Organizações paraeclesiásticas versus igrejas locais

O que são? Tratam-se de iniciativas paralelas às igrejas locais. Aliás, vem daí o prefixo “para” que quer dizer “ao lado de”.
Ora a igreja é vista nas Escrituras como um corpo, uma massa viva compacta, coesa,– não uma manta de retalhos. Usando a linguagem bíblica nesta relação, o corpo é como uma “túnica ... tecida toda de alto a baixo, não tinha costura” (João 19:23).
Deus dá dons ou capacidades ao Corpo, não a algo exterior ao mesmo. Os dons são DO e PARA o corpo. “somos um só corpo ... tendo diferentes dons” (Romanos 12:5,6). “... dons espirituais ... para edificação da igreja” (1 Cor. 14:12).
Assim sendo, as organizações paraeclesiásticas, entre as quais se encontram seminários, institulos bíblicos, escolas bíblicas, organizações juvenis, e outras, não são preconizadas, contempladas, pelas Escrituras.
As organizações paraeclesiásticas são estranhas ao corpo, não fazendo parte do mesmo, ainda que supostamente existindo ao lado dele, para sua ajuda, assumindo as melhores intenções dos seus proponentes. Na melhor das hipóteses, tratam-se realmente de muletas que evidenciam um corpo doente e fraco.
O que as Escrituras preconizam numa situação destas, de doença e fraqueza, é uma ação que vise a restauração da saúde e fortaleza na igreja, sendo nesse propósito que todos os crentes se devem empenhar - não se resignando a um corpo doente e fraco que lança mão de muletas que jazem ao seu lado para supostamente o ajudar, mas que não o podem curar.
A restauração da saúde e fortaleza da igreja passa por ter os seus membros a trabalhar para ela. Não é concebível que a igreja tenha dons que a desprezem em favor de algo paralelo que ainda por cima não tem aprovação divina. Os dons são dados ao corpo e para o corpo, não para muletas ou afins.
Levar o Evangelho ao mundo sem a Igreja é algo estranho à “verdade do Evangelho”, pois lemos que Paulo tinha “esperança de que, crescendo a fé [da igreja em Corinto]”, seria engrandecido entre eles, conforme a sua regra, “para anunciar o Evangelho aos lugares” que estavam além deles (2 Cor. 10:15,16). Levar o Evangelho ao mundo sem a Igreja trata-se duma ação desligada e desgarrada da Cabeça e do Corpo, que o Apóstolo Paulo reprova em Colossenses 2:19.
Um dos pontos mais críticos nas organizações paraeclesiásticas, é a inexistência de responsabilização ou de prestação de contas. Não prestam contas a ninguém a não ser a si mesmas, e ninguém tem como as chamar à atenção ou corrigir.
A verdade é que através das suas crenças e ensinamentos elas promovem ensinos contrários “à sã doutrina, conforme o Evangelho da glória de Deus bem-aventurado, que ... foi confiado [a Paulo]” (1 Tim. 1:10,11).
Decerto que nenhum ancião lúcido recomendará a um jovem da sua igreja que participe ativamente numa organização paraeclesiástica com princípios e procedimentos errados divorciados das Escrituras bem manejadas, e não na sua igreja local. Os anciãos não têm legitimidade para se intrometer nas organizações paraeclesiásticas com fim de as corrigir.
Além disso, como estas organizações funcionam procurando satisfazer todo o tipo de crenças denominacionais, tornam-se redutoras, reduzindo ao menor divisor comum a doutrina a fim que os que a elas se agregam estejam unidos, mas mesmo assim defendendo pontos errados. A imaturidade e insanidade teológicas são altamente preocupantes.
A forma bíblica do conhecimento ser passado aos crentes é a que que vemos, a título de exemplo, preconizada por Paulo em 2 Tim. 2:2, ou seja pela igreja local:
“...o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idóneos para também ensinarem os outros”.
Organizações paraeclesiásticas não são extensões, mas adulterações, distorções, sim, deformações, da igreja, delapidando recursos humanos e financeiros que devem ser geridos exclusivamente pelas igrejas locais.
Como preconizam as mensagens dos irmãos Dário Botas e Alberto Veríssimo, e o estudo bíblico que se lhes seguiu, esforcemo-nos por seguir as injunções bíblicas claras que habilitam a igreja a ser autossuficiente em todas as áreas. Uma igreja assim não precisa de muletas, pois será um organismo saudável, autossuficiente. Não tem por Cabeça o Senhor Jesus Cristo?
- C. M. O.



