A VERDADE DISPENSACIONAL

O que é o Dispensacionalismo?
A palavra “dispensação” (“oikonomia” em grego) significa “administração de uma casa”, “gestão de uma família”, “regras da casa” ou “economia”. No sentido em que é usada nas Escrituras trata-se do modo de Deus tratar com os homens na administração de Seus desígnios em Sua casa. Portanto, a palavra dispensação significa uma maneira específica que Deus usa para ordenar ou governar a Sua casa. Esta definição pode variar às vezes por diversas razões. Por exemplo, no Antigo Testamento, quando Israel estava sob a Lei, Deus ordenou a Sua casa de uma maneira diferente da que ele hoje ordena Sua casa no Dia da Graça. Portanto, tem ocorrido uma mudança de dispensações na gestão da casa de Deus.
O ensino bíblico que observa e reconhece uma diferença entre Israel, Igreja e os santos do reino milenial - cada um com sua vocação, bênçãos e destinos específicos - é o que chamamos de Dispensacionalismo.
A necessidade de se manejar corretamente a Palavra da Verdade
As Escrituras dizem: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja [reparte] bem a palavra da verdade” (2 Tm 2:15). Este versículo indica que a Palavra de Deus possui divisões, e se quisermos ser aprovados diante de Deus precisamos saber distingui-las nos nossos estudos das Escrituras. A tendência da maioria dos cristãos é ver a Palavra de Deus como uma massa indistinta de versículos bíblicos que teriam sido todos escritos especificamente para nós. Todavia, existem coisas que foram escritas para Israel e pertencem àquele povo, e há também coisas que foram escritas para a Igreja e dizem respeito especificamente a ela. As Escrituras fazem distinção entre estes dois grupos de pessoas abençoadas como sendo entidades distintas das nações gentias. Ela diz: “Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus” (1 Cor. 10:32). Manejar ou repartir bem a Palavra da Verdade é estudar a Bíblia, observar, e entender as distinções que Deus fez entre estes diferentes grupos. Israel, Igreja e Gentios têm vocações, bênçãos e destinos completamente diferentes no plano de Deus para a bênção dos homens. Cada grupo foi chamado com o propósito de manifestar as glórias e excelências de Cristo em diferentes esferas de Seu reino vindouro, não apenas na terra, mas também nos céus.
O facto de 2 Timóteo 2:15 dizer “...que maneja [reparte] bem a palavra da verdade” indica que as Escrituras podem ser mal manejadas ou mal repartidas e mal aplicadas. Portanto, é preciso ter cuidado no manuseio das Escrituras e prestar atenção às distinções entre o que é interpretação e o que é aplicação.
Como cristãos, somos culpados de cristianizar as Escrituras que não foram dirigidas a nós e imaginar que foram. Pegamos passagens que foram claramente escritas para Israel e imaginamos que estejam a referir-se à Igreja. Um exemplo disto seriam os subtítulos das nossas Bíblias que aparecem no topo das páginas, no início de capítulos ou de porções, dependendo da versão, particularmente nos livros dos Salmos e do profeta Isaías. Foram adicionadas afirmações que não fazem parte do texto original das Escrituras para indicar ao leitor, de forma errada, que aquelas passagens foram escritas para a Igreja, quando fica claro que o assunto está relacionado com Israel. Não estamos a dizer que os cristãos não deveriam buscar lições morais e práticas nas passagens do Antigo Testamento -- 1 Coríntios 10:11 e 2 Timóteo 3:16 indicam que devemos fazê-lo. Mas isto não significa que as passagens do Antigo Testamento tenham sido escritas para os cristãos, pelo menos quando o assunto é a interpretação. Romanos 15:4 diz: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”. Aquelas coisas no Antigo Testamento foram escritas “para” nós, mesmo que não tenham sido dirigidas “a” nós. Isto é algo que deve ser observado e compreendido por todo estudante da Bíblia.
- Bruce Anstey



