O crente, o pecado e a Ceia do Senhor
A consciência de pecado cometido deve ser impedimento para um crente participar na Ceia do Senhor?
É verdade que há crentes que, por vezes, mesmo apesar de presentes no culto da Ceia do Senhor, não participam na toma dos respetivos elementos - pão e cálice -, devido à sua consciência os acusar de algum pecado que cometeram.
Ora, tal não deve ser impedimento, e isto, por duas razões.
Primeira, porque o crente, se examinar com rigor a sua consciência detetará sempre pecado nele - sempre. O pecado só será erradicado de si quando for para o Céu. Portanto, se seguisse com coerência essa sua forma de pensar, realmente nunca poderia participar na Ceia do Senhor. Isto não significa que ele seja, ou possa ser, descuidado com a sua vida, pecando. Significa, pelo contrário, que se deve humilhar, agradecendo por palavra, atitude e ação, a provisão perfeita que Deus fez para ele no Calvário, em Cristo, aborrecendo o pecado.
Segunda, porque a Ceia do Senhor nada tem a ver com o que o crente faz ou deixa de fazer, mas com o que o Senhor Jesus fez (1 Cor. 11:26), e o que Ele fez apresenta-o perfeito em Cristo (Col. 2:10), perdoado de todos os seus pecados (Col. 1:14). O acesso do crente à Ceia do Senhor acontece pelos méritos do Senhor Jesus Cristo e não pelos seus próprios méritos, que são nenhuns, mesmo que não tenha consciência de pecado, que deve ter permanentemente, pois o pecado está sempre nele aqui neste mundo.
O crente deve participar integralmente na Ceia do Senhor com o sentimento de que é indigno, não com o sentimento de que é digno. Quando o crente participa na Ceia por não ter consciência de pecado, para além de estar a enganar-se a si mesmo, passa a ideia de que o faz pela sua dignidade, que não tem. Só o Senhor é digno (Apo. 5:12).
A consciência refinada de pecado na experiência do crente deve ser mais um motivo de gratidão, santificação e consagração.
- C.M.O.



