Dispensacionalismo (I)

Paul Sadler     “Da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir a Palavra de Deus;

     “O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos Seus santos” (Colossenses 1:25,26).

     Tem havido uma discussão animada ao longo dos anos sobre o tema “dispensationalismo”. John H. Gerstner, no seu livro Wrongly Dividing the Word of Truth (Manejando Mal a Palavra da Verdade) estende-se para desacreditar o dispensationalismo com base de que é um fenómeno muito recente. No seu raciocínio, uma vez que a Teologia do Pacto, da qual ele é um forte defensor, supostamente pode ser rastreada até ao século II, é obviamente o método mais confiável de interpretação das Escrituras. Nós cremos que tal raciocínio é defeituoso por uma série de razões.

     Uma pessoa precisa de ler somente os escritos dos Pais da Igreja para descobrir que todos eles estavam terrivelmente confusos. Isso não deveria nos surpreender quando nos lembramos que eles tinham virado as costas ao apostolado e à mensagem de Paulo (II Tim. 1:15).

     Porque a história da Igreja às vezes tem provado ser guia pouco fiável, será prudente perguntar: "O que dizem as Escrituras?" O Dr. Gerstner, na sua pressa para defender a visão tradicional da Teologia do Pacto, não consegue ver que as próprias Escrituras-se estabelecem o sistema de interpretação chamado “dispensacionalismo”. A compreensão da Palavra de Deus dispensacionalmente é de longe a forma mais consistente para se verificar os eternos conselhos de Deus. Permite que as Escrituras sejam interpretadas literalmente, a menos que o contexto exija claramente o contrário. Além disso, anula a necessidade de se espiritualizar certas passagens, a fim de se chegar ao sentido próprio.


Distinguindo séculos de dispensações

     “Ora tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1 Coríntios 10:11).

     De acordo com esta passagem, há certas coisas que foram registadas no Antigo Testamento que visando ser um sério aviso àqueles que viviam no fim do século Judaico, bem como aos do início do presente século. Aqui numa declaração abrangente Paulo destaca dois séculos. O termo século (Gr. Aion) deve ser entendido como "um período de duração ou tempo indeterminado ou tempo visto em relação ao que acontece nesse período". Por outras palavras, um século é um período de tempo tanto com um princípio como com um fim, como a passagem acima ensina claramente.

     Quando assinalam as divisões dos séculos, os dispensationalistas tendem em fatiar o bolo de modo diferente, dependendo da sua persuasão teológica. Podemos sugerir a seguinte divisão:

1. O Século da Liberdade (Gn 1-3).
2. O Século das Nações (Gn 4-11).
3. O Século da Nação Judaica (Gn 12-Atos 8).
4. O Presente Século Mau (Gál 1:4; Atos 9-Hebreus 13).
5. O Século do Reino (Tiago 1-Apo 20; Mateus 24:3,14.).
6. Os Séculos Vindouros (Ef. 2:7; Apo 21,22).

     “Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada;

     “Como me foi este MISTÉRIO manifestado pela revelação como acima em pouco vos escrevi” (Efésios 3:2,3).

     No quadro dos séculos Deus manifestou a Sua vontade, no que é comumente conhecido como dispensações. Uma dispensação deve não ser considerado como um período de tempo, como sua contraparte, embora seja correto dizer que ela cobre um período de tempo. A palavra significa simplesmente, "Um modo de dispensar, uma governação ou administração de coisas”. A única esperança que a humanidade alguma vez teve de conhecer a vontade de Deus foi através de revelações diretas. Estas revelações foram dadas ou dispensadas a homens santos de Deus que foram guiados pelo Espírito. Enquanto os atributos de Deus são imutáveis (não mudam), Ele faz, por vezes, muda os Seus tratos com a humanidade, como já veremos.

     Infelizmente, também há discordância entre dispensationalistas quanto ao número de cortes que devem ser feitos no bolo dispensational. Alguns creem que existem apenas três administrações, que se dividem em conformidade com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Este é um conceito interessante, mas que carece de suporte bíblico. Movendo-nos para a outra extremidade do espectro, há aqueles que ensinam que há tantas quanto doze dispensações. Os que defendem esta posição, no entanto, sentem dificuldades para a defender.

     Sete dispensações é, talvez, o ponto de vista mais amplamente aceite, defendido pela maioria dos ensinadores da Bíblia. Apesar de não termos grandes objeções a este ponto de vista, ele parece confundir o tempo, tal como o conhecemos, com o estado eterno.

     Portanto, para ajudar a esclarecer a distinção, defendemos a posição de que há oito dispensações:

1. Dispensação da Inocência (Gn. 1:27,28).
2. Dispensação da Consciência (Gn 3:7; Rm 2:14,15.).
3. Dispensação do Governo Humano (Gn 9:1-7).
4. Dispensação da Promessa (Gn 12:1-3; 13:14-17).
5. Dispensação da Lei (Êx. 19,20).
6. Dispensação da Graça (Ef. 3:1-6).
7. Dispensação do Governo Divino, [ou, do Reino] (Salmo 2:. 1-12; Apo. 11: 15-19; Apo. 20).
8. Dispensação da Plenitude dos Tempos (Ef 1:10;. II Pedro 3:12-13).

     É interessante que cada dispensação começa com um período probatório que serve como um tempo de teste. Com isto em mente, o curso de cada dispensação segue basicamente o mesmo modelo: a manifestação da vontade de Deus, a responsabilidade humana, o fracasso do homem e julgamento de Deus. Deus colocou o homem sob um conjunto diferente de circunstâncias em cada dispensação para demonstrar que o homem é um pecador em necessidade desesperada de um Salvador.

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