A Ceia do Senhor (Parte 4)
Depois de examinar o que a Ceia do Senhor não é, apresentamos agora uma afirmação positiva do que é, assim como o seu significado espiritual. I Coríntios 11: 23-29 é a passagem chave que examinaremos.
1) É uma revelação dada a Paulo pelo Cristo glorificado.
Paulo diz: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei” (v. 23). Esta é a mesma linguagem que ele usa para descrever o Evangelho distinto (o Evangelho da graça de Deus), que Cristo, depois de ter ascendido e sido glorificado, lhe revelou diretamente sem qualquer instrumentalidade humana (I Coríntios 15:3,4; Gálatas 1:11,12). Além disso, quando Paulo subiu a Jerusalém por revelação, a fim de expor o novo Evangelho que Deus lhe havia revelado, eles (os 12 apóstolos e a igreja de Jerusalém) nada acrescentaram ao seu conhecimento, que incluiria a Ceia do Senhor. Em vez disso, ele foi capaz de contar-lhes sobre as novas revelações que lhe haviam sido confiadas (Gálatas 2:1-9). Em suma, Paulo recebeu o ensino da Ceia do Senhor diretamente do Cristo glorificado e tornou-se uma parte do seu apostolado e mensagem independentes.
2) É uma acção de graças (Eucaristia).
As Escrituras dizem: “E, tendo dado graças” (I Coríntios 11:24). Quando comemos o pão e bebemos do cálice, agradecemos a Deus por ter enviado o seu Filho unigénito para morrer por nós e pagar o preço dos nossos pecados com o Seu sangue precioso. É um culto de adoração no qual curvamos os nossos corações com agradecido reconhecimento pela pessoa e obra de Cristo.
3) É um memorial.
Duas vezes na passagem lemos: “Fazei isto em memória de Mim” (v. 24,25). Quando celebramos este abençoado memorial, lembramos que nosso Senhor Jesus Cristo foi pendurado na cruz em agonia e vergonha por nós! Também O lembramos como nosso ressuscitado e glorificado Cabeça no Céu que um dia vai aparecer como nossa bem-aventurada esperança. Assim, a comemoração da Ceia do Senhor aponta para trás, para a cruz, mas também para a frente, para a Sua vinda (v. 26).
4) É uma representação.
Quando Jesus disse aos Seus discípulos: “Isto é o Meu corpo” e “Este é… o Meu sangue”, alguns grupos religiosos tomam estas palavras literalmente. Por exemplo, a Igreja Católica Romana ensina que quando o pão (hóstia) é abençoado pelo padre, ele deixa de ser pão e vinho e transforma-se literalmente no corpo e no sangue de Cristo. A hóstia é mesmo elevada para a congregação a adorar como se fosse o próprio Cristo! Esta é a chamada doutrina da transubstanciação.
As igrejas luteranas e anglicanas também acreditam na “presença real” do Senhor no pão e no vinho. A sua crença é que os elementos continuam a ser pão e vinho, mas que Cristo está presente espiritualmente neles, o que só pode ser compreendido pela fé. Essa é a chamada doutrina da consubstanciação.1
Estas duas visões não conseguem reconhecer as metáforas (figuras de linguagem) que o nosso Senhor utilizou:
“Eu sou o pão da vida" (João 6:35,48).
“Eu sou a porta" (João 10:9).
Ninguém diria que Jesus estava a dizer que Ele era mesmo uma porta ou um pedaço de pão. Em vez disso, Ele é o alimento espiritual e o meio para entrar na vida eterna. Da mesma forma, a linguagem das passagens da Ceia do Senhor não são literais, apesar de serem aquilo que o pão e o vinho significam. O significado das palavras de Cristo é: “Este pão é [representa] o Meu corpo” e “Este cálice é [representa] o Meu sangue”. Assim, o pão e o vinho são símbolos do corpo ferido e do sangue derramado de Cristo. Aqueles que insistem no sentido literal destas palavras de Cristo devem considerar I Coríntios 11:25, onde lemos: "Este cálice é o Novo Testamento no Meu sangue”. Como pode um cálice ser literalmente o Novo Testamento?
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1 Estes grupos religiosos dependem muito da passagem de João 6 que diz: “Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis vida em vós mesmos” (v. 53). Isso nada tem que ver com a Ceia do Senhor. A confusão é eliminada quando lemos também o versículo 35: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a Mim não terá fome; e quem crê em Mim nunca terá sede.” Obviamente, comer a carne do Filho do homem é a linguagem metafórica para vir a Ele, assim como beber o Seu sangue é crer n’Ele. Estranhamente, os intérpretes literais destas passagens tornam-se muito simbólicos quando se trata de profecia bíblica.
Ken Lawson,
The Berean Searchlight
Março de 2011, páginas 13-17
(Tradução de Daniel Ferreira)
Continua
A Ceia do Senhor (Parte 1)
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