A compatibilidade de ser Cristão e ser militar

Quando João Batista dizia ao povo para se arrepender, ao pregar “o batismo de arrependimento para perdão dos pecados” (Lucas 3:3), apareceram entre a multidão, “publicanos” e “soldados”. Note-se que a estes últimos ele não disse que era errado serem soldados. O que ele disse foi:
“E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo” (Lucas 3:14).
Portanto, a condição militar foi sancionada. Eles apenas foram chamados à atenção para não usarem mal o poder da farda, das armas, para não incorrerem em abuso de autoridade.
O próprio Senhor Jesus Cristo lidou com vários soldados e centuriões e nunca os repreendeu ou reprovou por serem militares. Vemos o Senhor até elogiar a fé de um centurião, que seria nos nossos dias um Comandante de Companhia, um oficial que comandava uma centúria – 100 homens.
“E, entrando Jesus em Capernaum, chegou junto d’Ele um centurião, rogando-lhe,
“E dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa paralítico, e violentamente atormentado.
“E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saúde.
“E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas diz somente uma palavra, e o meu criado sarará;
“Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faz isto, e ele o faz.
“E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que O seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé” (Mateus 8:5-10).
Este centurião era recomendado pelo seu amor à nação e por ter edificado uma sinagoga aos judeus, sendo esse argumento aceite pelo Senhor para que ele fosse acudido (Lucas 7:4,5).
Note-se que o centurião comparou a sua autoridade à do Senhor, referindo os soldados às suas ordens, e o Senhor não só não o censurou por isso, como o sancionou e recomendou mesmo a sua fé, ficando maravilhado.
Mais, o Senhor sancionou a própria guerra (justa) neste mundo, quando disse que se a natureza do Seu Reino fosse semelhante à dos demais reinos (“deste mundo”), os Seus servos pegariam em armas, os Seus servos “pelejariam”. Só não o faziam porque a origem do Seu reino é celestial (não terrena); é chamado, como sabemos, “reino DOS CEÚS” (Mateus 3:2; 4:17; 5:10,19,20; etc.).
“Respondeu Jesus: O Meu reino não é deste mundo: se o Meu reino fosse deste mundo, pelejariam os Meus servos, para que Eu não fosse entregue aos judeus: mas agora o Meu reino não é daqui” (João 18:36). O argumento mais “forte” usado pelos “pacifistas” para dizer que a vida militar é incompatível com a vida Cristã, é o facto de Deus ordenar nas Escrituras, "Não matarás" (Êxodo 20:13). Porém, esse famoso mandamento que incorpora os 10 Mandamentos, não deve ser mal interpretado. Deus não diz "não matarás, absolutamente, de todo", pois o contexto do livro em que tal está registado ordena que os homicidas fossem mortos (Êxodo 21:12,22-24). Ou seja, quando Deus diz, "não matarás" o que Ele quer dizer é "não cometerás homicídio", pois os homicidas deveriam ser mortos.
O verbo hebraico “ratsach” usado neste mandamento no Velho Testamento, e o verbo grego “foneuo” usado no mesmo mandamento no Novo Testamento, são sempre usados para se referir homicídio criminoso, e nunca a legítima defesa e a pena capital. Tanto o verbo hebraico “ratsach” como o verbo grego “foneuo” referem-se a homicídio ilícito. Portanto, matar para defesa ou proteção de alguém não é pecado.
A pena capital é bíblica. Foi implementada por Deus nos dias de Noé (Génesis 9:6) e continua em vigor na atual dispensação da graça, como Romanos 13 comprova.
“Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faz o bem, e terás louvor dela.
“Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois NÃO TRAZ DEBALDE A ESPADA; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal” (Romanos 13:3,4).
A "espada" não era usada para simplesmente magoar, mas para matar. A palavra grega usada para espada é “machaira” que é um símbolo da pena capital. Paulo indica que era a favor da pena de morte quando usa a espada como símbolo da punição do Estado.
Os que discordam da vida militar e a reprovam mesmo, os que denominamos de “pacifistas”, certamente que nunca se aperceberam da incoerência e insustentabilidade das suas convicções. Eles podem não participar diretamente na vida militar, mas participam nela indiretamente ao pagarem os seus impostos a que Romanos 13 os vincula (ver. 7). Ora os impostos pagam, entre outras coisas, o soldo dos militares e todo o seu armamento. Como diz o velho ditado popular, “Tão ladrão é o que vai à horta como o que fica à porta”. E isto é extensivo a todas as forças de segurança, que se não existissem tornariam a nossa vida extremamente vulnerável e insuportável. Nas Escrituras vemos centuriões converterem-se ao Senhor sem que tivessem que abandonar, após a mesma, a sua condição militar, como comprova o Centurião Cornélio (Atos 10).
Ademais acresce dizer que o objetivo principal de qualquer força militar deve ser manter a paz e a ordem e proteger vidas inocentes. Romanos 13:4 deixa bem claro que a ação punitiva das autoridades é apoiada por Deus para que haja castigo para o que pratica a maldade e para proteger as pessoas de bem. Nesse sentido, é indubitavelmente uma profissão digna para um Cristão. Note-se que o Apóstolo Paulo usa o serviço militar como exemplo para a vida Cristã. Se o serviço militar fosse reprovável, nunca seria apresentado como exemplo.
“Ninguém que milita se embaraça com negócio desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra” (2 Timóteo 2:4).
Para Paulo, o serviço militar é um bom exemplo a ser seguido pelos Cristãos, porque os Cristãos devem ser altamente disciplinados, cumprir com o seu dever, e obedecer às ordens do seu Senhor exemplarmente.
Por conseguinte, em suma, ser Cristão e ser militar é compatível.
- C.M.O.



