O Apóstolo Paulo e os Filhos de Adão (IV)
O apóstolo Paulo e os filhos de Adão
Foi dado ao apóstolo Paulo o “cumprir (completar) a palavra de Deus” (Colossenses 1:25), não textualmente ou cronologicamente, mas doutrinariamente, pela revelação “do mistério” (Colossenses 1:26).
“O mistério” de Deus revelado ao apóstolo Paulo é a pedra angular da divina revelação, pois “o mistério” que lhe foi revelado é o segredo escondido de como Deus lida para com todos os homens, e é à sua luz que devemos considerar até mesmo o antigo relato acerca de Caim e Abel.
Aproximadamente durante quatro mil anos Deus fez sempre distinções entres os homens: distinções entre a linhagem de Seth e de Caim, entre a descendência de Abraão e o mundo pagão á sua volta, entre a descendência de Isaac e de Ismael, entre a nação de Israel e as outras nações.
Mas, a seu devido tempo, sob o ministério do apóstolo Paulo, Deus pôs de parte temporariamente a Sua aliança com o seu povo (judeus), e juntamente com os gentios, encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia (Romanos 11:32-33).
Assim, é o apóstolo Paulo, que nos leva de volta, em sua teologia, não para David ou Abraão, com quem foram feitos os anteriores concertos, mas para Adão decaído. Ressaltando que:
“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Romanos 5:12).
“Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos” (Romanos 5:15).
“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só acto de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” (Romanos 5:18).
Portanto nas epístolas do apóstolo Paulo as antigas distinções desaparecem. Na segunda carta aos Coríntios o apóstolo Paulo escreve:
“Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo” (2 Coríntios 5:16).
E na carta aos Romanos: “Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” (Romanos 10:12-13).
Distinções humanas entre os filhos de Adão com certeza ainda existem e são todavia ainda observadas, mas diante de Deus não há nenhuma diferença. A única excepção, é exactamente a mesma que encontramos entre os primeiros dois filhos de Adão, a diferença entre fé e incredulidade.
O sagrado mistério revelado por meio do apóstolo Paulo lançou agora uma luz sobre a história de Caim e de Abel. O sacrificio de sangue que, então, Deus exigia era símbolo do que Ele já tinha providênciado em Cristo, e pelo qual os crentes não só podem receber o testemunho de que são justos, mas tornam-se também participantes de todos os méritos do Calvário: união com Cristo, união uns com os outros em Cristo, uma posição celestial, bênçãos celestiais, uma perspectiva celestial e todas as “riquezas da sua graça”.
“Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado. Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça; que Ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência” (Efésios 1:6-8).
“Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus” (Efésios 2:8).
Aqueles que rejeitam este perdão e estas riquezas de sua graça são muito parecidos com Caim. Eles podem ser muito trabalhadores, sensíveis e até refinados. Podem até de facto ser muito religiosos, mas em vez de se aproximarem de Deus por meio do sangue de Cristo, o único caminho que existe, eles vêm, tal como Caim, oferecendo o que lhes parece melhor aos seus olhos: o fruto do seu trabalho, ou o seu “bom” carácter ou, por exemplo, os seus esforços religiosos.
Experimentemos um dia dizer a essas pessoas boas e religiosas que só o sangue de Cristo os pode salvar, e tal como a Caim, os seus semblantes irão descair. Mas os líderes religiosos que protestam que a doutrina do sangue é “asquerosa aos sentidos mais subtis”, também têm sido os líderes da apostasia que têm incentivado a políticas erradas, a brutalidade e à impiedade que tem colocado as nossas nações em seus perigos. É de tal forma grande a inconsistência da incredulidade que Deus diz assim na sua palavra: “Ai deles! porque entraram pelo caminho de Caim…” (Judas 11).
A única distinção
Ao longo desta dispensação da graça, Deus não favorece uma raça, ou uma nação, ou até uma classe social particular quando a salvação está em causa. A única distinção básica que existe é igual aquela de que podemos encontrar entre os dois irmãos Caim e Abel. Esta distinção é agora, como então, que determina o nosso destino. “E atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou.” Cada homem foi aceito ou rejeitado com base na sua oferta.
Nos dias de hoje, uma vez que o Senhor Jesus Cristo se deu a si mesmo em sacrifício por nós, podemos confiar na Sua obra realizada na Cruz e ser aceites por Deus ou trazer o nosso próprio sacrifício e sermos rejeitados.?
Aqueles dos quais são rejeitados, um dia irão dizer com Caim: “É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada”. Aqueles que são aceites irão para sempre gozar “as abundantes riquezas da Sua graça… pela sua benignidade para connosco em Cristo Jesus.”
“E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (Actos 16:31).
- Cornelius R. Stam
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