eu aparecerei na nuvem sobre o propiciatório" (Lev. 16.2). Vemos uma vez mais o Senhor na nuvem. Tratava-se da Sua glória SHEKINAH. - o sinal exterior da presença de Jeová para com o Seu povo. A glória do Senhor apareceu naquela nuvem (Êxo.16.10; 40.34; Núm. 9.15). Essa glória encheu o templo de Salomão e foi vista retirar-se para o céu (Eze. 11.22-25). Será vista de novo quando o Rei voltar e a Sua glória for estabelecida em Jerusalém (Isaías 4). Nos Actos temos o magnífico registo:
"Uma nuvem O recebeu, ocultando-O a seus olhos". Os anjos disseram aos discípulos que o Senhor Jesus viria "assim como para o céu o vistes ir" (Act. 1.11). Ora, precisamente como essa nuvem, a SHEKINAH, envolveu o Senhor no monte, e O recebeu, ocultando-O aos olhos dos discípulos, na Sua ascensão, assim também a SHEKINAH descerá Consigo quando Ele se manifestar.
Tudo indica que esta nuvem, também aludida em Apo. 10.1 e 11.2, seja o exército dos Seus anjos servidores que O acompanham sempre em escolta, e a quem Ele entender. Isso concorda com o facto d'Ele ser chamado "o Senhor dos exércitos". É obvio que, ao manifestar-se, o Senhor cruzará os domínios diabólicos - "os ares" -, e fá-lo-á escoltado pelos Seus exércitos.
Notemos, nesta relação, como na Sua incarnação, "a glória do Senhor" - a SHEKINAH - é denominada "uma multidão dos exércitos celestiais" (Luc. 2.9,13).



