Cartas de Recomendação

Porventura começamos outra vez a louvar-nos a nós mesmos? Ou necessitamos, como alguns, de cartas de recomendação para vós, ou de recomendação de vós?" - 2 Cor. 3.1.
Paulo defende com veemência a sua autoridade como apóstolo. Alguns tinham-na posto em causa, visto ele não pertencer ao grupo dos Doze. Ele declara que os crentes ali, em Corinto, eram a sua carta de recomendação. A salvação deles e o seu progresso como crentes era suficiente para o recomendar como servo de Cristo.
Ora, o facto de ele fazer menção de tais cartas evidencia o seu uso corrente. O próprio Paulo tinha tomado, noutros tempos, tais cartas para os Judeus em Damasco, da parte do sumo sacerdote em Jerusalém, concedendo-lhe autorização para perseguir e prender os cristãos (Act. 9.1,2). Mais tarde Apolo desejava ir de Éfeso para Corinto, e os crentes escreveram cartas de recomendação recomendando-o (Act. 18.27).
Hoje continua a ser importante que um crente, ao ir para uma área onde não é conhecido, leve consigo uma carta de recomendação. Uma tal carta assegurará ao povo de Deus para onde vai, que ele é um crente com bom testemunho e em comunhão com a igreja, não se encontrando sob disciplina. Ela também dará testemunho dos seus dons e utilidade na igreja.
Muitas igrejas recebem estranhos no seu meio com base apenas no seu próprio testemunho. Os tais podem ser uma fraude, encontrarem-se sob disciplina doutra igreja local, e até serem ennsinadores de falsas doutrinas. As cartas de recomendação impedem tais enganos. As assembleias devem ser muito cautelosas a este respeito. "A ninguém imponhas precipitadamente as mãos" (I Tim. 5.22).
A palavra recomendar (Grego, sunistemi) traz consigo o pensamento de se estar do lado de uma pessoa, recomendando-a assim.
Paulo escreveu aos Coríntios em Roma recomendando-lhes Febe. "Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencreia" (Rom. 16.1; ver igualmente o v.2). Ele recomendou o seu carácter e devoção ao Senhor Recomendou-a como serva de Cristo e dos santos.
A carta a Filemon é basicamente uma carta de recomendação, recomendando Onésimo ao seu patrão. Paulo dá testemunho da conversão e dedicação de Onésimo, o escravo fugitivo. É uma carta maravilhosa, cheia de compaixão e ternura.
É interessante notar que Paulo e Barnabé não levaram cartas de recomendação de Antioguia quando de lá partiram para a obra missionária onde não havia crentes. Não faria sentido levarem cartas de recomendação nessas circunstâncias. Apenas foram encomendados à graça de Deus (Act. 14.26).
Uma igreja ou um crente pode escrever uma carta recomendando outro crente a outra igreja. Tal carta deve revelar o seu carácter cristão e utilidade. Isso apresentá-lo-á aos outros crentes e dar-lhe-á acesso à sua comunhão. Abrir-lhe-á a porta dos seus corações e lares.
Uma carta de recomendação não deve ser tida como um documento de ordenação, caso se refira a um pregador. Tal pensamento é estranho ás Escrituras.
Em resumo, as cartas de recomendação, então, têm razão de existir. São úteis para quando um crente se move para um lugar onde não é conhecido. Asseguram aos outros do seu bom carácter e dons. Pode descrever áreas de serviço em que tenha estado empenhado. Abrem as portas para a família de Deus num lugar estranho. Com elas um crente não é mais estranho, mas irmão amado, no Senhor. As assembleias devem ter muito cuidado em receber de ânimo leve, em comunhão, uma pessoa desconhecida. Ainda há lobos com pele de cordeiro. Uma carta de recomendação é uma segurança para o povo de Deus.
Para finalizar: Se o estimado leitor tivesse que se mover para um lugar estranho, e precisasse que a sua assembleia lhe desse uma carta de recomendação, que poderia ela dizer, com verdade, acerca de si?



